Europa

Doze Homens e um Desejo: destruir o futebol europeu

Quem são os donos e executivos por trás da Superliga - e quais podem ser as consequências do fiasco

O projeto mambembe por trás da Superliga desabou em 48 horas, mas não morreu. As ideias que o motivaram seguem vivas em escritórios em Boston, Madri e Turim, com ar condicionado, cadeiras de couro e uma sede insaciável por dinheiro. O patrimônio combinado de 10 dos 12 homens por trás da tentativa de destruição do futebol europeu chega a US$ 62,5 bilhões, segundo avaliações da revista Forbes, e eles ainda tentaram nos convencer que o clubinho fechado e exclusivo que haviam desenhado era a única maneira de cobrir os prejuízos causados pela pandemia e salvar o futebol da falência – Joan Laporta, presidente do Barcelona, é apenas um advogado, e, no caso do xeique Mansour, do City, o melhor indicador talvez seja o PIB.

Como é pouco provável que essa história tenha realmente terminado, é importante que saibamos quem foram os homens por trás dela e quais consequências as suas ações causaram e podem causar, especialmente nas relações com entidades e torcedores a partir deste momento em que foram expostos como nada mais do que os gananciosos que muitos sempre souberam que eles eram. Tudo indica que houve quatro força-motrizes por trás da Superliga: Florentino Pérez, do Real Madrid, Andrea Agnelli, da Juventus, os Glazers, do Manchester United, e John Henry, do Liverpool. Mas, no fundo, nenhum dos outros pode reivindicar inocência.

Florentino Pérez (Real Madrid)

Florentino Pérez (AP Photo/Francisco Seco)

Florentino Pérez é figurinha carimbada nos bastidores do futebol europeu há duas décadas. Empresário do ramo das construções, deu sua primeira grande contribuição à insanidade do mercado de transferências com o Projeto Galáctico quando assumiu a presidência do Real Madrid em 2000 – quando já pegou um time que havia sido duas vezes campeão europeu. Quase causou uma guerra civil ao tirar Luis Figo do Barcelona. Depois vieram Zidane, Beckham, Ronaldo e Michael Owen. Após um breve intervalo, retornou em 2009 com as contratações de Cristiano Ronaldo e Kaká em uma tacada só. Ele não apenas prega que gastar dinheiro gera mais dinheiro como é o líder da Igreja. Seria o último a reagir a uma crise financeira com cortes de gastos. Embora tenha usado os prejuízos financeiros causados pela pandemia para justificar a criação da Superliga, sempre foi um entusiasta dessa ideia. Em dezembro de 2019, o New York Times publicou informações de uma reunião entre Pérez e Gianni Infantino, presidente da Fifa, para discutir um torneio que seria mais aberto do que o que foi lançado e destruído esta semana. Teria 40 clubes divididos em duas divisões, com promoção e rebaixamento.

Não precisamos ir muito longe para identificá-lo como o líder do movimento. Foi proclamado o presidente da Superliga e o único a dar as caras na imprensa para explicar a ideia nas primeiras 48 horas. Segundo ele, a competição segue viva porque nenhum dos dissidentes pagou a indenização prevista em contrato. A ver se haverá reação interna dos sócios do Real Madrid, mas ele está em uma posição complicada para negociar com outros agentes do futebol. Já era desafeto notório do presidente de La Liga, Javier Tebas, e trocou muitas farpas com Aleksander Ceferin nos últimos dias. Como diria o poeta Luiz Felipe Scolari, todos eles estavam de palhaçada, e Florentino foi um dos mais palhaços.

Florentino Pérez tem uma fortuna avaliada em US$ 2,1 bilhões e é a 1517ª pessoa mais rica do mundo, segundo a revista Forbes  

Andrea Agnelli (Juventus)

Andrea Agnelli, presidente da Juventus (Getty Images)

Padrinho é coisa séria na Itália. Quando Andrea Agnelli, presidente da Juventus, o convidou para ser o da sua filha, Aleksander Ceferin entendeu como um gesto de suprema confiança. Mas Agnelli completou sua transformação em Fredo Corleone no último sábado quando desligou o telefone assim que disse ao compadre que estava tudo certo, que a Superliga era apenas um rumor, e que apoiava as reformas da Champions League que seriam anunciadas na segunda-feira. O endosso do herdeiro da Fiat não era pouca coisa considerando que ele presidia a Associação dos Clubes Europeus, representante de 246 clubes em negociações com a Uefa. Ele era também a definição de uma raposa tomando conta do galinheiro porque nunca escondeu o entusiasmo pela ideia da Superliga. Chegou a questionar se era correto a Atalanta disputar a Champions League. Durante esta tumultuada semana, pareceu falar pelos três italianos e sua posição de liderança ficou clara quando foi nomeado um dos vice-presidentes da Superliga. Agora, é a pinhata favorita da Europa.

