Copa do Mundo: As dúvidas que a atual campeã Argentina ainda não sanou
Scaloni apostará na base campeã em 2022 com Messi como referência máxima, mas há questões envolvendo o time titular
Uma das favoritas ao torneio mais importante do planeta, a seleção argentina estreia na Copa do Mundo de 2026 no dia 16 de junho, contra a Argélia, em Kansas City, nos Estados Unidos. No grupo J, que também conta com a Jordânia e a Áustria, os atuais campeões do mundo vão em busca do segundo troféu consecutivo. E, faltando 100 dias para o pontapé inicial, é possível dizer que o treinador Lionel Scaloni tem mais certezas do que dúvidas.
Base sólida pode ser trunfo da Argentina
Em 2022, a seleção de Lionel Scaloni chegou ao Catar como uma das grandes favoritas ao título, com 36 jogos de invencibilidade na época. Apesar disso, o treinador ainda testava esquemas táticos e fazia testes em determinadas posições, até achar a equipe ideal.
Mesmo com um começo desastroso [derrota para a Arábia Saudita na estreia], o time de Scaloni se acertou e em 18 de dezembro de 2022, a Argentina colocava fim a um longo jejum sem Copa do Mundo, conquistando o tão sonhado título por Messi e companhia. Hoje, três anos e meio depois, o treinador busca repetir a boa campanha, ciente de que possui um grupo recheado de talentos, porém mais envelhecido.
No último ciclo, Scaloni manteve a base campeã e fez apenas alguns ajustes. Em algumas convocações para Eliminatórias ou amistosos, o treinador chegou a convocar alguns jovens ou atletas que se destacavam, mas sempre mantendo a mesma base campeã da última Copa do Mundo.

Inclusive, as escalações utilizadas pelo treinador dificilmente tinham surpresas. Flaco López, do Palmeiras, Franco Mastantuono, do Real Madrid, Lucas Ocampos, do Monterrey, foram alguns dos atletas que tiveram chance com Scaloni, mas quase sempre permaneceram no banco de reservas e atuaram por alguns minutos durante os jogos.
Embora mantivesse a mesma base, as poucas alterações realizadas por Scaloni foram no setor ofensivo. Às vezes optando por um trio de ataque, às vezes optando por uma dupla.
Durante o ciclo, Lautaro Martinez e Julián Álvarez disputaram a vaga de centroavante da seleção. Atualmente, o jogador da Internazionale vive um melhor momento que o do Atleti. O ex-River Plate é um atleta versátil, mas enfrenta um período ruim com a camisa colchonera, algo que preocupa Scaloni restando poucos meses para o Mundial.
Por outro lado, uma notícia comemorada pelo país inteiro é a de que Lionel Messi, que completará 39 anos durante a disputa do Mundial, chega próximo do torneio em boa condição física, atuando com regularidade pelo Inter Miami.
Com isso, faltando 100 dias para a Copa do Mundo, é possível esboçar uma possível escalação da Argentina para a estreia diante da Argélia, sendo: Dibu Martinez; Nicolás Tagliafico, Nicolás Otamendi, Cristian Romero e Gonzalo Montiel; Alexis Mac Allister, Enzo Fernández e Rodrigo de Paul; Nico González, Lionel Messi e Lautaro Martinez (Julián Álvarez).
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Sistema defensivo é o tendão de Aquiles da Argentina
Embora o meio-campo e ataque da seleção argentina sejam considerados muito fortes, a equipe de Lionel Scaloni chega a 100 dias da Copa do Mundo com muitas questões no setor defensivo, principalmente nas laterais, mesmo problema enfrentado por Carlo Ancelotti na seleção brasileira.
No setor defensivo, os pilares sólidos da equipe, tidos como tiulares absolutos são o goleiro Dibu Martinez e o zagueiro Cuti Romero. Nas demais posições, o treinador ainda tenta sanar algumas dúvidas.
Em 2022, Lionel Scaloni convocou para as laterais Nahuel Molina, Nicolás Tagliafico, Gonzalo Montiel, Marcos Acuña e Juan Foyth. Desses, os dois primeiros eram titulares na lateral direita e esquerda, respectivamente. Os demais eram reservas e, às vezes, podiam ser atuar em outras posições, como era o caso de Foyth.
Já na zaga, Scaloni optou por convocar Cristian Romero, Nicolás Otamendi, Germán Pezzella e Lisandro Martínez. Os dois primeiros também formaram a dupla titular a princípio.

Atualmente, Scaloni está repleto de dúvidas para essa região do campo. Nas laterais, nenhum jogador convence de fato, com exceção de Tagliafico, que deverá ser o titular pelo lado esquerdo. Os demais caíram bastante de rendimento e fazem o treinador repensar suas escolhas. Principalmente pela carência de peças nesta posição.
Juan Foyth, que poderia ser uma opção, sofreu uma grave lesão no tendão de Aquiles e é baixa confirmada para o Mundial.
Na zaga, a dupla de Romero é uma das grandes incógnitas para Scaloni. Licha Martínez, do Manchester United, superou um longo período de lesões e agora vive uma boa fase na Inglaterra. Por outro lado, o experiente Otamendi, do Benfica, exerce uma função de liderança na seleção e deve jogar seu último Mundial em 2026.
Com isso, o treinador deve ter uma dor de cabeça para escolher quem formará dupla com o defensor do Tottenham. Leonardo Balerdi corre por fora e deve ficar no banco de reservas.
Crise na AFA gera tensão na seleção argentina
Outro ponto que também acende o alerta no país a 100 dias da Copa do Mundo é a crise institucional que vive a AFA (Associação de Futebol Argentino). O presidente da instituição, Claudio “Chiqui” Tápia, está sendo investigado por corrupção e desvio de dinheiro.
Segundo o jornal argentino “Clarin”, a Receita Federal Argentina apresentou uma denúncia contra a empresa Sur Finanzas, que tem como dono Ariel Vallejo, empresário ligado publicamente ao presidente da AFA. A sonegação fiscal poderia chegar aos 3 bilhões de pesos argentinos (cerca de R$ 12,8 milhões, de acordo com a cotação atual).

Além disso, problemas em jogos do campeonato local fizeram com que muitos torcedores se revoltassem com a AFA e também com a seleção argentina. Murais dos campeões do mundo passaram a ser vandalizados. Muitos também criticaram Messi e alguns de seus companheiros por apoiarem irrestritamente Chiqui Tapia.
A crise extracampo é tamanha que a AFA decidiu suspender a 9ª rodada do Torneio Apertura, da Liga Profissional de Futebol (LPF), que deveria ocorrer entre os dias 5 e 8 de março. A decisão foi tomada como um protesto contra a investigação da Receita Federal Argentina (Arca).
O órgão estaria investigando uma suposta retenção ilegal de contribuições previdenciárias e impostos, que chegariam a 19,3 bilhões de pesos (R$70 milhões) entre 2024 e 2025. A entidade nega qualquer irregularidade.



