Champions League

Real Madrid x Manchester City: o que a ida de 2023 pode antecipar do jogo?

Em maio de 2023, Real e City empataram por 1 a 1 em jogo que pode antecipar coisas que veremos nesta terça-feira

Definitivamente, o confronto que marcou as duas edições anteriores da Champions League foram os dois Real Madrid x Manchester City, ambos por semifinais, cada um avançando uma vez e terminando como campeões. Eles voltarão a se encontrar nesta terça-feira (9), às 16h (horário de Brasília), agora pelas quartas de final, primeiro no Estádio Santiago Bernabéu, como aconteceu em maio do ano passado. Pela proximidade e os mesmos locais do que a eliminatória, a Trivela analisou o que aconteceu naquele 1 a 1 na ida da semifinal de 2022/23 e trouxe algumas histórias daquele jogo que podem se repetir hoje.

Primeiro, é importante contextualizar as diferenças nos dois times, especialmente do lado espanhol, levando em conta as prováveis escalações. O time de Carlo Ancelotti não atua mais naquele 4-3-3 que marcou época e, por conta da saída de Karim Benzema, a equipe agora joga em um 4-4-2 com Vinicius Júnior e Rodrygo como dupla de ataque, apesar do camisa 7 ter mais liberdade para jogar pela esquerda, enquanto o “Rayo” é mais fixo por dentro. Além do centroavante, a escalação terá de distinto as ausências dos titulares Thibaut Courtois e David Alaba, ambos fora pelo restante da temporada, substituídos por Andriy Lunin e Nacho Fernández. No meio-campo, Luka Modrić perdeu a vaga para Jude Bellingham, contratado para esta temporada por mais de 100 milhões de euros. Contando com a entrada de Ferland Mendy no lugar Eduardo Camavinga, naquele dia improvisado na lateral, são cinco peças diferentes.

Do lado dos Citizens, apenas duas trocas: İlkay Gündoğan se transferiu ao Barcelona, enquanto Kyle Walker está lesionado e não jogará — a ausência do defensor inglês é um dos pontos a serem abordados à frente.

Real Madrid mortal como sempre e atenção em Vinicius Júnior

Para variar, naquele dia o City dominou as ações iniciais, sufocou o Real com a posse e se defendia com a bola. No entanto, quando encontrou espaço, os Merengues aceleravam e só buscavam o gol. Um erro de Rodri na saída quase permitiu um gol de Benzema em recuperação e passe de Vini. Ainda no primeiro tempo, o próprio camisa 7 foi quem marcou, após Eduardo Camavinga sair tabelando da defesa ao ataque antes de servir o colega. Na entrada da área, o brasileiro deu uma linda chapada no ângulo. Até então, era a única finalização dos espanhóis, perfeitamente colocada no alvo e reforçando como é um time mortal e vertical.

Esse cenário deve ser o mesmo que veremos hoje. O time de Pep Guardiola quase sempre é dono absoluto da bola e empurra seus adversários, independente do terreno. O Real de Ancelotti não vê problema nenhum em se ver menos com a posse, isso aconteceu até contra o RB Leipzig, nas oitavas de final, quando passou com certa dificuldade. A arte de puxar contra-ataques mostra a importância de Bellingham e, principalmente, Vini Júnior, que hoje não enfrentará seu melhor marcador na Europa, o ótimo Walker. O inglês é, de longe, quem melhor se saí no mano a mano com o brasileiro, além de, pela capacidade física impressionante, disputar de igual para igual na velocidade. Um abraço entre os dois ao término do empate em 2023 foi um exemplo de como se respeitam. Com Manuel Akanji ou Rico Lewis naquele setor, tudo pode ser mais fácil para Vinicius.

— O melhor jogador para controlar o Vinicius é o Walker, mas se machucou. Temos que encontrar uma solução — assumiu Guardiola na entrevista prévia ao confronto.

O abraço de respeito entre Vinicius e Walker em maio de 2023 (Foto: Icon Sport)

Embate entre Rüdiger e Haaland

Outro ponto legal da ida da eliminatória foi o jogo mental de Antonio Rüdiger em cima de Erling Haaland. O defensor se impôs fisicamente, venceu disputas no alto e no chão e foi a caça do adversário em marcação individual, além de muita provocação, como o alemão sabe fazer como poucos. O resultado foi o norueguês quase nulo no jogo, com apenas 21 toques na bola e apenas duas finalizações certas. Uma gíria brasileira para definir essa disputa seria que Rüdiger “entrou na mente” do centroavante.

Isso que o atacante do City vinha na melhor forma, derrubando recordes em todo campo que jogava. Trazendo para o contexto atual, Haaland segue com números ótimos — ainda que abaixo do que na temporada anterior —, mas tem perdido muitos gols e as possíveis provocações de Rüdiger podem pegar ainda mais no mental do norueguês. Como o zagueiro estava na coletiva prévia ao jogo, obviamente foi questionado e até provocou o rival, que “vive” de passes dos colegas, segundo o jogador do Real.

— Haaland é um dos mais fortes [centroavantes que enfrentou], sem dúvida, mas se tivesse de escolher um seria Kun Agüero. Mas isto não vai sobre ele. Haaland vive dos passes dos seus colegas de time. Temos que ficar atentos aos jogadores que controlam a partida. E o De Bruyne é quem dá bons passes para os atacantes. […] Fizemos um bom jogo no ano passado no Bernabéu, mas creio que todos fizemos um bom trabalho em manter Haaland no nosso raio. Controlamos a situação muito bem e ele não recebeu muitos passes.

City entendendo que levar um empate para Inglaterra não é uma má ideia

Claro, se dependesse de Guardiola, o City teria vencido a ida disputada em maio de 2023 ao invés do empate. Mas, em certos momentos do jogo, vimos o clube inglês calmo com a bola, sem nenhuma pressa ou alarmismo para atacar, especialmente a partir dos 21 do segundo tempo, quando Kevin de Bruyne empatou. De certa forma, dá para interpretar que eles entenderam que um empate no Bernabéu, onde falam que “90 minutos são muito longos”, seria ótimo, deixando aberta a decisão para Manchester. Deu certo: o time de Guardiola venceu por 4 a 0 antes de se sagrar campeão contra a Internazionale.

Não seria um absurdo vemos essa postura de mais calma e, caso o placar esteja igualado, os Citizens aceitarem deixar a decisão aberta para daqui a uma semana.

De toda forma, sabemos que quem avançar na que muitos chamam de “final antecipada” será franco favorito ao título da Champions League de 2023/24.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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