PSG x Arsenal: 3 tendências táticas da final da Champions League
Duelo de estratégias de Luis Enrique e Mikel Arteta promete ser atração à parte na decisão
PSG e Arsenal decidem a Champions League 2025/26 neste sábado (30), na Puskas Arena, em Budapeste, na Hungria, e, naturalmente, muitas pautas entram em foco para decifrar o que pode ser esta final. Uma delas é a parte tática, que é capaz de prever situações do jogo, além de pressupor tendências e duelos.
Neste contexto, a decisão da Liga dos Campeões reúne dois times muito disciplinados no aspecto tático e em alta no estado anímico, liderados por dois estrategistas reconhecidos. Enquanto Luis Enrique segue enriquecendo sua trajetória já carimbada por dois títulos de Champions, Mikel Arteta conheceu uma grande conquista há poucos dias, com o triunfo da Premier League. Portanto, o confronto entre os dois acaba por induzir tendências pensando em duelos e situações dentro do jogo.
Trios de ataque com propostas diferentes
Ao tratar de uma final de Champions League, é impossível não parar para analisar o setor com maior capacidade de decisão: o ataque. Apesar de utilizarem trios de ataque, as abordagens de Luis Enrique e Arteta são bastante diferentes.
O PSG trabalha tradicionalmente com um trio ofensivo de muita intensidade para exercer pressões na saída adversária, e velocidade para explorar ataques à profundidade e duelo de um contra um. Para a final, a tendência é que o tridente seja composto por Desire Doué, pela direita, Ousmane Dembélé, por dentro, e Khvicha Kvaratskhelia, na esquerda. Dois destros abertos nos flancos e o ambidestro transitando em espaços interiores, sem necessariamente ficar preso a última linha adversária.
A expectativa é que Doué, um ponta ao pé natural, dê amplitude pelo lado direito, enquanto que, na esquerda, Nuno Mendes e Kvaratskhelia devem alternar nesta dinâmica. No centro, Dembélé é justamente o oposto do que William Saliba e Gabriel Magalhães estão acostumados. Um atacante que não se prende à área, transita muito no entrelinhas e tira completamente a referência dos defensores adversários. Além disso, é quem coordena a pressão na saída de bola adversária, como fez muito bem na decisão da última Champions, contra a Inter de Milão.
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O Arsenal, independentemente das escolhas de Arteta, utiliza extremos de pé trocado no corredores e um atacante de estatura como referência. O que não cabe dúvida no ataque titular para a decisão é o lado direito do tridente, que terá Bukayo Saka como agente da amplitude e ameaça a partir de conduções próximas à área.
No flanco oposto, ainda paira a dúvida sobre Gabriel Martinelli e Leandro Trossard. Enquanto o brasileiro oferece um perfil mais intenso, tanto no aspecto defensivo, quanto em corridas ofensivas, o belga vem se destacando por ser uma companhia a mais para Eberechi Eze como um jogador mais criativo. Pelo momento, Arteta tende a favorecer a boa sequência de Trossard, mas Martinelli deve ser necessário no decorrer da partida.
Por fim, a escolha do camisa 9 também é uma incógnita. A tendência é que Kai Havertz seja a opção, oferecendo a um pouco do que Dembélé faz no PSG em fase ofensiva. O alemão trabalha com maior liberdade de movimentação do que Viktor Gyokeres, que se notabiliza por ser uma autêntica referência, mas entrega estatura e opção no jogo aéreo assim como o sueco. Da mesma origem do debate da canhota, tudo vai depender da abordagem pretendida pelo treinador dos Gunners.
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A compensação do forte lado esquerdo do PSG
Além da grande capacidade de pressão à posse do adversário e a imposição de seu meio-campo, a grande arma ofensiva do PSG se concentra no lado esquerdo de seu ataque. A dobradinha formada por Nuno Mendes e Kvaratskhelia já causou pesadelos em muitos clubes ao longo das últimas duas temporadas e segue sendo uma ótima fórmula de Luis Enrique para romper defesas adversárias.
Nuno e Kvara alternam posições, entre amplitude e meio-espaço, para estabelecerem conexões e chegarem a linha de fundo ou criarem situações de finalização, principalmente com o georgiano cortando pra dentro. Para elucidar a efetividade ofensiva da dupla, o português já marcou seis gols e distribuiu sete assistências na temporada atual. Kvaratskhelia, por sua vez, já balançou as redes 18 vezes e concedeu 10 passes pra tentos de seus companheiros.
Para tentar neutralizar a arma parisiense, Mikel Arteta deve manter a estrutura de uma linha de quatro mais coesa, mesmo em fase ofensiva. Cristhian Mosquera vem sendo utilizado como lateral-direito na reta final da temporada e, por subir pouco, será uma espécie de antídoto ao flanco esquerdo do PSG, contando, logicamente, com a recomposição de Saka.
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Duelo pela bola no meio-campo
Decisiva na grande maioria das decisões, a batalha pela posse e superioridade, tanto física quanto numérica, no meio-campo é vital para reunir mais chances de triunfar no futebol atual. Justamente assim, o PSG deu uma aula de ocupação de espaço, vitórias em duelos e em movimentos de aproximação na última final da Champions League, quando golearam a Inter de Milão por 5 a 0.
Por possuir um trio de meio-campistas muito técnicos e complementares, o time de Luis Enrique entrega robustez, intensidade e dinâmica com Vitinha, João Neves e Fabian Ruiz reunidos. Enquanto Vitinha dita o ritmo a partir da saída e é o motor da equipe, João se faz presente com movimentações para gerar linhas de passe e chegar até a área, e Fabian é quem temporiza e compensa a dupla portuguesa em questões de embates, como no jogo aéreo.
Para além do trio, há a adição de Zaire-Emery, que deve começar a decisão na lateral-direita. Enquanto, Doué fica responsável pela amplitude, o meio-campista de origem ocupa zonas interiores, exercendo um papel parecido com o que o próprio Arteta criou em diversas ocasiões para seus laterais no Arsenal.
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Para combater essa robustez, os Gunners contam com uma dupla de volantes que se desenvolveu muito no decorrer da temporada. Declan Rice é quem carrega o piano neste time, enquanto que Lewis-Skelly traz mais intensidade a partir de corridas progressivas. Em complemento aos dois, está Eze, o camisa 10 que entrega gols e participa ativamente da construção do Arsenal.
Assim como o PSG, o Arsenal possui agentes para incorporar o meio-campo e fazer frente à robustez parisiense. Como Mosquera e Riccardo Calafiori trabalham mais em base de jogada, ambos acabam por somar ao trio já mencionado. Além disso, voltando à discussão do centroavante que Arteta escolherá, o dilema entre Gyokeres e Havertz pode ter como aspecto decisivo a tentativa de ser superior ao Paris na disputa pela posse.
Se a intenção for apoiar os meias e formar linhas de passe mais consolidadas no setor, Havertz deve ser o escolhido. Por outro lado, pensando que o PSG dificulta muita a saída de bola e a construção de um jogo sustentado, Gyokeres seria uma arma caso Arteta entenda que as ligações diretas possam ser uma arma. Questões que só serão respondidas quando a bola rolar, às 13h (horário de Brasília), no próximo sábado (30).