Grupo tem até duelo traiçoeiro, mas Argentina já se preocupa com pior cenário em mata-mata da Copa
Atual campeã mundial, seleção de Lionel Messi deve ter vida tranquila na fase de grupos da Copa do Mundo 2026
A Argentina, atual campeã do mundo, conheceu seus adversários iniciais na Copa do Mundo 2026, nesta sexta-feira (5). No grupo J, a Albiceleste de Lionel Messi integra a chave juntamente com Áustria, Argélia e Jordânia.
A equipe de Lionel Scaloni é a óbvia favorita para liderar a chave, mas viu o sorteio colocar uma grande ameaça no caminho, logo no primeiro duelo decisivo da fase de mata-mata da Copa do Mundo.
Sobre as possibilidades de um possível Argentina x Brasil no torneio, o chaveamento traz o seguinte cenário: se ambas terminarem líderes de seus respectivos grupos, haveria uma chance de duelo apenas nas semifinais. O mesmo acontece se ambos forem segundo em suas chaves. Se uma seleção for líder e a outra segunda, o encontro se daria apenas uma histórica final.
Se Argentina e Brasil avançarem como melhores terceiros colocados, há uma série de possibilidades, que dificultam a projeção de um eventual confronto neste cenário.
Argentina pode ter duelo traiçoeiro contra ‘desconhecida’?
Santiago Sourigues, coordenador do site “Top Mercato”, especialista em transferências sul-americanas, analisou o grupo da Argentina, o qual considerou ‘tranquilo’, uma vez que contém três seleções que não são consideradas da primeira pratileira do futebol mundial.
— A Argentina compartilha grupo com Argélia, Áustria e Jordânia — três seleções que não estão entre as consideradas fortes. No entanto, o último antecedente da equipe comandada por Lionel Scaloni contra um adversário desconhecido ou sem grande renome não é positivo (derrota para a Arábia Saudita na estreia da Copa do Mundo do Catar 2022) — analisou o jornalista à Trivela.

— Das três, a mais competitiva é a Áustria, por fazer parte da UEFA e contar com jogadores de maior trajetória: David Alaba, Marcel Sabitzer e Marko Arnautovic. Em segundo lugar aparece a Argélia, uma seleção que tem estrelas como Mahrez, ex-Manchester City, e Islam Slimani, atacante de 37 anos com passagens por Sporting de Lisboa, Leicester City, Mônaco, Lyon e até no futebol brasileiro, quando defendeu o Coritiba. É uma das equipes que mais compete na África porque possui um elenco com média de idade alta e vários jogadores com experiência no futebol europeu — seguiu.
Tony Monteverde, jornalista do programa ‘Transmision Deportiva’ da rádio argentina AM 1560, ressaltou que no retrospecto entre argentinos e austríacos, há uma lembrança especial envolvendo Diego Armando Maradona.
— Nos confrontos históricos, Argentina e Áustria já se enfrentaram em Viena: em 21 de maio de 1980, a albiceleste goleou por 5 a 1, com um hat-trick de Diego Armando Maradona e gols de Santiago Santamarina e Leopoldo Luque. Em 3 de maio de 1990, empataram por 1 a 1, também em Viena, com gol de Jorge Urruchaga — disse o jornalista.
A atual campeã mundial vai encarar também a desconhecida Jordânia, uma das estreantes em Copas do Mundo. A seleção é uma grande incógnita no grupo, já que está fora do radar das principais seleções mundiais, algo que pode transformar o duelo em um confronto traiçoeiro.
— Por último vem a Jordânia, a maior incógnita do grupo, uma seleção formada totalmente por jogadores da liga local. É um time que não tem nada a perder e muito a ganhar, o que pode transformar esse duelo em um dos mais difíceis para a Argentina — semelhante ao que aconteceu no Catar contra a Arábia Saudita, um jogo que parecia acessível na teoria, mas que depois se complicou. Em síntese, o grupo da Argentina, a princípio, seria tranquilo, e a seleção deveria avançar como líder. Mas precisa respeitar cada adversário para evitar sustos e começar com o pé direito a defesa do título — disse Santiago.
— No papel, trata-se de um grupo relativamente acessível para a Argentina. Atual campeã mundial e repleta de estrelas, a seleção deveria avançar como líder do Grupo J. Caso isso ocorra, o primeiro jogo do mata-mata, nos 16 avos de final, seria em Miami, enfrentando o segundo colocado do Grupo H, formado por Espanha, Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai — analisou Monteverde.
Vale ressaltar que, devido a um dispositivo da Fifa para evitar que seleções melhores ranqueadas se encontre precocemente, Argentina e Espanha só se encontrarão em uma eventual final caso sejam as líderes de suas chaves.
Contudo, se a Espanha tropeçar e acabar em segundo, poderíamos ter um encontro geracional entre Lionel Messi e Lamine Yamal no primeiro mata-mata da competição. Os atuais campeões da Eurocopa estão no grupo H, juntamente com Uruguai, Arábia Saudita e Cabo Verde.