Agnelli não traiu apenas Ceferin. Como presidente da ECA, seu dever era zelar pelo interesse de todos os 246 clubes, não apenas 12 deles, e parece que usou o artifício de desligar o telefone com mais de uma pessoa. “Eu tentei ligar para Andrea Agnelli no domingo e ele não me atendeu”, disse Jean Michel-Aulas, presidente do Lyon. “É uma situação que me deixa desconfortável porque ele tinha toda nossa confiança e eu era muito próximo dele. Havia uma relação pessoal e profissional. A maneira como aconteceu me surpreende mais que a ação em si. Eu queria que ele nos dissesse, no sábado ou no domingo, que algo estava acontecendo. Eu sinto que fui enganado”. Aulas ainda foi mais educado que Ceferin. “Não sabíamos que tínhamos cobras trabalhando perto de nós. Agora sabemos”, disse, sobre Agnelli e Ed Woodward, executivo do Manchester United. “Agnelli é provavelmente a maior decepção de todas. Não quero ser muito pessoal, mas o fato é que nunca vi uma pessoa mentir tanto, tantas vezes, tão persistentemente. O que ele fez é inacreditável. Eu já vi muitas coisas na minha vida, mas não em uma situação como essa. Obviamente, a ganância é tão forte que todos os valores humanos evaporam”.

As especulações foram fortes ao longo da semana de que a derrocada da Superliga custaria o emprego de Agnelli – que segue convencido da “beleza do projeto”. Seus substitutos variam entre o vice-presidente da Exor (outra empresa da família) Alessandro Nasi e até Marcelo Lippi. Não é difícil entender por quê. Agnelli está extremamente fragilizado. Renunciou ao seu posto no Comitê Executivo da Uefa e não tem mais relação com Ceferin. Também saiu da ECA, substituído por Nasser Al-Khelaifi, do PSG. Além da Uefa e dos clubes que dizia representar, antagonizou também a Fifa e a Serie A, responsável pelo Campeonato Italiano que seria diretamente afetado pela Superliga. Caso fique, Agnelli terá que tentar reconstruir todas essas pontes e, até lá, a Juventus trocará seu papel de líder pelo de coadjuvante.

A fortuna da família Agnelli está avaliada em US$ 13,5 bilhões e, se fosse uma pessoa, seria a 156ª mais rica do mundo, segundo a Forbes.

Joel Glazer (Manchester United)

Torcedor do Manchester United protesta contra os proprietários do clube
Torcedor do Manchester United protesta contra os proprietários do clube (Imago/OneFootball)

A família Glazer estava em uma posição privilegiada porque era impossível ser mais odiada do que já era. Quando Malcolm Glazer completou a aquisição, em 2005, o Manchester United rachou, com torcedores criando um segundo clube, o United of Manchester, para preservar as raízes e as tradições que estavam sob ameaça dos norte-americanos. Cachecóis verde e amarelo, as primeiras cores do uniforme, tornaram-se a marca de uma irritação que emana do fato de os Glazers terem contraído empréstimos para comprar o clube, efetivamente o endividando o próprio United no processo, e de Malcolm ser tão desinteressado que morreu antes de visitar Old Trafford pela primeira vez. Avram e Joel, seus filhos, sempre foram responsáveis pelo dia a dia. A predileção de ambos pelo elitismo já havia ficado muito clara no projeto Big Picture, quando, ao lado de John Henry, do Liverpool, aproveitaram o momento de vulnerabilidade da pirâmide do futebol inglês para tentar aumentar o poder do Big Six da Premier League. Na prática, por outro caminho, a Superliga era a mesma coisa a nível europeu.

Joel Glazer era um dos vice-presidentes ao lado de Andrea Agnelli, mas quem executava as suas ordens era Ed Woodward. Woodward é uma das cobras citadas por Ceferin. Segundo o presidente da Uefa, os dois conversaram na quinta-feira da semana passada. O ex-banqueiro da JP Morgan, firma de investimentos que estava financiando a Superliga, disse estar satisfeito com as reformas da Champions League e que as apoiava totalmente. O envolvimento de Woodward foi profundo, tanto que sua cabeça foi a primeira a rolar, durante a tarde da terça-feira. Desde então, ele tem feito um esforço grande para tentar reabilitar sua imagem, vazando a jornalistas que nunca foi entusiasta da Superliga, que estava apenas obedecendo os seus chefes, que sempre planejava renunciar este ano, ao fim de quase uma década em que não conseguiu deixar o Manchester United do tamanho que ele deve ter.

