Copa do Mundo: Fifa ‘reconhece erro’ e planeja mudança em campanha antirracismo
Mundial de Clubes gerou preocupações em relação ao combate da discriminação devido à mensagem mais genérica implementada pela entidade
A Fifa reprogramou a rota e está inclinada a promover na Copa do Mundo 2026 campanha antirracismo com mensagens mais diretas, ao contrário do que ocorreu no Mundial de Clubes 2025. As informações são do jornal “The Athletic”.
A entidade planeja expor a iniciativa “No Racism” (sem racismo, em português) nos estádios durante o torneio e reforçar ações pela união ao apresentar frases como “Unite for Peace” (unidos pela paz) e “Unite the World” (unidos pelo mundo), segundo apuração da publicação.
Campanha ‘genérica’ da Fifa no Mundial foi alvo de críticas
A forma como a Fifa faria a campanha antirracismo na Copa já era uma preocupação de ativistas e personalidades do esporte devido ao tratamento dado pela entidade à causa no Mundial de Clubes realizado nos Estados Unidos.
Ao contrário de competições anteriores, o Mundial de 2025 não teve campanhas com os dizeres “sem racismo” e “sem discriminação” nos estádios ou nas redes sociais.
O dia 18 de junho marcou a única vez que a frase “sem racismo” foi exibida durante o torneio, e se tratava do Dia Internacional contra o Discurso de Ódio.
O slogan utilizado no geral foi mais genérico: “Football Unites the World” (Futebol Une o Mundo). Isso motivou críticas de ativistas, que consideraram, dentre outras coisas, uma mensagem “básica”, e levantaram a possibilidade de a Fifa ter “abandonado os princípios para manter o presidente Trump ao seu lado”.
A federação foi questionada pelo “The Athletic” na ocasião e reforçou o estatuto, que aponta neutralidade em assuntos políticos, além de enfatizar “tolerância zero” em casos de racismo e discriminação.

Para a Copa, porém, o discurso deve mudar. Fontes consultadas pelo jornal informaram que executivos do alto escalão “reconheceram ter cometido um erro” ao “reduzir a visibilidade da mensagem contra o racismo”.
Porta-voz da entidade disse à publicação que nenhum líder teria reconhecido que cometeu um erro e tal declaração seria “imprecisa e errônea”. No entanto, confirmou que haverá campanha antirracismo durante todo o torneio, embora não tenha especificado o tipo de mensagem que deve ser divulgada.
— As campanhas estão em finalização e vão refletir o compromisso em unir pessoas de todas as origens por meio do futebol ao mesmo tempo em que promovem a coesão social, a paz, a educação e a saúde — declarou o porta-voz.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
‘Fifa deveria dar o exemplo’: Organização pelos direitos humanos cobra entidade
A preocupação com formas mais incisivas de combate ao racismo aumentou nos últimos dias. Vinicius Junior, do Real Madrid, denunciou ter sido vítima de racismo por parte de Gianluca Prestianni, do Benfica, em 17 de fevereiro. O argentino nega.
Desde então, vários casos de queixas de discriminação no futebol se sucederam.
Também houve denúncia de discriminação racial durante o Mundial. Antonio Rüdiger, zagueiro do Real Madrid, acusou que Gustavo Cabral, do Pachuca, o teria chamado de “negro de m****”. O defensor argentino negou.
O protocolo antirracismo chegou a ser ativado mas, após um tempo, o jogo continuou sem alterações.
Investigações posteriores à partida conduzidas pela Fifa concluíram que não teriam sido encontrados indícios de ofensas racistas de Cabral ao alemão.
A organização Human Rights Watch ressaltou que os incidentes reforçam a importância de a Fifa retomar a abordagem mais direta e dar punições mais severas em caso de condenação.
— A Fifa deveria dar o exemplo, não fugir de suas responsabilidades. A Fifa deveria restaurar suas campanhas contra a discriminação antes do torneio — escreveu a instituição no início da semana.
Além de ações de combate ao racismo, a Fifa planeja ter na Copa de 2026 campanhas em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar sobre riscos com concussões, de acordo com o “The Athletic”.



