Como mudança do PSG fortalece domínio na França e almeja dinastia na Europa
Atual campeão europeu pode reconquistar a Champions League diante do Arsenal neste sábado
Pelo segundo ano consecutivo, o Paris Saint-Germain chega à final da Champions League. Contra o Arsenal neste sábado (30), na Puskas Arena, em Budapeste, na Hungria, os franceses irão em busca do bicampeonato europeu, em um momento em que também podem iniciar uma dinastia no Velho Continente. Ao menos conta com elementos para isso.
Desde o Real Madrid, entre 2016 e 2018, uma equipe não conquista a Champions League consecutivamente. Antes dos merengues, o Milan, em 1989 e 1990, havia sido o último clube a se sagrar bicampeão europeu. O PSG joga para ampliar seu feito no Velho Continente, além de selar o trabalho de Luís Enrique à frente do clube.
Desde que chegou à capital francesa, em 2023, o treinador se tornou o protagonista do PSG. As saídas de Neymar e Lionel Messi, logo em seu primeiro ano, permitiram que ele fosse capaz de mortificar o estilo de jogo à sua própria maneira. Na temporada seguinte, sem Kylian Mbappé, promoveu jovens à titularidade e consolidou Ousmane Dembélé, criticado na Espanha, no Bola de Ouro de 2025.
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Isso não explica, por si só, porque o PSG pode ser uma dinastia. Os fatores extracampo, entretanto, influenciam nas campanhas da equipe na Ligue 1 e na Champions League. Desde a chegada de Luís Enrique, o clube, presidido por Nasser Al-Khelaifi, mudou sua estratégia: deixou de gastar 222 milhões de euros em Neymar para investir 230 milhões de euros na base de seu time titular no único título europeu de sua história.
Khvicha Kvaratskhelia, João Neves, Désiré Doué e Willian Pacho chegaram no início da última temporada e dominaram o PSG. Nesta temporada, após a conquista da Champions League, manteve as contratações pontuais, com as chegadas de Lucas Chevalier e o ucraniano Ilya Zabarnyi, importantes para as campanhas do PSG.
Dinheiro gasto pelo PSG em contratações
- 2025/26: 111,2 milhões de euros
- 2024/25: 256 milhões de euros
- 2023/24: 454,5 milhões de euros
- 2022/23: 147 milhões de euros
- 2021/22: 91 milhões de euros
O PSG confiou em Luis Enrique para reconstruir a equipe. Também em função disso que, a partir de 2023/24, abriu os cofres para reformular o elenco, e permitiu a saída do trio de ataque Messi, Neymar e Mbappé. A tendência, com o sucesso nessas três temporadas, é que “pequenos ajustes” sejam feitos de agora em diante.
Rotação na Ligue 1 permite que PSG chegue com força máxima à Champions League
A força do elenco já fez com que o PSG tenha conseguido criar uma hegemonia na Ligue 1. Nesta temporada, ainda que tenha sido ameaçado pelo Lens, não correu riscos a partir do início do mata-mata da Champions League.
Pela oitava vez em nove anos — e com o pentacampeonato consecutivo — o PSG se sagrou campeão francês. Durante a temporada, Luís Enrique também preservou nomes importantes do time titular, como Dembélé e Marquinhos, para serem utilizados na Champions League.
Isso coloca a equipe em vantagem na final, por chegar com um elenco mais preservado. O Arsenal, em comparação, teve de utilizar seu time titular até a penúltima rodada, para assegurar a Premier League contra o Manchester City. O mesmo ocorreu em 2024/25, quando a Internazionale chegou à decisão com o PSG após ser derrotado pelo Napoli na última rodada da Serie A da Itália e amargar o vice-campeonato.
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Dembélé é o retrato dessa gestão de elenco. O atacante francês foi titular em dez das 12 partidas que disputou pela Champions League; na Ligue 1, esteve entre os 11 iniciais em apenas 11 das 24 partidas que esteve em campo. Com Marquinhos, idem: o capitão do PSG foi titular em 11 partidas da Ligue 1 e em 14 da Champions League.
Além de gerir o elenco desta forma, o PSG também conseguiu adiar partidas da Ligue 1 para se preservar para o mata-mata da Champions League. Isto ocorreu nas oitavas e quartas de final, diante de Chelsea e Liverpool, respectivamente.
— É muito positivo (o adiamento das partidas). Acho que é importante para a cidade de Paris e também para a França — afirmou Luís Enrique nesta temporada.
Isso não é inédito. Na última temporada, quando buscava o título inédito da Champions League, já havia recebido essa “vantagem” da Ligue 1. À época, o futebol francês também vivia um jejum de 32 anos sem um campeão europeu. O Olympique de Marseille, em 1993, havia sido o único campeão da Champions League de origem francesa até então.