‘Endrick deveria ter saído mais cedo do Real Madrid. Ele é muito jovem e precisa estar em campo’
Ex-artilheiro Merengue elogia início no Lyon e defende amadurecimento fora do clube espanhol
A rápida adaptação de Endrick ao Lyon reacendeu o debate sobre a condução de seus primeiros meses no Real Madrid. Emprestado pelo clube espanhol até o fim da temporada, o atacante brasileiro precisou de pouco tempo para mostrar impacto na França: em apenas quatro partidas, já soma quatro gols e uma assistência.
O bom início reforça a percepção de que a busca por minutos era inevitável — e, para Fernando Morientes, talvez essa decisão tenha vindo tarde demais. Afinal, foram meses no banco de reservas do Madrid e um período praticamente de inutilização com Xabi Alonso no comando.
Ex-atacante do Real Madrid e com passagens por clubes como Liverpool, Monaco, Valencia e Olympique de Marseille, Morientes analisou o cenário vivido por Endrick em Madri e foi direto ao apontar as dificuldades enfrentadas por jovens atacantes no elenco merengue.
— Conseguir oportunidades no Real Madrid não é fácil, especialmente com um jogador como o Mbappé à sua frente, que geralmente está em campo. Se eu fosse o treinador, gostaria que ele jogasse o máximo de minutos possível. As oportunidades para os outros são raras. Veja o Gonzalo, por exemplo. Ele teve que lutar para entrar no time como pôde e, mesmo assim, não tem vaga garantida como titular.
Segundo Morientes, Endrick acabou ficando preso a uma condição periférica dentro do elenco, distante do protagonismo necessário para seu estágio de formação.
— O Endrick parecia estar na mesma situação, como o terceiro elemento. Acho que sair é a melhor decisão. Aliás, já é tarde. No início da temporada, eu disse que o Endrick tinha que fazer o que outros jogadores fizeram: procurar tempo de jogo em outro lugar.
Lyon como etapa de amadurecimento de Endrick

A escolha pelo Lyon faz parte de um planejamento calculado. Endrick optou por deixar Madri em busca de ritmo, protagonismo e visibilidade, com a Copa do Mundo no horizonte. As vagas para a posição de centroavante da seleção brasileira, ao que parece, ainda são uma incógnita na cabeça de Carlo Ancelotti.
O empréstimo de seis meses, válido até o fim da temporada europeia, não inclui cláusula de compra e mantém o vínculo com o Real Madrid até 2030, deixando claro que a mudança não representa ruptura, mas uma etapa intermediária de amadurecimento esportivo. Para Morientes, esse processo é essencial para que o brasileiro possa, no futuro, voltar mais preparado ao Santiago Bernabéu.
— Ele é muito jovem e, acima de tudo, precisa estar em campo, amadurecer e mostrar que, em algum momento, pode ser um atacante do Real Madrid. Depois, precisa voltar ao Real Madrid e aproveitar as oportunidades que temos mencionado, que não são fáceis, e mostrar lampejos de genialidade ou marcar um gol que reforce a sensação de que os torcedores têm um jogador muito importante à sua frente.
O ex-atacante também destacou o impacto imediato do brasileiro na França como um indicativo de que a decisão foi acertada, ainda que tardia. Com a concorrência elevada em Madri e a necessidade clara de minutos, Endrick encontrou no futebol francês um ambiente mais favorável para evoluir.
O desempenho inicial sugere que o caminho escolhido pode acelerar seu desenvolvimento e, ao mesmo tempo, recolocá-lo no radar do Real Madrid em condições mais sólidas para enfrentar um dos plantéis mais competitivos do futebol mundial.
— Acho que ele tomou uma boa decisão ao sair. Talvez devesse ter feito isso antes, mas agora que foi para o Lyon, tem mais visibilidade. Aliás, está marcando gols. Está feliz e jogando, que é o que precisa fazer, e então decidirá o que quer: ficar onde está ou voltar ao Real Madrid e tentar novamente, que é o que acho que todos os jogadores desejam.
— No fim das contas, não há nada maior que o Real Madrid, então, quando se tem a oportunidade de encarar esse desafio, é preciso pelo menos tentar — concluiu.