Joel Glazer também escreveu uma carta aberta aos torcedores do Manchester United, o que tem gerado uma situação muito engraçada porque, ao justificar a participação na Superliga, muitos desses bilionários têm confessado justamente aquilo de que sempre foram acusados: que não entendem nada de futebol e não dão a mínima para as tradições. No caso de Glazer, ele não sabia que os torcedores gostavam tanto de rebaixamento e promoção. “Tentando buscar um alicerce mais estável para o jogo, não mostramos respeito suficiente por tradições profundamente enraizadas e, por isso, nós pedimos desculpas”, afirmou. Disse que tentará reconstruir os relacionamentos do Manchester United com outros acionistas do jogo nos bastidores, mas será uma missão difícil porque a Superliga foi o segundo golpe que os Glazers tentaram dar às estruturas do futebol em menos de um ano. Quem vai confiar que um terceiro não está à espreita?

A fortuna da família foi avaliada em US$ 4,7 bilhões pela Forbes em 2015, quando era a 63ª mais rica dos Estados Unidos

John Henry (Liverpool)

John Henry, dono do Liverpool (Foto: Getty Images)

Quando John Henry entrou no mundo dos esportes, foi direto a dois dos maiores desafios que estavam disponíveis, como se fosse uma criança que gosta de jogar videogame apenas no very hard. Primeiro, tentou quebrar a Maldição do Bambino, pela qual o Boston Red Sox não conquistava a Major League Beiseboll desde 1918. Conseguiu em 2004. Depois, buscou encerrar o jejum de títulos ingleses do Liverpool. Conseguiu em 2020. São dois feitos grandes o suficiente para que fosse tido como um grande herói, amado por duas torcidas extremamente apaixonadas. Não é exatamente o caso. Em Boston, irritou os seguidores do Red Sox com o hábito de desmontar times com grande potencial diante do primeiro fracasso, chegando ao cúmulo de negociar Mookie Betts, um talento geracional do beisebol, por um preço baixo com o Los Angeles Dodgers. E no Liverpool, desde o começo da pandemia, sua administração tem feito uma bobagem atrás da outra.

Henry e a sua empresa, a Fenway Sports Group, salvaram o Liverpool da falência quando o tiraram das mãos de Tom Hicks e George Gillett, em 2010. Superficialmente, parece que conduziu um trabalho exemplar de reconstrução, mas, embora tenha méritos incontestáveis em investimentos estruturais e aumentos de receitas, o projeto esportivo estava à deriva até a contratação de Jürgen Klopp. A primeira abordagem, baseada em uma interpretação ruim dos fundamentos do Moneyball, não deu certo. A segunda, reinvestindo o dinheiro da venda de Luis Suárez após quase ser campeão com Brendan Rodgers, terminou com Steven Gerrard se despedindo sendo goleado pelo Stoke City. Foi Klopp quem colocou a casa em ordem, deu identidade ao time e uma coerência ao mercado de transferências. Teve aliados, como o diretor Michael Edwards, mas os méritos dos donos são muito limitados nesse sentido.

De qualquer maneira, para ficar na linguagem dos Reds Soxs, isso é inside baseball. O torcedor normal sabe menos sobre os processos de bastidores e observou um clube caindo aos pedaços se transformar em campeão mundial, europeu e inglês com donos que pareciam compreender a alma do clube, ao aceitarem que não podiam demolir Anfield, mesmo que reformá-lo fosse mais demorado, e ao evocarem conceitos de Bill Shankly, o treinador-guardião dos valores e princípios socialistas que são os pilares da torcida e de boa parte da cidade. Ma, na verdade, nunca entenderão que ninguém compareceu ao enterro de Eleanor Rigby – leiam este textaço do amigo Mário Marra.

A pandemia aumentou a coleção, mas Henry começou a emitir pedidos de desculpas em série antes dela. A primeira fricção um pouco maior foi em 2016, quando 10.000 torcedores do Liverpool saíram de Anfield em protestos à intenção de aumentar o preço dos ingressos. Naquela ocasião, de maneira muito similar a esta, Henry teve que enviar um comunicado dizendo que a relação com os torcedores era sagrada e que ele aprendeu que deveria ouvi-los cuidadosamente. Foi uma promessa vazia. Em 2019, outra onda de revolta quando ele tentou registrar “Liverpool” como uma marca para fins comerciais, ignorando que a palavra também se refere a uma cidade com torcedores de outros clubes. O descaso com o time feminino também incomoda uma parte – infelizmente bem menor – da massa de seguidores do clube.

Outro pedido de desculpas chegou quando o clube havia indicado a intenção de usar um programa do governo que cobriria salários de até £ 2,5 mil, destinado a pequenos e médios empresários sofrendo com os efeitos da pandemia. Depois, o Liverpool foi um dos arquitetos do Projeto Big Picture, que condicionaria o necessário resgate à pirâmide do futebol inglês a um aumento de poder decisório dos seis clubes mais ricos do país. A Superliga, em diferentes moldes, seria fazer a mesma coisa em escala europeia, e não espanta que, ao lado dos Glazers, Agnelli e Florentino Pérez, Henry tenha sido um dos líderes do movimento.

