Copa do Mundo
Tendência

Acabou o sonho: Croácia é resiliente, arranca empate na prorrogação e elimina o Brasil nos pênaltis

Mesmo melhor na maior parte do jogo e na prorrogação, Brasil não consegue segurar vantagem na prorrogação, sofre empate no final e perde nos pênaltis

Foi com o drama dos pênaltis e o Brasil está eliminado da Copa do Mundo. A Croácia, muito resiliente, viu o Brasil ser melhor na maior parte do jogo, incluindo na prorrogação, sofreu um golaço de Neymar, mas quando tudo parecia perdido, arrancou o gol de empate a quatro minutos do fim. Nos pênaltis, brilhou novamente o goleiro Dominik Livakovic e a Croácia venceu por 4 a 2. Pela segunda vez seguida, a Croácia vai à semifinal da Copa do Mundo. O Brasil, mais uma vez, para nas quartas de final da Copa do Mundo, como foi em 2018. A Croácia espera o vencedor de holanda x Argentina.

Escalações

A Croácia mudou o seu ataque para o jogo com o Brasil e deixou um time mais leve e mais móvel. Nem Bruno Petkovic, como no último jogo, nem Marko Livaja, como no jogo anterior, nem Nicola Vlasic, titular no começo da Copa: quem foi escolhido foi o meia Mario Pasalic, deslocado ao ataque, mantendo Andrej Kramaric e Ivan Perisic. O time também com a volta do lateral esquerdo Borna Sosa, que ficou fora do último jogo, substituído por Borna Barisic, que desta vez ficou no banco.

O Brasil repetiu a escalação do time da última partida pela primeira vez nesta Copa. Como Alex Sandro ainda não está em plenas condições, ficou no banco de reservas e Danilo continuou na lateral esquerda. Éder Militão continua na lateral direita. O ataque foi mantido com Lucas Paquetá e Neymar vindo do meio, Raphinha, Vinícius Júnior e Richarlison mais à frente.

Primeiro tempo: Croácia deixa Brasil desconfortável

Já nos primeiros minutos do jogo, ficou claro que a ideia era ter Danilo saindo da lateral esquerda para o meio, ao lado de Casemiro, funcionando como um volante quando o Brasil tinha a bola. Deixava o corredor esquerdo com Vinícius Júnior. Sem a bola, Danilo fechava como lateral esquerdo para bloquear os lados do campo. Militao, um zagueiro, naturalmente também descia pouco e ficava alinhado com os outros dois zagueiros, Marquinhos e Thiago Silva.

Mario Pasalic entrou mesmo como um atacante pelo lado direito, mas sem a bola, ele fechava mais como um meio-campista. Ivan Perisic, pelo lado esquerdo, sempre fazia a recomposição também. Só mesmo Kramaric ficava mais à frente, esperando para puxar contra-ataques.

A estratégia da Croácia funcionou no primeiro tempo. Os croatas exerceram uma pressão que deixou o Brasil desconfortável, enquanto os brasileiros fizeram uma pressão ineficiente, que a Croácia conseguia sair sem muitos problemas. O ataque brasileiro não pressionava muito na saída de bola, então os croatas conseguiam desenvolver o jogo com mais tranquilidade.

Com 12 minutos, a Croácia chegou pela primeira vez. O lateral Juranovic avançou pelo lado direito sem marcação, abriu para Pasalic, que cruzou para a área, à meia altura, e Perisic até conseguiu desviar de leve, mas sem colocar a direção do gol. A Croácia chegou de novo logo depois, aos 13, quando apertou a pressão na saída de bola, Militão errou, Perisic retomou e conseguiu um escanteio, que acabou não dando nada.

A pressão na saída de bola do Brasil funcionou: Casemiro recebeu e não percebeu que Modric estava perto para desarmá-lo e ficar com a bola até puxar para a direita e levantar na área, mas Militão afastou inicialmente e depois Danilo completou. Bons minutos da Croácia na partida.

O Brasil chegou com algum perigo aos 19, quando Vinícius Júnior recebeu pelo lado esquerdo, fez a jogada de ponta, partiu para cima, tabelou com Richarlison e finalizou na entrada da área, mas a bola bateu na zaga. Neymar pegou a sobra, foi para dentro da área e chutou colocado, mas fraco, e Livakovic defendeu sem problemas.

Enquanto a pressão da Croácia deixava o Brasil muito desconfortável no jogo, errando passes e sem conseguir ficar com a bola tanto tempo quanto está acostumado, a pressão da Seleção sobre a Croácia tinha problemas e os croatas.

