Eurocopa

Incansável no ataque e na defesa, a partidaça de Griezmann em Marselha vai muito além dos gols

Primeiro, marcou um gol de pênalti, quando as pernas mais poderiam tremer depois do trauma na decisão da Champions. Mas ele venceu Neuer, chutando no mesmo canto em que superou Navas naquela disputa derradeira em Milão. Depois, aproveitou a jogadaça de Pogba e o apagão da defesa alemã para matar o jogo. Antoine Griezmann, com todos os méritos, recebe os holofotes pela classificação da França à final da Eurocopa. Marcou cinco gols apenas nos mata-matas, além de servido duas assistências. Porém, falar apenas de seus gols contra a Alemanha é limitar a partidaça que o camisa 7 teve em Marselha. Jogou muito mais do que isso, tanto no ataque quanto na defesa.

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Griezmann precisa atuar centralizado. Confiná-lo em uma das pontas do campo é perder o seu potencial de movimentação, tanto para abrir espaços na marcação quanto para criar oportunidades em diagonal. Diante dos alemães, ele foi participativo como nenhum outro. Liderou as jogadas de ataque, que necessitavam de sua velocidade diante do posicionamento adiantado dos adversários. Das 16 finalizações de sua equipe, nada menos do que sete saíram de seus pés. Mais do que isso, também foi quem mais deu passes (empatado com Pogba) e quem mais driblou entre os Bleus. Dinâmico, voltava também para auxiliar a saída dos meio-campistas. Assim, em uma excelente tabela com Matuidi desde a linha central, quase abriu o placar, parando em Neuer.

Durante o primeiro tempo, Griezmann pôde jogar mais solto. Já na segunda etapa, ele acabou sendo também parte importante na marcação cerrada da França. Era ele quem flutuava diante das duas linhas de quatro, dando o primeiro combate a zagueiros e volantes. Assim, roubou mais bolas do que qualquer outro de sua equipe, com cinco desarmes e duas interceptações – todos nos 45 minutos finais. Se os contragolpes levavam perigo à Alemanha, muitas vezes começavam puxados pelo camisa 7. O atacante apresentou uma intensidade impressionante ao longo dos 90 minutos. Só saiu mesmo para ser aplaudido, substituído por Cabaye nos acréscimos.

griezmann

Com pouca margem de discussão, Griezmann chega à decisão como o grande craque desta Eurocopa. Teve participação direta em oito gols da França e, com os seis gols que já marcou, só fica abaixo de Michel Platini como maior artilheiro em uma única edição do torneio. Será o perigo constante a ser acompanhado de perto pela defesa de Portugal. Resta saber se conseguirão conter toda a vontade que o camisa 7 apresenta durante todo o tempo. A desfalcada zaga alemã não foi feliz na missão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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