Foi obrigado a colocar o rabinho entre as pernas ao publicar um vídeo em que assume total responsabilidade pela Superliga. Chegou a tentar nos convencer que o projeto “nunca iria em frente sem o apoio dos torcedores”. Mas chega uma hora que simplesmente não adianta mais pedir desculpas. A relação entre os torcedores do Liverpool e a Fenway Sports Group está em seu ponto mais baixo. E como eles adoram citar Shankly, talvez fosse melhor seguir outro dos ensinamentos dele daqui para frente: “Os jogadores, os treinadores e os torcedores são a Santíssima Trindade do futebol. Os diretores não fazem parte dela. Eles existem apenas para assinar cheques”.

John Henry tem fortuna avaliada em US$ 2,8 bilhões e é a 1111ª pessoa mais rica do mundo, segundo a revista Forbes.

Joan Laporta (Barcelona)

Laporta e Guardiola com o troféu de La Liga em 2009 (Foto: JOSEP LAGO/AFP via Getty Images/One Football)

Joan Laporta é advogado e político local na Catalunha. Não chega a ser um bilionário. Tanto que precisou da ajuda do CEO da Mediapro para apresentar as garantias bancárias necessárias para voltar a ser presidente do Barcelona – o vencedor das eleições precisa assegurar 15% do orçamento do clube. Retornou à principal cadeira do Camp Nou para tentar repetir a reconstrução financeira de seus primeiros mandatos, mais necessária do que nunca com dívidas na casa de € 1 bilhão de euros, e também para tentar manter Lionel Messi, com contrato apenas até o fim da temporada e com quem tem uma relação próxima. Foi eleito no começo de março, meses depois de Josep María Bartomeu renunciar dizendo que havia aceitado participar de uma Superliga Europeia. Herdou a batata-quente do seu antecessor, o que foi reconhecido até mesmo pelo presidente da Uefa. “Todos me decepcionaram, talvez menos o Barcelona. Faz pouco tempo que elegeram Laporta e falei com ele duas ou três vezes. Estava pressionado pela situação. Não foi culpa sua que a situação era assim, mas, ao mesmo tempo, como bom negociador, encontrou uma estratégia para sair dela”, afirmou Ceferin.

Na última quinta-feira, Laporta finalmente saiu do buraco onde se escondeu desde domingo e disse que a Superliga é necessária para gerar mais recursos que os clubes precisam, mas que tem que ser “baseada em méritos esportivos” e aprovada pelos sócios – a estratégia a que Ceferin se referiu. As palavras do dirigente europeu vieram depois das declarações de Laporta. Com o subterfúgio dos sócios, e por ter parecido um passageiro ao longo de toda a empreitada, Laporta poderia se beneficiar de ser o mandatário menos longevo entre os envolvidos para reconstruir os laços com a Uefa por meio da porta que Ceferin abriu. No entanto, a hora de usar essa carta não seria agora? Em vez disso, ele segue ecoando os discursos de Florentino Pérez, talvez apenas um tom abaixo do estridente. Em seu último comunicado, o Barça não anunciou a saída da Superliga, reiterou sua importância para pagar as contas e reclamou de “pressões e intimidações”. O máximo a que chegou foi admitir que as reações exigem uma análise profunda, “com tempo e a compostura necessária para evitar ações precipitadas”.

Nem consta na lista da Forbes

Stan Kroenke (Arsenal)

Stan Kroenke, dono do Arsenal (Foto: Getty Images)

O Arsenal foi o único dos seis clubes ingleses que recuaram na última terça-feira a pedir desculpas em sua nota oficial. Em uma reunião na última quinta entre o diretor Josh Kroenke, filho do dono Stan Kroenke, o CEO Vinai Venkatesham e torcedores, houve muitos e muitos outros pedidos de desculpa. O Arsenal tem feito muito esforço em duas frentes. Primeiro, para deixar claro que não teve nada a ver com a Superliga, apenas “pulou em um trem que estava prestes a partir”, palavras usadas por Venkatesham, que ligou pessoalmente para os outros 14 clubes da Premier League para pedir desculpas. Josh Kroenke se perguntou o que era pior, uma Superliga ou uma Superliga sem o Arsenal e, tendo ações do Arsenal, chegou rapidamente à conclusão de que seria pior uma Superliga sem o Arsenal. “Também nos perguntamos: o que os torcedores querem? Os torcedores globais querem mais Arsenal contra Barcelona. Os torcedores ingleses também querem ver mais jogos grandes, mas vocês também querem suas noites frias em Stoke”, afirmou, fazendo referência a um cartaz do protesto em Stamford Bridge na terça-feira e dando razão ao torcedor que disse na sua cara que ele nunca entendeu o futebol inglês. A segunda frente é tentar recuperar a confiança que nunca teve entre sua base de torcedores. Ele é pelo menos esperto o bastante para saber disso. “Estou ciente que nunca tivemos sua confiança de verdade, e o pouquinho que tínhamos foi destruída. É por isso que digo que estou aqui para tentar construir essa ponte”, disse.

