‘Mundial mais caro da história’: Por que alguns argentinos se ‘arrependem’ de comemorar a Copa
Torcedores da Albiceleste vandalizaram murais da seleção como forma de crítica ao presidente da AFA, Chiqui Tapia
A Copa do Mundo de 2022 foi uma grande alegria para os torcedores argentinos, que puderam ver sua seleção sair campeã do torneio após 36 anos. No entanto, três anos após a conquista, nem todos os ‘hinchas’ seguem contentes com o título mundial.
A conquista para muitos foi uma lavada na alma, mas para outros trouxe consequências mais complexas — e isso ficou evidenciado neste último fim de semana. Após a derrota do Deportivo Moron para o Deportivo Madryn na semifinal da segunda divisão, murais em homenagem ao título de 2022 foram vandalizados por torcedores.
Em um desenho com a imagem da famosa defesa de Dibu Martinez nos acréscimos da final contra a França, torcedores do Deportivo Moron escreveram em tinta vermelha que esse teria sido o Mundial mais caro da história.
Ainda que Dibu Martinez nada tenha a ver com a derrota do clube da segunda divisão, as críticas sofridas em seu mural, na verdade, são direcionadas a AFA (Associação de Futebol Argentino).
Na partida contra o Deportivo Madryn, atletas, torcedores e dirigentes do Moron reclamaram bastante da atuação da arbitragem, que teria favorecido o adversário. Inclusive, o ‘El Gallo’ estava vencendo o jogo pelo placar agregado de 1 a 0, mas acabou levando o empate por conta de uma falta bastante controversa.

Além disso, em outro momento, Juan Manuel Olivares, do Moron, sofreu uma dura falta, mas o adversário levou apenas cartão amarelo, enquanto muitos protestaram que deveria ser lance de expulsão.
Os lances polêmicos geraram discussões por parte de torcedores, dirigentes e jogadores, que passaram a acusar a AFA de favorecer o Deportivo Madryn, que supostamente teria relações diretas com Chiqui Tapia.
Já na segunda-feira (17), mais polêmica envolvendo clubes argentinos. Na primeira divisão, o Barracas Central, que também possui forte ligação com Tapia, que já foi presidente do clube, teve um pênalti polêmico marcado contra o Huracán. Com a penalidade, empatou o jogo e se classificou para o mata-mata da competição, deixando o Globo de fora da fase final.
Após o fim do jogo entre Deportivo Moron x Deportivo Madryn, o técnico do Gallo, Walter Otta, aos prantos, desabafou: “Não quero mais ser treinador. Não tenho mais forças”, disse.
Mundial mascarou problemas da AFA?
A Associação de Futebol Argentino sempre foi alvo de críticas da torcida, principalmente no que diz respeito ao presidente Claudio ‘Chiqui’ Tapia. Denúncias de corrupção, favorecimento em jogos, dentre outras questões, sempre pairaram sobre a entidade do futebol argentino. No entanto, com a conquista da Copa do Mundo de 2022, muitas pessoas pararam de criticar a associação.
Com o título, o trabalho de Tapia, antes bastante contestado, passou a ser exaltado, afinal foi o dirigente que optou por renovar o contrato do treinador Lionel Scaloni e também esteve a frente da entidade não só no título da Copa do Mundo, como também nos títulos recentes da Copa América.
Também passou a ser comuns fotos do dirigente ao lado do craque Lionel Messi e outros atletas da seleção, promovendo ainda mais a sua imagem pessoal e de líder a frente da associação sul-americana que mais títulos vem ganhando nos últimos anos.

No entanto, enquanto a seleção albiceleste brilha, os clubes argentinos seguem se sentindo prejudicados pela entidade. Não é de hoje que muitas críticas e reclamações são feitas em relação à arbitragem, organização dos torneios e também premiação paga pelos títulos.
— Infelizmente, eles têm razão (as críticas feitas no mural de Dibu Martinez). Ninguém pede para os jogadores da seleção defenderem o futebol argentino porque não é responsabilidade deles. Mas pelo menos que não sejam cúmplices ou úteis ao saco de mer** do Tapia. Chega de fotos deles bebendo mate ou jogando bola com esse cara — escreveu um usuário no X, antigo Twitter.
— Enquanto eles (jogadores da Seleção) não se libertarem do Tápia, serão odiados. Maradona é o maior, aquele que nunca se vendeu — escreveu outro usuário nas redes sociais.
— Todos são cúmplices, desde o técnico que queria se rebelar, mas foi silenciado, até os jogadores que posam para esse palhaço. Eles levaram o time do Messi e sua família à primeira divisão em três anos. Agora, os árbitros não são apenas péssimos, são AMEAÇADORES — afirmou outro torcedor.
Apesar das críticas, há quem defenda seleção, acreditando que os jogadores não possuem relações com a gestão polêmica de Chiqui Tapia à frente da AFA.
— A campanha contra a seleção é inacreditável, considerando que este foi o único time que nos uniu como país e nos trouxe alegria nos últimos cinco anos! Odiar o Tapia, tudo bem, mas esses jovens quebraram um ciclo de amargura que durava mais de 35 anos! E estão desrespeitando o esforço das pessoas que pagaram por esses murais — escreveu um usuário no ‘X’.
— A culpa não é do mural. Naquele dia, o Dibu nos deixou muito felizes. Tenho certeza de que também deixou feliz a pessoa que pintou o mural e a pessoa que escreveu essa pichação — afirmou outro torcedor.



