Copa do Mundo

Copa do Mundo de 2026: Por que europeus temem custos elevados e prejuízos financeiros

Competição que ocorre no Canadá, EUA e México neste ano ainda não tem isenção completa de impostos para as seleções participantes

A pouco mais de 100 dias da Copa do Mundo de 2026, aumentam os problemas da organização no Canadá, Estados Unidos e México. Desta vez, federações europeias sinalizam uma preocupação quanto aos prejuízos financeiros e custos elevados durante suas participações nos jogos — algo que não ocorreu na última edição, no Catar, em 2022.

De acordo com o “The Guardian”, mesmo com a distribuição recorde de dinheiro às seleções neste ano — US$ 655 milhões (R$ 3,6 bilhões) —, cerca de dez federações europeias, durante o último congresso anual da Uefa, há duas semanas, mostraram preocupação quanto aos custos e diminuição do lucro que terão no próximo Mundial.

Se a edição do Catar, em 2002, também foi recheada de problemas do ponto de vista social e humanitário, a organização para a Copa do Mundo 2026 também não fica atrás. O Mundial deste ano tem enfrentado vários problemas: a preocupação com temperaturas elevadas em jogos, as críticas ao modelo de venda de ingressos e à política do governo Donald Trump com imigrantes, dentre outros.

Mais um alerta para a Copa do Mundo

Para disputar a Copa do Mundo, a Fifa distribui US$ 10,5 milhões (R$ 58 milhões) a cada uma das 48 seleções participantes, valor que representa a soma dos custos de preparação (US$ 1,5 milhões) e classificação para o torneio (US$ 9 milhões).

Por outro lado, o valor da diária paga pela entidade máxima do futebol aos membros das delegações nacionais foi reduzido para US$ 850 para US$ 600 por pessoa.

Infantino entrega prêmio da paz da Fifa a Trump
Infantino entrega prêmio da paz da Fifa a Trump (Foto: Imago)

Considerando esses valores, algumas das federações europeias — continente que terá o maior número de representantes na competição — acreditam que podem ter um prejuízo de US$ 500 mil, caso a sua seleção avance até a final no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

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Isenção de impostos repete problema do Mundial de Clubes

Mesmo com a proximidade entre Gianni Infantino e Donald Trump, presidentes da Fifa e dos Estados Unidos, respectivamente, alguns problemas persistem desde o Mundial de Clubes, realizado no último ano. Na ocasião, as 32 equipes que disputaram o torneio não receberam isenção fiscal com os valores referentes às premiações ao longo da competição.

Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras, representantes brasileiros na competição, tiveram de arcar com tributações de até 30% do fisco americano. Além disso, os impostos estaduais variam para cada lugar onde os jogos foram realizados. As mesmas questões devem continuar durante a Copa do Mundo deste ano.

Estados Unidos recebeu Mundial de Clubes em 2025 (Foto: Imago)

Apesar de, nas candidaturas para a Copa do Mundo, os países-sedes tenham de garantir a isenção de impostos às nações classificadas, os Estados Unidos ainda não asseguraram o benefício previsto pela Fifa — e como ocorreu no último Mundial, no Catar. Canadá e México, que também receberão partidas da Copa do Mundo, terão isenção de impostos aos países participantes.

Além disso, com o aumento no número de participantes e de jogos, as seleções precisarão viajar mais vezes pela América do Norte, e muitas delas com um câmbio desfavorável em relação ao dólar. O torneio terá início em 11 de junho, e a final será disputada em 19 de julho.

No Mundial de Clubes, além da isenção de impostos, a Fifa teve dificuldade para distribuir os montantes relacionados a premiações. Desde o título do Chelsea, em junho de 2025, os clubes aguardam o pagamento de 185 milhões de libras (R$ 1,29 bilhões) prometido pela entidade.

Segundo o “The Guardian” , se dividido igualmente, o valor seria de cerca de 50 mil libras (cerca R$ 351 mil) para cada clube da primeira divisão do mundo, mas, mais de sete meses após o término do Mundial de Clubes, não há sinal do dinheiro e nenhum prazo para sua distribuição.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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