Casado com a sobrinha do fundador do Walmart, Stan Kroenke tem um império imobiliário e outro esportivo que, além do Arsenal, conta com o Denver Nuggets, da NBA, e o Los Angeles Rams, da NFL. Em 2018, após algumas tentativas, finalmente conseguiu comprar as ações do russo Alisher Usmanov e passou a ter controle de 97% do clube. A manobra não pegou bem com torcedores que temiam que ele sufocasse acionistas minoritários e transformasse o Arsenal em uma empresa que visasse apenas o lucro – parece que não estavam tão errados, né? Depois, durante a pandemia, as relações ficaram ainda mais desgastadas quando ele demitiu 55 funcionários, depois de negociar uma redução salarial com jogadores e técnicos justamente para não ter que fazer isso, alegando que era necessário para operar de maneira “sustentável e responsável”. Entre os dispensados, estava o homem que usou a fantasia do mascote Gunnersaurus há 27 anos. Quase ao mesmo tempo, renovou com Aubameyang e jogou € 50 milhões em Thomas Partey.

É fácil acreditar que o Arsenal só embarcou na Superliga porque estava com medo de ficar para trás. Seu status como grande clube europeu não é garantido. A menos que vença a Liga Europa, seu primeiro título continental desde 1994, ficará pela quarta vez seguida fora da Champions League, depois de duas décadas de participação ininterrupta sob o comando de Arsène Wenger. O problema é que é uma desculpa muito fraca para aplacar torcedores que nunca engoliram os Kroenkes. Muitos deles nutriram a esperança de que talvez o desgaste fosse tão grande que eles seriam obrigados a vender o clube, o que Josh Kroenke prontamente descartou. Parece que nem isso os torcedores do Arsenal poderão comemorar.

Josh Kroenke tem fortuna avaliada em US$ 8,2 bilhões e é a 304ª pessoa mais rica do mundo segundo a revista Forbes.

Daniel Levy (Tottenham)

Daniel Levy, presidente do Tottenham (Foto: Julian Finney/Getty Images)

Era para ser uma das melhores semanas de Daniel Levy desde que ele assumiu o controle do Tottenham, em 2001, quando Alan Sugar vendeu suas ações para o grupo ENIC, do qual é sócio ao lado de Joe Lewis. O presidente mais longevo da Premier League havia conseguido colocar o clube na elite do futebol europeu, com a contratação de Mauricio Pochettino, participações consecutivas na Champions League, com uma final, e um novo estádio ultramoderno. A entrada na Superliga serviria para cimentar esse status, um legado que permaneceria após a sua saída. O Tottenham também está na categoria de clubes que precisava aceitar o convite para não ficar para trás, mas havia pouca chance de Levy recusar a oportunidade de sacramentar tudo pelo que trabalhou nos últimos 20 anos, por mais imoral que fosse. Seria o legado que perduraria além da sua saída, seja lá quando isso for.

Esperava comemorar a inscrição com o título da Copa da Liga Inglesa no próximo domingo, a única competição que conseguiu vencer em duas décadas. Ao contrário, teve que demitir José Mourinho, contratação muito pessoal para substituir Pochettino, o treinador famoso que ele sempre quis à frente dos Spurs, na segunda-feira, dias antes da decisão. Os resultados estavam ruins, o clima no vestiário era péssimo. Na terça, houve protestos de alguns poucos torcedores do Tottenham à frente do estádio que construiu, vazio há mais de um ano por causa da pandemia, pedindo a sua saída. Ele se viu obrigado a recuar ao lado dos outros cinco ingleses, e pelo menos foi o único que colocou o seu nome na nota oficial, lamentando “o nervosismo e a irritação” que a proposta causou. Agora, em seu pior momento junto aos torcedores desde que tentou levar o Tottenham para o Estádio Olímpico no leste de Londres, dez anos atrás, com a mesa em que tanto quis sentar destruída, diante de chances pequenas de jogar a Champions League na próxima temporada, terá que enfrentar o melhor time do país com um interino no banco de reservas. No fim das contas, foi uma das piores semanas de Daniel Levy desde que ele assumiu o controle do Tottenham.

Daniel Levy não consta na lista da Forbes, mas seu sócio, Joe Lewis, com quem detém 85% das ações do Tottenham, tem fortuna avaliada em US$ 4,9 bilhões e é a 574ª pessoa mais rica do mundo.  

