‘Estou aqui para isso’: Endrick relativiza ‘missão Copa do Mundo’ e explica nova função no Lyon
Com impacto imediato no clube francês, atacante brasileiro comenta adaptação fora da posição de origem
Recém-chegado ao Lyon, Endrick precisou de pouco tempo para causar impacto. Em apenas três partidas pelo clube francês, o atacante já soma quatro gols e uma assistência, números que ajudam a explicar por que seu nome rapidamente entrou no centro das atenções. Emprestado pelo Real Madrid até o fim da temporada, o brasileiro vive início intenso justamente em um momento decisivo da carreira.
A mudança para a França teve um motivo claro: jogar mais. Com a Copa do Mundo no horizonte, Endrick optou por deixar Madri em busca de minutos, ritmo e protagonismo, mesmo que isso significasse se adaptar a novas circunstâncias.
No Lyon, sob o comando de Paulo Fonseca, ele tem atuado com mais frequência aberto pelo lado direito do ataque — um papel diferente daquele que o consagrou como camisa 9. Foi diante desse contexto que surgiu a pergunta do jornal “L’Équipe”: essa mudança de posição pode se tornar um problema pensando na seleção brasileira?
Na resposta, Endrick tratou o tema com naturalidade, reforçou sua identificação como centroavante, mas deixou claro que a prioridade é estar em campo e contribuir. Para ele, a liberdade dada pelo treinador e a possibilidade de transitar entre funções fazem parte do processo — e não um obstáculo — neste início de trajetória no futebol francês.
— Todos os que conhecem futebol sabem que a minha posição não é na ala direita, é camisa nove. Mas é o que eu sempre digo, quero jogar e vou fazer tudo para jogar. Se me pedirem para jogar na ala direita, vou fazer para ajudar a minha equipe. Na direita, o Paulo (Fonseca) me dá liberdade. E no último jogo, marquei o primeiro gol numa posição de 9. O Paulo sabe que sou um número 9, mas precisava de mim na direita. Como disse, estou aqui para ajudar o Lyon, como ala direito ou como número 9 ou mesmo número 10.
Na sequência, o jovem atacante ampliou a explicação e fez questão de contextualizar que essa adaptação não é uma novidade em sua carreira. Endrick lembrou experiências anteriores e destacou que a liberdade para circular pelo campo, mesmo partindo de um lado, faz parte de suas características e do que ele entende como ideal para extrair o melhor do seu jogo.
— Já joguei nessa posição no Palmeiras, onde também tinha essa liberdade. Aqui, no fim das contas, é a mesma coisa. Sou um número 9 que gosta de participar um pouco mais do jogo. É claro que, quando vou para a direita, tenho a oportunidade de fazer coisas que não faço na posição de número 9, que é um pouco diferente. Mas gosto muito dessa liberdade de poder fazer movimentos pela direita, para que alguém fique por dentro. Gosto de me sentir livre em campo, mas é claro que com obrigações, defensivas e ofensivas.
Qual a missão de Endrick na França, e por que o Lyon?

A ida de Endrick para o Lyon faz parte de um planejamento calculado em um momento-chave da carreira. Aos 19 anos, o atacante aceitou o desafio de atuar no futebol francês por meio de um empréstimo de seis meses, válido até o fim da temporada europeia, mantendo contrato com o Real Madrid até 2030.
Sem cláusula de opção de compra, o acordo deixa claro que a saída não representa ruptura com o projeto do clube espanhol, mas sim uma etapa intermediária de amadurecimento esportivo. Com a concorrência elevada em Madri, Endrick entendeu que a falta de minutos poderia comprometer tanto seu desenvolvimento técnico quanto sua visibilidade internacional.
O Lyon surgiu como o cenário ideal para esse passo. Além de boa campanha na Ligue 1 e liderança na Liga Europa, o clube tem histórico consistente na formação e valorização de jovens — especialmente brasileiros — e conta com Paulo Fonseca, treinador visto como peça-chave pela capacidade de diálogo (é português) e pelo entendimento do perfil do jogador.
Questionado se a passagem pela França tem como missão principal a disputa da próxima Copa do Mundo, Endrick fez questão de relativizar o discurso e recolocar o foco no presente, destacando que o desempenho diário no clube é o único caminho possível para qualquer ambição maior.
— Vim aqui para ser feliz, para jogar futebol. É claro que esse é um sonho que tenho, isso não vai mudar. Se Deus quiser, disputarei a Copa, mas a minha missão é jogar bem aqui, porque se não jogares bem no teu clube, não podes aspirar à Seleção. A minha missão é dar o meu melhor pelo Lyon. E depois virão as consequências que isso acarreta, como poder ajudar o meu país a ganhar uma Copa do Mundo.
O tom adotado pelo atacante reforça uma postura pragmática e madura para a idade. Mais do que tratar a Copa como ponto de partida, Endrick deixa claro que enxerga o torneio como consequência natural de um trabalho bem feito no dia a dia — e que, antes de qualquer projeção com a Seleção, sua prioridade é se consolidar, evoluir e ser decisivo com a camisa do Lyon.