O primeiro tempo terminou com a Croácia tendo sido melhor, ao menos estrategicamente. Conseguiu deixar o Brasil desconfortável, ainda que não tenha criado muitas chances de gol. Mesmo assim, chegou com mais perigo que o Brasil, que não conseguiu desenvolver seu jogo com tranquilidade.

Segundo tempo: Brasil volta melhor e pressiona

No começo do segundo tempo, o Brasil começou fazendo bem mais pressão e melhorou no jogo. Estava melhor na forma de fazer pressão, nas divididas, o time voltou mais ligado. A começar pelo lado direito, em uma jogada de Éder Militão que cruzou da linha de fundo, forte, e Gvardiol tocou contra, mas o goleiro Livakovic, atento, fez a defesa.

Depois, Casemiro lançou para Vinícius Júnior, que rolou para o meio, para Neymar, e ele girou e chutou, bloqueado por Gvardiol. A bola sobrou para Vinícius Júnior, que chutou e foi bloqueado, mas o lance foi parado por impedimento na jogada do Brasil.

Aos oito minutos, a Croácia chegou com perigo em contra-ataque que saiu de Kramaric, na direita, para Perisic, na esquerda. Ele tentou levantar na área, mas a bola passou por todo mundo.

Em uma jogada pelo meio, o Brasil chegou com muito perigo: Richarlison recebeu de costas, fez o giro como pivô e passou para Neyamr, que finalizou de esquerda e o goleiro Livakovic defendeu. Tite mudou o time logo depois, aos 10 minutos, ao sacar Raphinha, sem conseguir brilhar no jogo, e colocou Antony.

Logo no seu primeiro lance, Antoony fez um passe na ponta direita para Richarlison ir à linha de fundo e cruzar forte, mas a defesa croata tirou. O ritmo do jogo ficou mais lento. O Brasil deu dois passos atrás para trás em alguns momentos, assim como a Croácia.

Em uma bola de Neymar da ponta esquerda passada para o meio da área, o Brasil deu sorte, a bola sobrou para Paquetá na frente do goleiro e ele chutou, mas Livakovic defendeu e mandou para escanteio. Mais uma boa chance do Brasil.

Rodrygo fez uma grande jogada pelo meio, fez o passe para Richarlison, que acionou Neymar, mais uma vez no lado esquerdo da área. O camisa 10 chutou bloqueado pelo goleiro Livakovic, que mandou para escanteio.

Melhor em campo, o Brasil chegou de novo aos 34 minutos. Antony fez a jodada na direita, Casemirou ficou com a sobra na ponta direita, cruzou, Rodrygo dominou e ajeitou para Paquetá finalizar firme, mas para defesa do goleiro Livakovic.

Para tentar o gol usando um centroavante mais típico no fim do jogo, aos 38 minutos Tite colocou Pedro no lugar de Richarlison. O camisa 9 brasileiro estava bem no jogo, participando muito e, nos minutos anteriores a ser substituído, começou a recuar mais para compensar Neymar, que já parecia cansado e ficava no ataque.

Pedro entrou bem no jogo, bastante ativo, tocando bem de primeira as bolas que o Brasil recuperava, dando fluidez ao jogo. O Brasil era melhor em campo, mas batia na barreira defensiva da Croácia. No último lance do jogo, Antony puxou para dentro e finalizou fraco, para defesa fácil de Livakovic.

No segundo tempo da prorrogação, o Brasil já voltou com duas mudanças. Colocou Alex Sandro no lugar de Éder Militão, deslocando Danilo da lateral esquerda para a direita e também colocou Fred no lugar de Lucas Paquetá.  

Prorrogação: golaço de Neymar, empate da Croácia

Neymar comemora seu golaço contra a Croácia (Justin Setterfield/Getty Images)

No primeiro tempo da prorrogação, o Brasil começou o jogo forçando um escanteio, que Neymar cobrou do lado direito do ataque e Pedro desviou, mas não conseguiu colocar na direção do gol.

A Croácia cansou, depois de um excelente jogo taticamente contra o Brasil. Na prorrogação, só o Brasil conseguia atacar, estando mais inteiro fisicamente. Os croatas se seguravam e esperavam uma chance de contra-atacar. A Seleção ganhava as divididas e estaca claramente mais inteiro no lance.

Com a Croácia à frente da sua área, o Brasil tocava e tentava achar espaço. Aos 10 minutos, Thiago Silva cruzou para a entrada da área e Pedro tentou um voleio, mas errou e mandou fraco. Só que a Croácia chegou também: aos 12, Bruno Petkovic fez uma linda jogada, passando no meio de dois jogadores, e rolou para o meio. Brozovic chegou batendo, mas mandou muito longe.

Modric era o jogador que sempre voltava para buscar o jogo e tentava manter a Croácia no jogo. Desde o segundo tempo, ele precisava voltar bastante para tentar armar o jogo. Os croatas pareciam muito cansados.

