‘Somos todos hipócritas’: Técnico da Noruega reforça polêmicas na Copa envolvendo EUA e Iraque
Stale Solbakken quebra o silêncio de muitas seleções sobre questões extracampo do Mundial
A Copa do Mundo de 2026 teve início na quinta-feira (11), com a vitória do México sobre a África do Sul, mas já convivia com debates que vão muito além das quatro linhas antes mesmo do apito inicial.
Nesta sexta-feira (12), o técnico da Noruega, Stale Solbakken, tornou-se uma das primeiras vozes do futebol internacional a questionar publicamente o contexto político em torno do torneio que está sendo disputado nos Estados Unidos, México e Canadá.
A crítica de Solbakken à Copa do Mundo nos Estados Unidos
Durante entrevista coletiva em Greensboro, na Carolina do Norte, o treinador norueguês classificou como “hipocrisia” a postura adotada por boa parte do futebol mundial diante de episódios recentes envolvendo a organização do torneio e as políticas de imigração nos Estados Unidos.
A declaração surgiu após Solbakken ser questionado sobre a situação do atacante Aymen Hussein, principal referência ofensiva da seleção do Iraque, que foi retido por cerca de sete horas em um aeroporto de Chicago durante a chegada da delegação iraquiana ao país.
O episódio gerou repercussão internacional e reacendeu discussões sobre os desafios logísticos e políticos que cercam o Mundial de 2026.
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“Estamos todos de acordo que é inútil, que muitas coisas poderiam ter sido feitas de outra forma, mas somos todos hipócritas”, afirmou Solbakken.
Apesar das críticas, o treinador reconheceu que a competição seguirá normalmente e que as seleções precisam focar no aspecto esportivo.
“Uma Copa do Mundo é organizada aqui e nós estamos aqui para jogar futebol.”
A fala do técnico norueguês ganhou destaque justamente porque poucas figuras ligadas às seleções participantes têm se manifestado publicamente sobre questões políticas envolvendo a Copa do Mundo.
Segundo relatos da imprensa local, Aymen Hussein foi submetido a uma longa retenção por agentes da alfândega e da polícia de fronteira dos Estados Unidos ao desembarcar em Chicago na última sexta-feira. O atacante integra a delegação iraquiana que disputa a competição e, ironicamente, enfrentará a própria Noruega na fase de grupos.
Embora as autoridades norte-americanas não tenham divulgado detalhes sobre o caso, o episódio alimentou preocupações que já existiam em torno do torneio. Nos últimos meses, dirigentes, federações e organizações ligadas ao futebol demonstraram preocupação com processos de visto, controles migratórios e possíveis dificuldades para delegações de determinados países.
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Técnico da Noruega foge do discurso padrão adotado por outras seleções
Historicamente, técnicos e jogadores costumam evitar comentários sobre temas políticos durante grandes competições internacionais. Por isso, a declaração de Solbakken chama atenção.
O treinador da Noruega, que assumiu a seleção em 2020, tem histórico de posicionamentos públicos sobre temas que envolvem futebol e sociedade. Desta vez, porém, seu comentário toca diretamente em uma questão sensível para a Fifa e para os organizadores do torneio.
Ao usar a palavra “hipocrisia”, Solbakken sugeriu que existe uma diferença entre as preocupações discutidas nos bastidores e aquilo que é efetivamente dito em público por dirigentes, treinadores e federações.
Mesmo sem aprofundar as críticas, o técnico deixou claro que considera legítimos os questionamentos sobre a realização do Mundial dentro do atual cenário político dos Estados Unidos.