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É campeão! Atlético de Madrid conta com garra sul-americana para conquistar seu 11º título de La Liga

Atlético de Madrid de Simeone saiu perdendo, mas virou contra o Valladolid com gols de Correa e Suárez e soltar o grito de campeão

Depois de uma temporada sofrida, com alguns altos e baixos, o Atlético de Madrid consegue terminar da melhor maneira. Com uma vitória de virada sobre o Valladolid por 2 a 1 fora de casa, o Atlético de Madrid se consagrou campeão espanhol. Sete anos depois da última taça, os Colchoneros conquistam mais uma vez a liga espanhola.

Foi o 11ª título de La Liga do Atlético de Madrid. Os sul-americanos tiveram um papel crucial nma campanha. A começar por Diego Simeone, o grande comandante. Depois, pela participação decisiva de Ángel Correa e Luis Suárez, autores dos gols que deram a vitória na última rodada e selaram o título. Do outro lado, o Valladolid lamentou, porque a derrota rebaixou o clube.

É o segundo título espanhol de Diego Simeone. Antes, conquistou La Liga também em 2013/14, também na última rodada, naquela vez em um confronto direto com o Barcelona. Os outros títulos foram conquistados em 1939/40, 1940/41, 1949/50, 1950/51, 1965/66, 1969/70, 1972/73, 1976/77, 1995/96 e, claro, 2013/14. Este 11º título marca o primeiro conquistado desde a inauguração do novo estádio, o Wanda Metropolitano, em em 2017.

Antes da festa, um jogo complicado

Para chegar ao título, porém, o time precisava superar um jogo que teria as dificuldades bastante típicas do Atlético de Madrid. Aos 17 minutos, o Valladolid acertou um contra-ataque depois de escanteio do Atlético, Óscar Plano recebeu nas costas da defesa, saindo de antes do meio-campo, e conseguiu dominar e tocar no canto: 1 a 0. O Atlético precisaria, mais uma vez, de uma virada para garantir o título, assim como aconteceu na rodada passada.

Pouco depois do Atlético tomar o gol, quem tomou foi o Real Madrid no outro jogo. O Villarreal 1 a 0 jogando em Madri e também complicou a vida dos merengues. O time de Zinedine Zidane também precisaria virar o jogo para ser campeão. Ou, ao menos, tentar o empate e torcer pela derrota dos rivais Colchoneros.

O nervosismo pareceu tomar conta do Atlético, mas o técnico Diego Simeone pedia incessantemente para seus jogadores tere Foi assim durante toda a temporada. Mesmo com derrotas duras que pareciam afastar o time do título, a mentalidade era mantida, tanto por Simeone quanto pelo capitão, Koke.

Luis Suárez criou uma grande chance ao receber a bola dentro da área e chutar colocado, bonito. Seria um golaço, mas a bola foi para fora. O Valladolid se defendia, porque não conseguia fazer mais nada além disso. Dominante, o Atlético tinha a bola e tentava amassar o adversário para arrancar o gol, fosse como fosse. O problema é que o time não conseguia superar a defesa com boa marcação do adversário. O placar do intervalo ainda colocava o Valladolid em vantagem.

Raça sul-americana

Ángel Correa comemora o seu gol (Imago / OneFootball)

Com 12 minutos do segundo tempo, Ángel Correa recebeu pelo meio, mas estava muito marcado. Sem problemas: ele driblou dois jogadores e, de bico, tocou para o fundo da rede do goleiro Josep Martínez: 1 a 1 no placar. Bastava um gol para o Atlético voltar a garantir o título. O time, claro, se animou.

Só que o Valladolid voltou a assustar. Aos 15 minutos, depois de um rebote após chute de longe, Shon Weissman deu um peixinho, mas mandou para fora. Uma fração de segundo que fez com que o torcedor do Atlético perdesse o fôlego.

