Eurocopa

A imagem do dia na Euro: O carteiro Kevin

Kevin De Bruyne entrou no intervalo com um pedido de entrega expressa; a virada da Bélgica. E ele entregou com velocidade e precisão incrível

Dizem que o carteiro não comemora quando entrega cada carta no seu percurso diário. Em um mundo de logística cada vez mais eficiente e rápida, é sempre bom poder contar com quem entrega tudo dentro do prazo. E nesse ponto, o melhor carteiro em atividade no planeta é Kevin De Bruyne. 

O meia do Manchester City de fato não comemorou quando entregou a encomenda de hoje à Bélgica, mas foi por outro motivo, talvez por respeito ao momento difícil vivido pelo povo dinamarquês. Saído do banco por ainda estar se recuperando plenamente de uma cirurgia na face, o camisa 7 veio ao campo contra a Dinamarca quando os belgas estavam em desvantagem no placar. E bagunçou com o jogo.

Os donos da casa em Copenhague deram uma grande atuação à torcida presente, afastando os maus agouros por conta do susto de sábado por Christian Eriksen. Daquele momento em diante, era impossível dissociar o drama da campanha danesa. Marcada por homenagens (incluindo um belo minuto 10 de aplausos e um camisão gigante com o número de Eriksen), a partida começou em ritmo alucinante com gol de Yussuf Poulsen, e teve ampla dominância dos mandantes ao longo do primeiro tempo.

O que a Dinamarca não contava era que as coisas iriam esfriar no intervalo. Foram criadas chances suficientes para marcar mais de um gol, mas o placar permaneceu no 1 a 0, méritos de Thibaut Courtois. Aí a Bélgica de Roberto Martinez resolveu colocar a turma para trabalhar. De Bruyne voltou entre os titulares e não demorou a entregar o de sempre, mobilizando seus colegas para virar a situação.

Primeiro, aos 50, o carteiro ruivo agiu num estalo de frieza para tirar dois marcadores da jogada e acionar Thorgan Hazard. Alguém pediu uma assistência expressa? Ela veio. A Bélgica começou a ficar mais confiante, se soltou, esbanjou classe. E ficou claro que a virada era questão de tempo.

Elogiamos De Bruyne por sua consciência posicional e visão de jogo, mas quem criou o segundo gol foi Romelu Lukaku, que tirou a bola da linha de fundo, recuou trazendo os dinamarqueses na cola, deu tempo para o ataque se organizar e numa tacada de sinuca agitou a última ação. Eden Hazard preferiu tocar para o lado em vez de finalizar, só rolando para De Bruyne, que vinha de trás, mandar uma bomba no canto. Golaço coletivo.

Kevin provou que é indispensável para os planos dos Diabos Vermelhos, mesmo sem estar 100% e marcando presença em apenas 45 minutos. Ainda que seja correto afirmar que provavelmente os belgas empatariam sem seu maior craque em campo, a colaboração de De Bruyne nos dois gols apenas reforça o aspecto decisivo daquele que foi o principal jogador da última temporada europeia. 

A Champions League não veio, porque foi extraviada em solo português por uma empresa londrina. Mas ainda se pode esperar que chegue uma Bola de Ouro em breve. Ou talvez uma Eurocopa? O pedido está sendo preparado para a entrega…

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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