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O grande legado da Copa das Confederações: o Brasil tem uma seleção

Como torneio, a Copa das Confederações não vale muito. É uma competição interessante, que reúne grandes seleções, mas que não registra grandes campeões na história do futebol. Mas que pode servir como marco inicial de um grande time. A maneira como o Brasil se portou e venceu a decisão contra a Espanha é bem mais importante que a taça e o nome nos livros. É a prova concreta de que a Seleção se candidata à conquista a Copa do Mundo de 2014, algo que não vinha se justificando nos últimos anos.

O legado da Copa das Confederações é o time que Luiz Felipe Scolari conseguiu formar. O trabalho de Luiz Felipe Scolari tem algumas contribuições de Mano Menezes, é claro, mas a evolução coletiva do time durante a competição é evidente, especialmente em comparação com os amistosos preparatórios. O período de treinamentos foi precioso, sobretudo pelo encaixe e pelo entrosamento dos jogadores.

A atuação contra a Espanha foi, sem dúvidas, a melhor mostra disso. Depois de uma partida apagada contra o Uruguai, o Brasil entrou em sua intensidade máxima na final. A marcação por pressão feita no campo de ataque e o ótimo desempenho da dupla de volantes foram os pontos altos desse trabalho coletivo. Já com a bola nos pés, os brasileiros agora contam com uma equipe incisiva, com bons contragolpes e fortíssima nas jogadas pelos lados do campo.

Dentro deste padrão de jogo, o maior beneficiado foi Neymar. Ao invés de sobrecarregado na criação ofensiva, o camisa 10 soube se combinar muito bem com os companheiros de ataque. Seus lampejos foram fundamentais nas cinco vitórias, participando decisivamente de todas elas. A Bola de Ouro foi um reconhecimento justíssimo, principalmente por dissipar as dúvidas que restavam sobre sua capacidade em grandes ocasiões.

Individualmente, vários outros nomes também aproveitaram a Copa das Confederações para se afirmar. Júlio César foi excelente, em especial nos mata-matas, enquanto David Luiz fez uma grande partida na final. Luiz Gustavo e Paulinho mostraram que é possível, sim, contar com volantes que marquem bem e saiam para o jogo. E Fred, cuja qualidade na definição é inquestionável, demonstrou que também pode ser um centroavante mais participativo na construção das jogadas.

Logicamente, nem tudo são flores para a seleção brasileira. A apresentação no Maracanã foi grandiosa, mas não apaga alguns pontos a se corrigir que ficaram evidentes durante o certame. Entre eles, a inconstância vista ante o México e a falta de sabedoria ao afastar o perigo em momentos decisivos, como no lance que possibilitou o gol do Uruguai. E, mais importante que tudo isso, será manter os pés no chão e não deixar que a soberba afete o elenco – algo que Felipão é especialista em controlar.

Pelo menos a partir de agora, não dá para dizer que o Brasil tem dificuldades para enfrentar seleções de renome. Justamente contra a Espanha e contra a Itália que o time rendeu mais, teve mais gana pela vitória. Um bom futebol que engrandece o verdadeiro papel da Copa das Confederações e que aumenta as expectativas sobre o que a Seleção poderá fazer no próximo ano, na Copa do Mundo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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