Acusação de racismo em jogo do Real Madrid testa protocolo anti-racismo no Mundial
Árbitro brasileiro Ramon Abatti Abel acionou protocolo após Rüdiger acusar argentino do Pachuca de racismo
A vitória do Real Madrid por 3 a 1 sobre o Pachuca, neste domingo (22), ficou marcada pela primeira vez em que o protocolo da Fifa para casos de racismo foi acionado no Mundial de Clubes. Na reta final do jogo, no Bank of America Stadium, em Charlotte, o zagueiro Antonio Rüdiger, do Real, acusou o também zagueiro Gustavo Cabral de injúria racial.
O lance aconteceu aos 49′ do segundo tempo. Na jogada, Rüdiger e Cabral se estranharam em uma disputa de bola pelo alto na área do Pachuca. Na sequência, os dois ficaram discutindo e o zagueiro alemão acionou o árbitro brasileiro Ramon Abatti Abel para informar que havia sido ofendido pelo jogador argentino.
Ramon Abatti Abel, que estava perto do lance, conversou com os dois jogadores – de forma um pouco mais ríspida com Cabral. O brasileiro chegou a acionar o protocolo para casos de racismo da Fifa, fazendo um gesto de “X” com os braços. No entanto, o zagueiro do Pachuca não foi advertido pela suposta ofensa e o jogo seguiu normalmente.
Após o apito final da partida, Rüdiger e Cabral voltaram a discutir e precisaram ser separados por outros jogadores. Alguns atletas do Pachuca, como o atacante Rondón, tentaram conversar com o zagueiro do Real Madrid.
Ramon Abatti Abel deve informar na súmula as ocorrências da partida entre Real Madrid e Pachuca. A Fifa, então, deve investigar o caso.

Como funciona o protocolo anti-racismo da Fifa?
O protocolo anti-racismo da Fifa é dividido em três partes. Na primeira, caso o árbitro não observe ou escute o gesto, ou fala racista, ele pode ser avisado da denúncia por jogadores, outros membros da arbitragem ou oficial da partida. Então, é necessário fazer o gesto do “X” com os braços.
A partir desse gesto, o árbitro deve decidir se deve ou não parar a partida. Caso a partida seja parada, um anúncio deve ser feito no estádio para informar o motivo da paralisação.
Na segunda etapa, se os incidentes racistas não pararem, o árbitro deve interromper e partida e instruir as equipes a irem para o vestiário. Um novo anúncio deve ser feito no estádio, informando sobre a possibilidade do cancelamento do jogo.
Na terceira e última etapa, após o reinício da partida e na possibilidade dos incidentes não cessarem, o árbitro deve cancelar a partida.
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Guerra de versões após acusação de racismo
Após a partida, os técnicos de Real Madrid e Pachuca falaram sobre a acusação de racismo de Rudiger contra Gustavo Cabral. E, é claro, cada lado defendeu o seu jogador.
— Toni [Rudiger] nos disse algo, o protocolo da FIFA foi ativado e uma investigação está em andamento. Acreditamos nele. É inaceitável — afirmou Xabi Alonso, do Real Madrid.
Jaime Lozano, técnico do Pachuca, disse confiar em Cabral, mas afirmou não ter conversado com o jogador sobre o assunto.
— Acabei de descobrir. Não conversamos sobre isso no vestiário, nem falei com o Cabral sobre isso. Não consigo explicar. Conhecendo o Cabral, isso nunca aconteceu com nenhum jogador ou com qualquer pessoa do Pachuca. Coloco a mão no fogo por Cabral.
Na zona mista do Bank os America Stadium, Gustavo Cabel se defendeu da acusação. O zagueiro do Pachuca afirmou ter falado “cagón de mierda”, que seria uma expressão utilizada na Argentina. Rudiger não se pronunciou até o momento.



