Era Neymar na Seleção tem recordes, mas deve ser lembrada por decepções e desfecho desastroso
Após quase 16 anos defendendo o Brasil, camisa 10 está próximo de encerrar trajetória marcada por talento, lesões e eliminações
A derrota para a Noruega não significou apenas a eliminação do Brasil da Copa do Mundo de 2026. Ela também pode ter encerrado um dos ciclos mais marcantes da história recente da Seleção Brasileira: o de Neymar. Aos 34 anos, o atacante dificilmente estará no Mundial de 2030, tornando o duelo deste domingo (5) um provável capítulo final de sua trajetória com a camisa amarelinha.
Desde que estreou pela equipe principal, em 2010, Neymar construiu uma trajetória repleta de altos e baixos. Considerado uma das maiores promessas da história do futebol brasileiro, tornou-se o maior artilheiro da história da Seleção, mas também conviveu com diversas lesões (algumas em vésperas de Copas do Mundo), eliminações dolorosas e críticas constantes da torcida ao longo de sua carreira.
Os 4 erros do Brasil na vexatória eliminação para a Noruega na Copa do Mundo
A relação que parecia destinada a entrar para a história como uma das mais vitoriosas do futebol brasileiro pode ter chegado ao fim de forma melancólica. O provável adeus de Neymar à Seleção aconteceu com a eliminação nas oitavas de final de sua quarta Copa do Mundo disputada, diante da Noruega, e com um desempenho discreto do camisa 10, que conviveu com dúvidas sobre sua condição física durante toda a estadia do Brasil nos EUA.
Neymar estreou apenas na terceira partida diante da Escócia e marcou apenas um gol em todo o torneio. O único momento em que balançou as redes foi nos acréscimos da derrota por 2 a 1, em cobrança de pênalti, quando já não havia tempo para evitar a eliminação. Uma contribuição muito pobre para quem foi recebeu tanto apelo público para ter seu nome na lista final do técnico Carlo Ancelotti.
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O início da era Neymar
Desde que estreou pela Seleção principal, em 2010, Neymar carregou uma responsabilidade gigantesca. Ainda aos 18 anos, foi apontado como o sucessor da geração de Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, tornando-se rapidamente o principal símbolo da renovação do futebol brasileiro. Seu talento parecia capaz de recolocar o Brasil no topo do mundo, já que o atacante encantava com a camisa do Santos, levando o clube ao título da Copa Libertadores em 2011.
A ascensão foi rápida. Em poucos anos, o atacante deixou de ser apenas uma promessa para assumir o protagonismo da equipe. A conquista da Copa das Confederações de 2013,, com atuações decisivas e o prêmio de melhor jogador do torneio, reforçou a impressão de que o Brasil havia encontrado seu novo grande craque justamente às vésperas da Copa do Mundo disputada em casa.
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O peso de carregar a Seleção
A Copa do Mundo de 2014 mudou completamente o rumo dessa história. Depois de liderar a Seleção durante toda a campanha, Neymar sofreu a grave lesão nas costas após a entrada de um jogador colombiano, nas quartas de final, e ficou fora do restante da competição. Sem seu principal jogador, o Brasil protagonizou o histórico 7 a 1 diante da Alemanha, em uma das maiores derrotas de sua história.
A partir dali, o camisa 10 passou a carregar praticamente sozinho o peso da Seleção. Diferentemente de gerações anteriores, que contavam com diversos protagonistas espalhados pelos maiores clubes da Europa, Neymar se tornou o principal responsável por decidir jogos e assumir a responsabilidade nos momentos mais importantes. Embora tenha dividido o elenco com grandes jogadores, poucas vezes teve ao lado outro atleta do mesmo patamar técnico para dividir o protagonismo.
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Neymar: Entre recordes e decepções
Mesmo diante desse cenário, Neymar construiu uma trajetória histórica com a camisa da Seleção. Tornou-se o maior artilheiro da história do Brasil (o tento diante da Noruega foi o de número 80), superando os 77 de Pelé, além de entrar para o top 3 de jogadores com mais partidas disputadas pela equipe nacional, atrás apenas das lendas Roberto Carlos e Cafu.
Ao mesmo tempo, sua passagem também ficou marcada pelas frustrações. Lesões recorrentes impediram que chegasse às principais competições em sua melhor condição física, enquanto as eliminações para Bélgica (2018), Croácia (2022) e, agora, Noruega fizeram com que o sonho do hexacampeonato permanecesse distante do atacante.
Ao longo de quase 16 anos defendendo a Seleção Brasileira, Neymar viveu uma relação de amor e ódio com a torcida. Idolatrado pelo talento e pelos números, mas também foi alvo de críticas por nunca conseguir conquistar a Copa do Mundo, o objetivo que acompanhou toda a sua trajetória vestindo a camisa amarelinha. Além de colecionar polêmicas dentro e fora dos gramados, com um compartamento controverso.
O adeus melancólico de Neymar na Copa do Mundo 2026
Se o início da história foi marcado pela esperança de que o Brasil havia encontrado seu novo grande ídolo, o desfecho aconteceu de forma amarga. Contra a Noruega, Neymar começou no banco de reservas, entrou apenas na etapa final e marcou de pênalti nos acréscimos, quando a eliminação já parecia inevitável.
Uma das últimas imagens com a camisa da seleção brasileira pode ter sido a provocação e bate-boca com o goleiro norueguês Orjan Nyland, quando o jogo já estava definido.
O garoto que surgiu em 2010 como a maior promessa do futebol brasileiro deixa, ao que tudo indica, a Seleção como seu maior artilheiro, mas sem o título mundial que parecia questão de tempo no início da carreira. Seu legado mistura recordes, momentos inesquecíveis, lesões, críticas e a sensação de que um dos maiores talentos da história recente do futebol brasileiro não conseguiu transformar todo o seu brilho na conquista que sempre perseguiu.