Os 4 erros do Brasil na vexatória eliminação para a Noruega na Copa do Mundo
Seleção brasileira cai com falhas individuais e coletivas, com a assinatura de Carlo Ancelotti
A seleção brasileira acumulou falhas para ser eliminada pela Noruega na sexta edição seguida caindo no mata-mata da Copa do Mundo, a primeira nas oitavas de final desde 1990. Erling Haaland, o carrasco do dia, marcou duas vezes. Neymar, de pênalti, descontou no último minuto.
Foi uma atuação muito negativa do Brasil, em especial no segundo tempo. Os europeus dominaram as ações ofensivas com a bola, tiveram tempo para pensar com a bola no pé e, assim, sofreram os dois gols. A Trivela lista os maiores erros da Seleção em outro triste capítulo da história do futebol brasileiro.
Quem saiu em baixa e em alta na Seleção após a Copa do Mundo?
Postura criticável da seleção brasileira no segundo tempo
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A estratégia de Carlo Ancelotti para a partida, apostando em dar a bola para os noruegueses e ser rápido nos ataques, não foi uma novidade. O Brasil vinha demonstrando isso, a depender do contexto, desde a chegada do italiano, no meio do ano passado, como ocorria em seu Real Madrid.
Dá para dizer que esse caminho deu certo no primeiro tempo, marcado pela única grande chance ter sido brasileira, com pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães. A Seleção conseguiu, em mais de uma oportunidade, roubar a bola no campo de defesa e verticalizar. A Noruega quase não chegou, com exceção de lançamentos para Haaland.
Na etapa final, isso acabou. A equipe de Ancelotti passou a ser passiva sem a posse da bola, com exceção de um momento, quando roubou a bola após passe de Martin Odegaard, Vinicius Júnior deixou Endrick na cara do gol e o jovem acabou desperdiçando a chance.
No restante, a seleção norueguesa rodou a bola sem dificuldades. Só Odegaard teve 124 ações com a bola. No primeiro gol, Andreas Schjelderup teve muito espaço para levar para a canhota, cruzou e Haaland antecipou Gabriel Magalhães.
Gol dele.
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A passividade foi ainda mais ilustrada no segundo. O centroavante norueguês, na entrada da área, dominou e ajeitou até enfiar o pé direito na bola. Danilo só assistiu.
O segundo gol da Noruega. pic.twitter.com/MP02KgJhF9
— CazéTV (@CazeTVOficial) July 5, 2026
Os 34% de posse de bola contra a Noruega foram o menor índice em um jogo da seleção brasileira em Copas do Mundo, segundo o “Opta”, que levanta dados de todas as edições desde 1966.
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Entrada de Neymar não deveria ter acontecido
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É natural que, tendo no banco o maior craque revelado pelo Brasil desde 2010, haja uma pressão para colocá-lo no jogo. Neymar entrou na partida aos 22 minutos da etapa final, mas isso não deveria ter acontecido.
E não só pelo camisa 10 estar sem ritmo de jogo, em uma rotação física abaixo dos colegas e adversários, mas principalmente pela questão tática. Com Ney em campo, Endrick precisou sair da posição de camisa 9, que havia conseguido se colocar em condições na melhor chance brasileira na etapa final até o pênalti, e recompor pela direita.
O jovem ex-Palmeiras definitivamente não é conhecido por ser um grande marcador pelo lado do campo. Foi dele o bote errado em Schjelderup antes do ponta cruzar com muito espaço de Danilo na marcação e Haaland marcar.
Bruno Guimarães não poderia ter batido o pênalti
O dia a dia dos treinos é algo que a imprensa não tem acesso, o que não dá o contexto ideal para analisar situações de jogo. Aparentemente, foi isso que justificou que Bruno Guimarães batesse a penalidade desperdiçada na partida, à frente de Vinicius Júnior, um jogador que é acostumado com isso no Real Madrid.
— Fizemos uma estatística de um ano de jogadores rivais e dos nossos. O melhor na seleção era Raphinha. Naquele momento no campo, o melhor a bater o pênalti era Neymar, depois Igor Thiago, Raphinha, Bruno Guimarães e Martinelli. Escolhemos Bruno porque pensamos que era o melhor no campo — explicou Ancelotti.
O meia do Newcastle só bateu três pênaltis com bola rolando no futebol europeu. Acertou os três, sendo dois em 2026, quando passou a ser mais importante nesse quesito no time inglês. Mas é um histórico pequeno, sem grandes momentos de pressão e eliminatórios.
Vini Jr, mesmo que já tenha desperdiçado seis das 19 cobranças que teve na Europa, marcou em mata-mata de Champions. É um dos principais batedores dos Merengues, até às vezes na frente de Kylian Mbappé. Era natural que o maior craque brasileiro da atualidade colocasse a bola debaixo do braço e decidisse. Seria a abertura do placar, logo cedo, deixando tudo mais natural para o Brasil. Aí, entra outro problema.
Não pode perder tantas chances de gol
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O pênalti não foi a única finalização ruim da Seleção na partida. Endrick, sozinho de frente para Orjan Nyland, se enrolou no domínio e chutou para fora aos 13 minutos do segundo tempo, quando o placar ainda estava zerado. Na etapa inicial, com duas jogadaças pela esquerda, Vini Jr e Gabriel Martinelli cruzaram com muito perigo e ninguém tocou.
Se o Brasil ia ficar sem a bola a partida toda, deveria ter sido perfeito no ataque. Não foi. “Haaland é um jogador de nível mundial, você pode pagar pequenos erros em uma competição como essa, um jogo e você está fora”, disse o auxiliar técnico Davide Ancelotti após a partida.
Carlo Ancelotti, agora, terá um ciclo completo para implementar seu estilo de jogo e testar jogadores até a Copa do Mundo de 2030.