Miguel Ángel Gil Marín (Atlético de Madrid)

Miguel Ángel Gil Marín, CEO do Atlético de Madrid (Foto: Jorge Nunez/Imago/One Football)

Miguel Ángel Gil Marín, sócio majoritário e CEO do Atlético de Madrid, está envolvido nas operações colchoneras desde 1993, quando seu pai ainda era o presidente e principal acionista. Assumiu de vez o controle, ao lado de Enrique Cerezo, em 2003. Parece que o Atlético foi um daqueles clubes que teve medo de ficar para trás caso não topasse participar da Superliga. O Marca trouxe a informação de que semana passada Florentino Pérez lhe deu um ultimato: se o clube dele não fosse o terceiro representante espanhol na Superliga, seria o Sevilla. A carta aberta que escreveu aos 130.000 sócios do clube segue uma linha similar. Em quase três décadas, Gil Marín passou pelos altos das dos anos noventa e pelos baixos do rebaixamento no começo do século. Conseguiu estabilizar o clube na última década como a terceira força da Espanha. Classificou-se pela nona vez seguida para a Champions League. Quando foi chamado para sentar definitivamente na mesa dos adultos, não soube recusar. Se a Superliga desse certo, estaria garantido entre a elite do futebol europeu, o que nem sempre foi uma certeza para o Atleti.

Mas Gil Marín também afirmou que o plano que lhe foi apresentado era um pouco diferente. Segundo ele, o convite era para que o Atlético de Madrid integrasse uma organização que “tinha como um dos objetivos principais dialogar e negociar com a Uefa a busca de novos formatos que fomentasse a gestão equilibrada dos direitos esportivos e econômicos, incluindo critérios de solidariedade com todo a família do futebol”, indicando, honestamente ou não, que não esperava um racha daquele tamanho. “Certamente nós nos unimos a clubes maiores que o nosso e com filosofias diferentes, mas não podíamos não estar neste grupo de equipes que são as principais geradoras de conteúdo do mundo do futebol. No entanto, as condições e circunstâncias em que nossa integração ao grupo aconteceria não foram cumpridas e, por isso, decidimos não consolidar nossa adesão ao projeto”, afirmou.

Que tenha feito sua fortuna criando gado é apenas uma ironia bem-vinda.

Em 2019, tanto Gil Marín quanto Cerezo, empresário da indústria cinematográfica, apareceram entre as 200 pessoas mais ricas da Espanha na lista da revista Forbes, com patrimônios na casa dos € 230 milhões.

Ivan Gazidis (Milan)

Ivan Gazidis (esq.) e Paolo Maldini dirigentes do Milan (Claudio Villa/Getty Images for Lega Serie A/OneFootball)

Por um lado, essa história teria potencial de ser mais engraçada se Silvio Berlusconi ainda fosse dono do Milan. Por outro, a ameaça seria muito mais perigosa com um crápula desse calibre muito provavelmente entre os líderes da Superliga. Mas Berlusconi vendeu a sua participação no clube rossonero ao chinês Li Yonghong que, em pouco mais de um ano, deu calote nos boletos dos empréstimos com juros altos que havia contraído com o fundo de investimentos Elliott Management, do empresário Paul Singer. O Financial Times avaliou que o Elliott preferiu tentar aumentar o valor do Milan a vendê-lo imediatamente (o famoso flipping), porque não precisa ser o hedge fund mais temido do mundo, como o jornal o descreve, para saber que o heptacampeão europeu era um ativo que não estava atingindo seu potencial. Sempre ficou implícito – às vezes explícito – que, assim que esse processo avançasse o suficiente, o Milan seria repassado a um dono de verdade, digamos assim. O Elliott havia praticamente nenhuma presença no futebol antes dessa operação. A questão é quanto tempo ela vai demorar.

Houve reformas estruturais, o projeto do novo San Siro em parceria com a Internazionale, as contratações de Ivan Gazidis, Paolo Maldini, Zvonimir Boban (demitido este ano) para a cúpula do futebol e uma mudança de direção nos investimentos para jovens com potencial que possam ser revendidos. O passo mais importante, tanto do ponto de vista financeiro quanto esportivo, é disputar a Champions League. Nesta temporada, há uma chance de isso acontecer pela primeira vez desde 2013/14, mas, se der para garantir uma vaga vitalícia por meio de uma canetada no torneio que pretendia tomar o lugar da Champions como o maior do mundo, sendo leigo em economia, parece melhor para o plano de negócios.

Um fundo de investimentos tem teoricamente mais dificuldades para entender tradições e sentimentos de torcedores do que um empresário. São donos até mais distantes do que a média, embora o filho de Paul Singer, Gordon, seja um pouco mais ligado ao dia a dia e se especula que virará um dos diretores em breve. De qualquer maneira, o rosto do Milan em toda essa história foi o CEO, Ivan Gazidis, esse sim com histórico na administração do futebol, após dez anos no comando do Arsenal. Foi dele a missão de explicar a Superliga aos patrocinadores com uma carta apaixonada: “Estamos confiantes que a nova competição com 20 times capturará a imaginação de bilhões de torcedores de futebol ao redor do mundo e representará o começo de um empolgante novo capítulo no jogo de futebol”. Maldini disse que todas as maquinações para explodir o futebol europeu foram feitas acima do seu cargo de diretor-técnico, o que deixou Gazidis em uma situação delicada. O Corrierre dello Sport diz que ele corre o risco de perder o emprego, pelo seu envolvimento “excessivo” com o projeto. Fundos de investimentos também não costumam hesitar muito em demitir quem se tornou um problema.