Simeone mudou o time para tentar tornar mais ofensivo. Tirou o lateral Mario Hermoso e colocou em campo o brasileiro Renan Lodi, com mais características ofensivas. Também colocou João Félix no lugar do meio-campista Saúl Ñíguez. Teria uma formação muito mais ofensiva, com Ángel Correa de um lado, Yannick Carrasco de outro e dois atacantes, João Félix e Luis Suárez.

Em um erro da defesa do Valladolid, o Atlético não perdoou. Eram 21 minutos quando Sergi Guardiola errou em um passe para trás e deu nos pés de Luis Suárez. O uruguaio avançou sozinho, entrou na área e tocou rasteiro de pé esquerdo para colocar no fundo das redes: 2 a 1 para o Atlético. Foi o 21º gol do uruguaio em La Liga, mas certamente um dos mais importantes de toda a sua carreira. O gol deu não só a liderança no placar, mas também colocou o Atlético em uma posição inalcançável na disputa pelo título. Se o time vence, seria campeão. Os 20 minutos seguintes definiriam o campeão de La Liga e os torcedores colchoneros já viviam a expectativa.

Luis Suárez comemora o seu gol (Imago / OneFootball)

Os minutos pareciam horas e o Atlético foi se fechando na defesa, tentando manter o equilíbrio e não dar espaço ao Valladolid. Ainda era melhor em campo e buscava o gol que poderia, definitivamente, matar o jogo. Enquanto isso, o Real Madrid arrancou o empate diante do Villarreal já aos 42 minutos do segundo tempo com Karim Benzema. Era insuficiente. O time merengue precisava virar o jogo e ainda torcer pelo empate do Valladolid nos minutos finais. Já nos acréscimos, o Real Madrid virou o jogo. Restava só esperar por uma ajuda do Valladolid.

Nos minutos finais, Simeone gritava com os jogadores, incentivando, dando força e moral a eles. O Atlético de Madrid seguiu no ataque, tentando segurar a bola e deixar os minutos passarem. O grito já estava na garganta e quando o árbitro Jose Maria Sanchez Martinez apitou o fim da partida, os torcedores caíram no chão, de joelhos, para comemorar. A celebração foi imensa, como deve ser, como merece ser.

Um título mais do que especial para Luis Suárez. Aos 34 anos, ele já conquistou o título pelo Barcelona. Só que conquistar pelo Atlético de Madrid é ainda mais especial, porque não é constante, não é tão simples. É sempre bem mais complicado. E mais especial ainda porque ele foi dispensado do Barcelona, que não viu mais nele potencial para seguir no elenco. “O que mais doeu foi a sensação de ser chutado”, ele afirmou na época.

Simeone via nele um jogador ideal para o seu estilo. técnico, raçudo, capaz de decidir jogos. “Ninguém se livrará de mim. Eu decido quando terminei”, bradou o uruguaio. Sua boa fase o credenciou a mais e ele comentou sobre se recuperar depois do tratamento do Barcelona, algo que foi criticado inclusive por Messi. “Era uma questão de amor próprio”, disse o uruguaio.

Com os seus 21 gols, Suárez foi o grande nome de um time que consagra sempre o coletivo. Conquista o seu quinto título espanhol, mas este certamente tem um valor, um sabor e uma sensação muito diferente. E ele certamente terá muito para celebrar nesta noite, antes de voltar a pensar em futebol. Afinal, ainda tem Copa América no meio do ano.

Cerca de dois mil torcedores estavam do lado de fora para comemorar com o time. Em meio à pandemia, não havia as dezenas de milhares de pessoas que um momento sem pandemia permitiria. Os jogadores fizeram muita festa em campo, e com justiça. Contaram com um técnico sempre competente e um time que viveu todos os percalços de uma temporada complicada. Mesmo assim, superaram os momentos ruins e chegaram à última rodada dependendo só de si.

“Outra forma de entender a vida”, diz o cartaz divulgado pelo Atlético de Madrid para celebrar seu 11º título de La Liga (divulgação)

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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