No fim do primeiro tempo, o Brasil, enfim, abriu a porteira. Neymar recebeu de Marquinhos, tocou e recebeu de volta de Rodrygo, tocou par Paquetá, que devolveu para o camisa 10 ganhar a disputa de corpo com Borna Sosa, saiu na frente de Livakovic, driblou o goleiro e chutou no alto, para não dar chance de alguém tirar: 1 a 0 Brasil e um golaço de Neymar.

No segundo tempo da prorrogação, o Brasil mudou dois jogadores, com a entrada de Fred no lugar de Paquetá e Alex Sandro no lugar de Éder Militão. O Brasil agora tinha o relógio a seu favor e gastava o tempo no ataque.

Só que em um contra-ataque, aos 11 minutos da prorrogação, a Croácia empatou. O Brasil tentou fazer a pressão no ataque após perder a bola, errou e o contra-ataque foi fatal. Orsic recebeu pela esquerda, cruzou rasteiro e Bruno Petkovic bateu de primeira, a bola desviou de leve e entrou: 1 a 1 no placar. Festa da Croácia, que gerou até um cartão amarelo para Petkovic por tirar a camisa.

Em um dos últimos lances da prorrogação, Neymar cobrou falta na área, a bola sobrou na segunda trave e Casemiro encheu o pé, mas o goleiro Livakovic defendeu. Não daria tempo para mais nada. O jogo foi mesmo para os pênaltis.

Pênaltis

A Croácia já tinha se classificado nos pênaltis na fase anterior, contra o Japão. Mais do que isso: em 2018, venceu assim a Dinamarca e a Rússia para chegar à semifinal. Desta vez, o goleiro croata é Livakovic, que foi muito bem contra o Japão. O Brasil não decidia nos pênaltis desde 2014, quando venceu o Chile, nas oitavas de final. Pensando nos dois times, a Croácia ficou muito mais feliz com o resultado que o Brasil. Era hora de decidir quem avançaria à semifinal.

A Croácia foi quem começou batendo com Vlasic, que entrou durante o jogo. Ele bateu no alto e no meio e marcou 1 a 0.

Quem começou batendo pelo Brasil foi Rodrygo. O atacante do Real Madrid no canto esquerdo e Livakovic defendeu. Quarto pênalti que o goleiro defende em disputas de pênaltis, depois de defender três contra o Japão.

Lovro Majer foi o próximo. O camisa 7, canhoto, entrou durante a prorrogação. Foi outro a cobrar no meio do gol, desta vez a meia altura, e marcou: 2 a 0 para a Croácia.

Casemiro foi o cobrador seguinte. Experiente, o camisa 5 partiu para a bola e bateu firme, no canto, para marcar o primeiro do Brasil: 2 a 1.

O cobrador seguinte foi Luka Modric, craque, camisa 10 e capitão da Croácia. Ele tirou Alisson até da foto: 3 a 1 para a Croácia.

Pedro foi o cobrador seguinte do Brasil. O atacante do Flamengo teve calma e cobrou com categoria para marcar: 3 a 2. A Croácia seguia em vantagem.

Quem pegou a bola para bater o pênalti pela Croácia foi Orsic. Ele cobrou com uma precisão incrível: bola no cantinho, na rede lateral, e marcou: 4 a 2 para a Croácia.

Marquinhos foi o cobrador seguinte pelo Brasil e não podia errar. Ele cobrou na trave. O Brasil estava eliminado da Copa do Mundo.

FICHA TÉCNICA

Croácia 1×1 Brasil

Local: Estádio Education City, em Al Rayyan
Árbitro: Michael Oliver (Inglaterra)
Gols: Bruno Petkovic (Croácia), Neymar (Brasil)
Cartões amarelos: Marcelo Brozovic (Croácia), Danilo, Casemiro, Marquinhos (Brasil)
Cartões vermelhos:
nenhum

Croácia: Dominik Livakovic; Josip Juranovic, Dejan Lovren, Josko Gvardiol e Borna Sosa (Ante Budimir); Marcelo Brozovic, Mateo Kovacic (Lovro Majer) e Luka Modric; Mario Pasalic (Nikola Vlasic), Andrej Kramaric (Bruno Petkovic) e Ivan Perisic. Técnico: Zlatko Dalic

Brasil: Alisson; Éder Militão (Alex Sandro), Marquinhos, Thiago Silva e Danilo; Casemiro, Lucas Paquetá (Fred) e Neymar; Raphinha (Antony), Richarlison e Vinícius Júnior (Rodrygo). Técnico: Tite

https://www.youtube.com/watch?v=UB7Qsy-w_Fc
Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
Botão Voltar ao topo