Paul Singer tem fortuna avaliada em US$ 4,3 bilhões e é a 665ª pessoa mais rica do mundo, segundo a revista Forbes.  

Steven Zhang (Internazionale)

Zhang Jindong (frente), dono da Inter, e Steven Zhang, filho e presidente do clube (Emilio Andreoli/Getty Images )

Um dos argumentos de Florentino Pérez para defender a Superliga é que apenas confrontos constantes – e talvez mais curtos do que 90 minutos – entre os principais clubes da Europa impedirão os jovens de trocar o futebol pelo YouTube. Ele talvez tenha ouvido essa reclamação direto da boca de Steven Zhang, que, aos 27 anos, tornou-se presidente da Internazionale quando o seu pai, Jindong Zhang, dono da empresa de varejo chinesa Suning, completou a aquisição de 100% das ações do clube. Hoje, Steven Zhang está mais maduro, tem quase 30 anos, e segundo o CEO da Inter, Beppe Marotta, todas as discussões em torno da Superliga ocorreram da sala da presidência para cima. Embora não tenha sido envolvido, Marotta vê méritos na proposta porque acredita que o futebol como um todo está prestes a dar calote, com 60% a 70% das suas receitas comprometidas com salários e em meio a dificuldades para arrecadar dinheiro por causa da pandemia. O clube foi comprado das mãos de Erick Thohir no momento em que a China colocava bastante dinheiro no futebol. O cenário agora é outro, com o governo restringindo investimentos no exterior, e a saúde financeira da Inter não é das melhores. O grupo Suning tem procurado investidores porque a LionRock Capital, que se tornou acionista minoritária em 2019, deve sair. Está aberto a propostas para vender pelo menos uma parte dos seus papéis, e o dinheiro prometido pela Superliga seria muito bem-vindo para valorizá-los. Ou para Steven Zhang poder manter o brinquedo que ganhou do pai sem se preocupar tanto com as contas.

Zhang Jindong tem fortuna avaliada em US$ 7,2 bilhões e é a 339ª pessoa mais rica do mundo, segundo a revista Forbes.

Roman Abramovich (Chelsea)

Roman Abramovich, dono do Chelsea (BEN STANSALL/AFP via Getty Images/OneFootball)

Por um certo ponto de vista, tudo começou com Roman Abramovich. O oligarca russo aproveitou a dissolução da União Soviética para ficar bilionário e comprou o Chelsea em 2003. Embora a Premier League já contasse com exemplos de donos elevando clubes com fortunas pessoais, ninguém ainda o havia feito com tanta agressividade – e, além disso, Abramovich era estrangeiro. Ao mesmo tempo em que Florentino Pérez inflacionava o mercado com o projeto dos Galácticos, Abramovich o fazia na Inglaterra com investimentos muito altos para rapidamente formar um time campeão. Teve tanto sucesso em campo que se transformou em uma ameaça. Clubes com outros modelos precisaram procurar maneiras de aumentar as receitas para acompanhar os aumentos dos preços e competir com os gastos de Abramovich e futuros novos donos que tentaram seguir o seu roteiro, com menos ou mais sucesso. Essa dinâmica nunca parou e, para ser justo, não é tudo culpa de Abramovich, embora ele tenha dado uma contribuição decisiva para todo o processo. Por isso, é ao mesmo tempo irônico e compreensível que tenha ficado tão distante do epicentro da Superliga e que seu clube tenha sido o primeiro a pular fora.

Talvez em outro momento Abramovich adotasse uma postura diferente. Ele sempre colocou a sua opinião pessoal à frente de qualquer outra coisa, o que fica evidenciado pela quantidade de treinadores que demitiu – inclusive o maior da história do clube duas vezes. Mas desde 2018, quando não conseguiu renovar seu visto britânico, repercussão diplomática do envenenamento do agente-duplo russo Sergei Skripal, em Salisbury, fixou residência em Israel. Não tem frequentado o Stamford Bridge e os únicos jogos do Chelsea que viu in loco foram em outros países, como a final da Liga Europa, no Azerbaijão, ou um jogo da Champions League contra o Krasnodar, na sua Rússia. As maquinações da Superliga aconteceram no momento em que mais estava afastado do futebol, tanto que, desde os primeiros dias, o Chelsea deixou transparecer aos jornalistas que era o integrante menos convicto. Aceitou porque não queria ficar para trás em uma competição esvaziada como seria a Champions League sem aqueles outros 11 clubes.

