As escolhas cruciais de Arteta que podem determinar sucesso ou fracasso na temporada do Arsenal
Na final da Champions League e liderando a Premier League, espanhol viveu período decisivo guiado por pressentimentos, ajustes rápidos e uma escalação que desbloqueou o melhor do time
Mikel Arteta tem um tablet cheio de escalações rabiscadas e trocadas. Se o Arsenal vencer a Premier League em 2026, na primeira vez em 22 anos que o clube chega a meados de maio na liderança, aquelas anotações vão contar uma história fascinante sobre como uma temporada foi salva em nove dias de maio.
Abril não foi bom: foram duas derrotas em três jogos na liga que deram a impressão de que o fôlego estava acabando. Mas algo mudou e o ponto de virada tem nome: Myles Lewis-Skelly no meio-campo e Riccardo Calafiori na lateral esquerda, pela primeira vez juntos de forma consistente.
Arteta e suas mudanças que podem salvar o Arsenal
A escalação apareceu na vitória por 3 a 0 sobre o Fulham no primeiro jogo de maio. E funcionou de um jeito que Arteta não esperava completamente:
“Se você visse meu iPad, a quantidade de escalações que fiz, mudei e mudei de novo… No fim, foi o meu instinto. Tive um pressentimento muito bom com o que vi há poucos dias contra o Fulham”, admitiu o técnico espanhol depois do jogo.
Não foi só o que aconteceu em campo que alimentou o pressentimento do treinador naquele dia. Pela primeira vez em muito tempo, a torcida no Emirates parecia estar desfrutando do futebol sem ser prisioneira da tensão que acompanha cada disputa de título.
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Lewis-Skelly e Calafiori continuaram juntos contra o Atlético de Madrid, na semifinal da Champions League, que selou a classificação do time para a final. E depois contra o West Ham, tornando-se apenas a segunda e terceira vez na temporada inteira que Arteta repetiu o mesmo time em competições diferentes.
O trio formado pelos dois com Leandro Trossard trouxe uma fluidez ao lado esquerdo que ainda não havia aparecido de forma consistente. A capacidade de Lewis-Skelly de receber enquanto gira e jogar para frente, as subidas audaciosas de Calafiori e a facilidade de Trossard em recuar para servir o lateral: tudo encaixou.
A dupla que perdeu a vaga (Zubimendi no meio-campo e Hincapié na lateral esquerda) tem momentos distintos. O espanhol iniciou muito bem sua trajetória no Arsenal, mas caiu de rendimento nos últimos meses. Já o equatoriano é uma das peças mais sólidas e confiáveis do elenco, mas contribuiu menos no campo ofensivo.
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Quando o instinto errou e Arteta corrigiu rápido
Mas o jogo contra o West Ham mostrou também o outro lado da tomada de decisão por intuição: às vezes ela falha. Quando Ben White saiu lesionado aos 26 minutos, Arteta optou por recuar Declan Rice para a lateral direita em vez de colocar Cristhian Mosquera. A lógica era evitar “travar” algo que havia funcionado, mas o efeito prático foi o oposto: o lado direito ficou vulnerável, o equilíbrio ofensivo foi comprometido e o Arsenal passou dificuldades.
O técnico reconheceu o erro rapidamente, e é aí que reside a diferença em relação a disputas de título anteriores. Na temporada em que brigou com o City pelo campeonato pela primeira vez, havia uma relutância em fazer mudanças em momentos cruciais. Desta vez, não. Rice voltou ao meio-campo, Mosquera entrou, e o Arsenal começou a encontrar o caminho.
O ajuste seguinte veio 22 minutos depois do segundo tempo, e foi decisivo. “A saída do Zubi foi difícil, mas eu realmente senti que precisávamos colocar dois meias ofensivos naquele momento para gerar problemas, e graças a Deus funcionou“, disse Arteta sobre a entrada de Martin Odegaard e Kai Havertz.
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Odegaard: pouco jogo, muito impacto
O camisa 8 entrou aos 67 minutos de um jogo que foi até os 102. Jogou 35% da partida e foi suficiente para decidir. A assistência para o gol da vitória foi a sexta dele na liga nesta temporada, número que divide com Trossard a liderança no Arsenal. Por média de 90 minutos, ele lidera o time em chances criadas, assistências esperadas e passes para o terço final. Uma temporada marcada por lesões e minutagem reduzida, mas com impacto desproporcional ao tempo em campo.
“Existe algo relacionado à sua intuição”, disse Arteta antes do jogo contra o West Ham, ao ser questionado sobre decisões em retas finais de campeonato.
“O que o jogo vai exigir, o estado dos jogadores, a forma como você imagina a partida. Você pode acertar ou errar, nunca se sabe. Mas se você faz o que sente, pelo menos tem a certeza de que fez a preparação.”
Com dois jogos restantes na liga e uma final de Champions League no horizonte, o Arsenal está mais perto da história do que esteve em décadas. E no centro de tudo está um técnico que aprendeu, depois de anos de hesitação, a confiar no que sente — e a corrigir o curso quando o pressentimento falha.