Champions League

Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, faz força para tornar Superliga uma realidade

Imagine um torneio com os maiores clubes europeus, mas em vez de um torneio em fase de grupos e depois eliminatórios, em formato de liga, com turno e returno, acesso e descenso. Seria a reunião de clubes das cinco maiores ligas do futebol europeu, Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e França, além de alguns outros clubes de outras ligas, combinados em uma liga que duraria a temporada toda. A ideia soa como um fim de semana de Playstation 4 com os amigos, mas são planos reais de um ambicioso presidente: Florentino Pérez, do Real Madrid.

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O New York Times apurou que Florentino Pérez discutiu com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, sua visão do futebol de clubes, com essa ideia de uma superliga europeia de camisas pesadas. Infantino é alguém que parece brilhar os olhos quando ouve algo assim. É dele a ideia de reformulação do Mundial de Clubes, que a partir de 2021 substitui no calendário a Copa das Confederações. O torneio terá 24 clubes, com muitos europeus – estão previstos oito, pelo menos, além de outros oito sul-americanos. É possível que sejam mais.

O desenho do torneio descrito no parágrafo anterior é a Superliga, um nome que não é oficial, mas é como tem sido chamada a ideia da reunião dos clubes mais ricos da Europa em uma só liga. A ideia é altamente restritiva: seriam duas divisões com 20 times em casa, com acesso e rebaixamento apenas entre elas. Isso significa que seria um clube fechado de 40 potências europeias.

O torneio significaria muito prestígio e muito dinheiro. A expectativa de quem traça o plano, especialmente Florentino Pérez, é que alguns clubes dobrem o seu faturamento atual. Este deve ser um grande incentivo para os donos de clubes. A longo prazo, porém, essa ideia pode ser um tiro no pé.

Uma Superliga causaria quedas brutais de receita nas ligas, porque o interesse em transmissão e do próprio público – e patrocinadores, por consequência, seria muito reduzido. Não por acaso, as ligas estão frontalmente contra. La Liga, da Espanha, e Premier League, da Inglaterra, são algumas das ligas que são contrários à ideia. Claro, porque se para o Liverpool isso pode significar um imenso aumento de receitas, para o Watford e todos os clubes de divisões inferiores.

“Eu li sobre esse plano insano. Se as matérias são críveis, vem de um único presidente de clube, não um dono, e um solitário administrador do futebol. Seria difícil pensar em um esquema egocêntrico e egoísta”, criticou o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin. A Uefa seria uma das grandes prejudicadas, porque uma Superliga tornaria a Champions League inócua. “Isso iria claramente arruinar ao redor do mundo: para os jogadores, para os torcedores e todos conectados com o jogo. Tudo para o benefício de um pequeno número de pessoas”.

Ceferin e Infantino são dois dirigentes que não falam a mesma língua em termos de planos para o futebol. A Fifa, que tem seu grande faturamento com seleções, quer participar mais do futebol de clubes e o Mundial de Infantino é a primeira ideia sobre isso. A ideia de uma Superliga de clubes poderia ter participação da Fifa? Por enquanto, ainda é cedo para dizer. O que é possível dizer que é Pérez e Infantino trataram do assunto em reunião em Zurique. Pérez assumiu o comando da Associação Mundial de Clubes. Ter o Real Madrid como presidente tem um certo significado.

A Fifa tem várias ideias que vão ao encontro da Superliga europeia, mas para outros lugares. Infantino tem a ideia de criar uma liga Pan-Africana, reunindo ligas do continente para atrair investidores e tornar os clubes mais fortes – e mais ricos -, o que os tornaria capazes de manter seus jogadores mais tempo, segurando o assédio de clubes europeus. O presidente da Fifa tem feito o mesmo na Ásia, conversando com dirigentes para a criação de ligas regionais, ou sub-regionais.

“Uma das funções do presidente da Fifa é ouvir as perspectivas das partes interessadas sobre tópicos relevantes do futebol”, afirmou a Fifa, em um comunicado, ao responder ao questionamento do New York Times sobre a reunião de Infantino e Pérez. “A Fifa acredita que um diálogo aberto e construtivo entre diferentes membros da comunidade do futebol é essencial para encontrar um equilíbrio certo e as melhores soluções para o futuro do jogo”.

“A Fifa, incluindo o seu presidente, encontrou com clubes de futebol ao redor do mundo para discutir como fazer do Mundial de Clubes um sucesso estrondoso, em particular, de uma perspectiva esportiva”, continuou a Fifa. “A missão estatutária da Fifa é desenvolver o futebol em um nível mundial. Isso envolve formular planos e conceitos de competições para levar o futebol a todos os lugares”.

“Nós queremos que os clubes europeus cresçam mais, porque é bom para o mundo do futebol, mas ao mesmo tempo nós queremos ver os clubes de fora da Europa crescerem também, assim um dia eles possam competir com os clubes europeus”.

Certamente a Superliga não ajudará nisso a curto prazo. E a longo prazo, prejudicará o próprio futebol europeu como um todo.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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