Como eliminação para o PSG no ano passado vira lição para o Arsenal na final da Champions League
Arteta e Luis Enrique fizeram duelo tático impressionante na semifinal da última edição e isso pode ser crucial para o resultado da atual decisão
Em duelo muito aguardado, Arsenal e Paris Saint-Germain se enfrentam neste sábado (30), às 13h30 no horário de Brasília, na Puskás Arena, na Hungria. O confronto marca o reencontro de ingleses e franceses depois de três jogos na última edição da Champions League.
A final do torneio nessa temporada pode ser um reflexo do que aconteceu em 2024/25. Na ocasião, o time de Mikel Arteta venceu o primeiro jogo, na fase de liga, por 2 a 0. Depois, na semifinal, foi Luis Enrique que saiu vencedor tanto na ida quanto na volta.
E a forma como o PSG eliminou o Arsenal pode ser um indício de como a final deste sábado se desenrolará.
PSG manipulou a defesa do Arsenal para chegar à final da última Champions League
Apesar da vitória na fase de liga, os duelos marcantes para o Arsenal na temporada passada foram os da semifinal. Tanto no Emirates Stadium quanto no Parc des Princes, o time de Luis Enrique conseguiu manipular a defesa dos Gunners — algo muito difícil, dado o histórico defensivo positivo.
A ideia central dos franceses na temporada passada, que os fez vencer quase tudo o que disputaram, era a de esvaziar o meio-campo para atacar a partir dele. Algo que foi revolucionário na ocasião.
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Contra o Arsenal, o que aconteceu foi um convite à pressão por parte do PSG. Com sua saída de três clássica, Nuno Mendes recuava perto dos zagueiros e criava vantagem contra o 4-4-2 defensivo dos Gunners. E isso gerava dúvida no lado de Bukayo Saka:
- Saka geralmente baixava na segunda linha de quatro para ajudar a proteger o lado do ataque de Kvicha Kvaratskhelia;
- Com Nuno Mendes gerando vantagem na primeira linha de construção, Saka precisaria decidir entre subir para combatê-lo ou dar espaço para a construção;
- Se subisse, abriria espaço para um passe a Kvaratskhelia, muito perigoso no um contra um.
A indecisão de Saka gerava cenários ruins para o time de Arteta.
Com espaço, Nuno Mendes poderia subir ou encontrar passes entrelinhas. Se não Saka, alguém da linha central subiria para combatê-lo, o que seria ainda pior, abrindo espaço na zona mais perigosa do campo.
E a construção do PSG ficou famosa por pender para o lado da bola. Quando Nuno Mendes tinha a posse, os volantes também se aproximavam, o que gerava dois principais cenários: opções de passe curto e, com seus opositores os acompanhando, abriria espaço no meio-campo.
Era nisso que o time de Luis Enrique focava: esvaziar o meio para que Ousmane Dembélé descesse de sua posição de centroavante para receber a bola livre e com espaço. Inicialmente ele foi perseguido por Gabriel Magalhães, mas por pouco tempo.
Isso porque perseguir o camisa 10 também é uma faca de dois gumes: muito habilidoso, o francês poderia se desvencilhar da marcação em uma zona livre e, se passasse de Magalhães, teria ainda mais espaço próximo ao gol, já que o zagueiro deixou sua posição. Por isso, o Arsenal manteve sua linha, mas deu espaço ao jogador mais perigoso do time adversário.
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— UEFA Champions League (@ChampionsLeague) May 6, 2026
Com Kvaratskhelia em um contra-um, era possível acioná-lo a partir de Nuno Mendes e, com um passe de primeira, o georgiano poderia encontrar Dembélé livre. E pior para os Gunners: em vantagem cinética, com Kvaratskhelia no clássico movimento de tocar e passar, ganhando as costas da defesa. Nem mesmo uma poderosa barreira londrina pôde pará-los.
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O que isso significa para a final da Champions League
Arteta mudou desde aquela eliminação dolorosa. Transformou o Arsenal em um time ainda mais duro. Que domina com a bola, mas sabe jogar sem ela e ferir de outras formas quando não consegue imprimir seu jogo — principalmente com bolas paradas.
O Manchester City conseguiu ter sucesso recente contra os Gunners atrapalhando sua construção, defendendo em um pouco usual 4-2-4 e fechando a progressão pelos corredores laterais. O PSG, por sua vez, é mais sufocante na pressão individual (que, claro, também pode ser manipulada pelo time de Arteta).
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Na atual temporada, o PSG manteve a ideia central na maior parte do tempo. Teve um desempenho menos dominante também por questões maiores, como lesões, mas cresceu na reta final da campanha.
Em uma final, nada é garantido. A equipe de Luis Enrique teve jogos muito parelhos no ano passado, como contra o Liverpool — em que marcou um gol justamente na dinâmica de esvaziar o meio. Tudo para, na final, dominar do início ao fim uma ótima Inter e golear por 5 a 0.
O Arsenal chega à final da Champions League como campeão inglês, de volta ao topo depois de 22 anos. E é um time que aprendeu a sofrer, e vencer sofrendo se necessário.