E, realmente, a convicção do Chelsea era tão frágil que foi a primeira a ceder. Os protestos nos arredores de Stamford Bridge foram importantes, mas Abramovich já havia começado a reavaliar sua posição ao observar a reação negativa unânime do mundo do futebol contra a Superliga. Ele vinha tentando reabilitar a imagem do Chelsea com um trabalho forte junto à comunidade durante a pandemia e com ações importantes contra discriminações. Temeu que a aventura prejudicasse esses esforços, e o Chelsea foi o primeiro a informar jornalistas que estava se preparando para pular fora. E essa é a parte compreensível. Abramovich sempre faz o que quer e não tem compromisso com nada além dos seus próprios interesses. Quando a Superliga pareceu servi-los, topou. Quando ela pareceu contrariá-los, pulou fora. Afinal, por mais que tenha trabalhado para que o Chelsea hoje em dia seja um dos clubes mais ricos do mundo produzindo suas próprias receitas, ele entrou no futebol mais com o objetivo de gastar dinheiro do que de ganhá-lo.

Roman Abramovich tem fortuna avaliada em US$ 14,5 bilhões e é a 142ª pessoa mais rica do mundo segundo a revista Forbes.  

Mansour bin Zayed Al Nahyan (Manchester City)

Xeique Mansour ao lado de um torcedor pedindo a permanência de Roberto Mancini (Foto: Imago/One Football)

Primeiro precisamos entender por que um país rico como os Emirados Árabes Unidos compra um clube de futebol. Não é por dinheiro. Desde que Mansour Bin Zayed Al Nahyan assumiu o Manchester City, tem conduzido um processo que pode ser descrito como “Roman Abramovich bombado”. As famílias que controlam reservas vultuosas de petróleo querem mais acesso a centros de poder ocidentais, querem legitimar seus governos autoritários e querem fama. Não adianta ser rico se ninguém sabe quem você é. O futebol é um fascinante instrumento para esses fins. Se no meio do caminho der para fazer alguns trocados, ótimo, desde que não interfira com as prioridades. Tanto que o City, assim como o Chelsea, chegou tarde para a festa. O CEO Ferran Sorriano, segundo o The Athletic, aceitou o convite na sexta-feira quando ficou claro que os outros clubes seguiriam em frente sem o City. E, também como o Chelsea, foi um dos primeiros a pular fora assim que a Superliga se tornou um estorvo.

Os relatos indicam que o City deu bastante peso à opinião de seus jogadores, que gostam da Champions League e estavam com medo das ameaças de que não poderiam defender suas seleções se disputassem a Superliga. Pep Guardiola criticou a ideia abertamente e de maneira contundente. Foi até uma surpresa quando o Twitter do clube destacou uma de suas falas, retuitada por alguns dos atletas. Mas não podemos subestimar as relações externas. Esse episódio evidenciou talvez a única limitação dos Clubes-Estados: eles também são Estados. Os donos norte-americanos de Liverpool, United e Arsenal podem mostrar o dedo do meio para toda a estrutura do futebol europeu sem envolver os Estados Unidos em um incidente diplomático. O xeique Mansour não pode. Além de dono do City Group, ele é vice-primeiro ministro dos Emirados Árabes. O The Times publicou que Boris Jonhson enviou uma mensagem por meio de um enviado ao Oriente Médio alertando que a participação do City na Superliga prejudicaria os laços entre o país do Golfo e o Reino Unido, um dos governos europeus que imediatamente se opôs à Superliga. Mesmo do ponto de vista financeiro, o que vale mais a pena: um novo campeonatinho de futebol ou ter boas relações com o Reino Unido? Os interesses dos Emirados Árabes e do Manchester City se misturaram e, mesmo que estivesse convicto que a novidade seria importante para o seu clube, o que não é certo que esteve, Mansour sabia o que priorizar.

O City foi o primeiro a oficializar a sua saída, o que causou uma situação insólita. As relações com a Uefa sempre foram péssimas. Em fevereiro do ano passado, o clube foi excluído das competições europeias por dois anos, por violações do Fair Play Financeiro (maquiar investimentos como patrocínios), decisão posteriormente revertida na Corte Arbitral do Esporte por uma tecnicalidade. Nos e-mails do Football Leaks, vazados pela revista alemã Der Spiegel, o City chegou a comemorar a morte de um dos membros da Câmara Investigatória da entidade e a dizer que preferia “gastar € 30 milhões nos 50 melhores advogados do mundo para processar a Uefa durante 10 anos” a seguir as regras. Mas assim que desistiu da Superliga, recebeu um grande abraço de Ceferin: “É preciso coragem para admitir um erro e nunca duvidei que eles tivessem a habilidade e o bom senso de tomar essa decisão. O City é um ativo de verdade do esporte e estou feliz por poder trabalhar com eles por um futuro melhor para o futebol europeu”. Ceferin foi estratégico em seus elogios para incentivar outros clubes a fazerem o mesmo, mas como o mundo gira não é mesmo? A porta foi aberta para que o City termine com uma relação mais próxima com a Uefa do que tinha antes de toda essa história.

O xeique Mansour não aparece na lista da Forbes, mas a família real da qual faz parte é dona da sétima maior reserva de petróleo do mundo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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