Como Martinelli e Pedro podem inspirar Endrick na Seleção em briga por vaga na Copa do Mundo?
Emprestado ao Lyon pelo Real Madrid, centroavante tenta convencer Carlo Ancelotti que merece convocação para Mundial
A poucos meses da Copa do Mundo, a seleção brasileira faz seus últimos testes antes de embarcar rumo à América do Norte com o sonho do hexa. E quem deseja fazer parte da convocação final de Carlo Ancelotti é Endrick, que ainda não foi chamado pelo treinador italiano.
Ancelotti assumiu a Seleção em junho de 2025 e, em quatro listas, chamou 48 jogadores diferentes — e apenas seis deles não entraram em campo. Para os amistosos contra França e Croácia, em março, o técnico do Brasil vai definir quem serão seus homens de confiança para o Mundial.
Sem espaço no Real Madrid, o centroavante foi emprestado em janeiro ao Lyon para ter minutos. Em pouco tempo, Endrick já assumiu um papel de protagonista na equipe de Paulo Fonseca e voltou ao radar do italiano, que o incentivou a mudar de ares para cumprir o objetivo de disputar a Copa pela seleção brasileira.
Convocado pela última vez em março de 2025, o camisa 9 pode se inspirar nos casos de Gabriel Martinelli, do Arsenal, e Pedro, do Flamengo, para conquistar seu lugar na Seleção para o Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá.
Martinelli e Pedro conquistaram confiança de Tite às vésperas da Copa do Mundo de 2022
No ciclo para a Copa do Mundo no Catar, Tite chamou 84 jogadores — um número alto para integrar a lista de 26 nomes. Às vésperas do torneio, o Brasil tinha um excesso de opções para o ataque, porém, o técnico transmitiu sua confiança a Martinelli e Pedro.

Tanto o atacante dos Gunners, quanto o centroavante do Flamengo, não acumularam tantos chamados ao longo dos quatro anos que antecederam o último Mundial. Entretanto, a boa fase em seus respectivos clubes convenceu Tite a apostar na dupla.
Gabriel Martinelli fez parte da seleção brasileira de André Jardine que conquistou o ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021. O treinador principal já acompanhava o jovem atacante, que vinha em uma crescente na Inglaterra como titular e atraía o interesse da Itália, que tentou uma naturalização.
Martinelli pelo Arsenal em 2021/22
- 36 jogos;
- 6 gols;
- 6 assistências;
- 2333 minutos em campo — média de 64 por partida
Com a classificação para o Mundial garantida, Tite chamou o atacante pela primeira vez em março de 2022, para os jogos contra Chile e Bolívia, pelas Eliminatórias Sul-Americanas, quando entrou em campo saindo do banco de reservas. Já em junho, o brasileiro dos Gunners também disputou o amistoso contra o Japão como substituto.
O caso de Pedro não foi tão diferente assim. Em setembro de 2018, quando ainda defendia o Fluminense, o centroavante chegou a ser convocado pela Seleção, porém, acabou cortado devido uma grave lesão no joelho que necessitou cirurgia.

Após longos meses de recuperação e uma passagem frustrada pela Fiorentina, Pedro chegou ao Flamengo em 2020 e recuperou seu bom futebol. Em novembro daquele ano, estreou pelo Brasil em partida contra a Venezuela, pelas Eliminatórias para a Copa, com a bênção do técnico.
Entretanto, a falta de sequência no Rubro-Negro fez com que o centroavante não fosse mais chamado por Tite nos próximos anos. O dono da posição no Flamengo era Gabigol, que chegou a vestir a camisa da seleção brasileira durante seu auge.
Só que tudo mudou em 2022 com a chegada de Dorival Júnior. Pedro passou a ter espaço e foi um dos grandes responsáveis pelos títulos da Libertadores e da Copa do Brasil. A boa fase fez com que o centroavante fosse chamado pela Seleção para o amistoso contra a Tunísia, em setembro, quando fez um dos gols do 5 a 1.
Pedro pelo Flamengo em 2022
- 59 jogos;
- 29 gols;
- 8 assistências;
- 3300 minutos em campo — média de 56 por partida
Por que dupla foi surpresa na lista final do Brasil?

Mesmo com poucos jogos no ciclo da Copa do Mundo no Oriente Médio, Martinelli e Pedro integraram a lista em novembro. Em coletiva de anúncio dos convocados, o treinador da seleção brasileira foi perguntado porque o atacante do Arsenal ganhou a corrida em meio à forte concorrência.
— Função do Gabriel, de externo, ponta, agressivo, tem sido um dos destaques do Arsenal, líder da Premier League. Lance individual, transição em velocidade. Esteve em duas convocações, manteve o alto nível. Escolha de um atleta, dentro da característica, modelo de equipe, precisamos de agudos pelo lado — disse Tite.
Nos meses que antecederam a divulgação dos convocados para o Mundial de 2022, torcida e imprensa pressionaram o técnico para que o centroavante do Flamengo tivesse mais oportunidades na Seleção. Tite, por sua vez, destacou que o centroavante seria importante para o Brasil por suas características únicas.
— São características diferentes dos “noves” que a gente tem. Sempre tem um jogador de movimentação, outro de velocidade, um que ataca espaço, outro que vem ao meio-campo. Esse jogador como o Fred (ex-Fluminense), jogador mais de frente, da última bola, da conclusão, é o Pedro — disse o treinador.
Na Copa, Gabriel Martinelli e Pedro foram usados por Tite na campanha que terminou nas quartas de final. O atacante dos Gunners disputou três jogos, um como titular. Já o centroavante do Rubro-Negro entrou em campo duas vezes, ambas como reserva, e ainda converteu seu pênalti na eliminação para a Croácia.
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Endrick pode seguir mesmo caminho na Seleção de Ancelotti

Quando chegou aos Merengues em 2024/25, Endrick até brilhou sob o comando de Carlo Ancelotti, mas limitado ao papel de reserva devido à presença imponente de Kylian Mbappé. Já com Xabi Alonso na nova temporada, o atacante de 19 anos quase não teve minutos.
Em novembro do ano passado, o treinador italiano deu uma entrevista à “Placar” e compartilhou uma conversa que teve com o brasileiro. Ancelotti aconselhou Endrick a procurar uma alternativa para voltar a jogar e ser cotado na seleção brasileira, cuja última partida foi contra a Argentina, pelas Eliminatórias do Mundial.
— Endrick é muito jovem, não vai ser o seu último Mundial. Ele pode jogar o de 2026, porque tem qualidade. […] Creio que para ele é importante voltar a jogar e mostrar as suas qualidades — disse o técnico da Seleção.
O centroavante brasileiro seguiu a orientação do italiano e acertou um empréstimo com o OL até o fim de 2025/26. Com o comandante português, Endrick não só ganhou mais chances, como também tem mostrado repertório para atuar até como ponta-direita com capacidade de infiltração à grande área.
Endrick pelo Lyon
- 6 jogos
- 5 gols
- 2 assistências
- 490 minutos em campo — média de 81 por partida
Embora seja bastante jovem, o atacante já tem 14 partidas pela Seleção e três bolas na rede. E por mais que tenha desaparecido dos compromissos recentes do Brasil, Endrick pode usar os exemplos de Martinelli e Pedro para provar a Carlo Ancelotti que tem capacidade de fazer a diferença na Copa do Mundo de 2026 apesar da falta de testes.