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O ciclo da Argentina até a Copa do Mundo
Após colocar fim em um jejum que durava 36 anos e conquistar a Copa do Mundo em 2022, a seleção argentina imediatamente já iniciou o ciclo de 2026, pensando na conquista do tetra.
Com Scaloni mais do que respaldado no comando técnico e com a confiança de todo o país, a Albiceleste seguiu mostrando que o troféu de melhor seleção do mundo não foi por acaso, e que o trabalho iniciado há algum tempo seguia rendendo frutos.

Logo após o jogo eletrizante contra a França na final da Copa do Mundo de 2022, no Catar, que foi decidido nos pênaltis e teve Dibu Martinez como um dos destaques, a Argentina teve amistosos pela frente.
O primeiro duelo após a conquista foi contra o Panamá e uma vitória tranquila por 2 a 0. Na sequência, enfrentou Curaçao e goleou por 7 a 0, mostrando todas as suas credenciais. Vale lembrar que ambas as seleções derrotadas pela Albiceleste estarão na Copa do Mundo de 2026.
Antes do início das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, a Argentina ainda teve amistosos contra Austrália e Indonésia e em ambos venceu por 2 a 0.
Com o ciclo da Copa do Mundo de 2026 iniciando, a Argentina tinha como meta a classificação para o Mundial e garantir a primeira colocação da chave. Seu primeiro duelo foi contra o Equador em setembro de 2023. Uma vitória simples por 1 a 0, fez com que a Albiceleste iniciasse a caminhada com o pé direito.
Bolívia, Paraguai, Peru, Uruguai e Brasil foram os adversários que a seleção enfrentou em sequência, e em todos saiu vitoriosa. Com isso, a Argentina ia mostrando que mantinha a base vencedora do Mundial e seguia invicta desde o título diante da França. Até mesmo adversários mais complicados como Uruguai e Brasil eram derrotados por Scaloni e companhia.
No período também tiveram outros amistosos e a disputa da Copa América de 2024. A Argentina seguia sem saber o que era sair derrotada. Nas quartas de final do torneio continental, um empate em 1 a 1 com o Equador ligou o alerta, mas nos pênaltis, novamente, a Albiceleste levou a melhor e se classificou.
Na grande final, contra a Colômbia, uma vitória simples por 1 a 0, com gol de Lautaro Martínez, deu mais um título para a melhor seleção da América do Sul da atualidade.
De volta as eliminatórias, a primeira derrota da Argentina, desde a conquista da Copa do Mundo, aconteceu apenas em setembro de 2024, quando perdeu para a Colômbia por 2 a 1. Esse, inclusive, foi o único revés da Albiceleste na caminhada para o Mundial de 2026.
Com o bom desempenho, a equipe comandada por Scaloni se classificou antecipadamente e na primeira posição para a Copa do Mundo de 2026, se consolidando como uma das grandes favoritas ao título da competição que acontecerá nos Estados Unidos, México e Canadá.



