Noruega x Israel: Por que jogo das Eliminatórias gera grande nível de tensão?
Jogo evento esportivo com maior nível de segurança no país europeu desde os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994
A partida entre Noruega e Israel pelas Eliminatórias Europeias da Copa do Mundo será o evento esportivo com maior nível de segurança no país europeu desde os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994.
De acordo com o jornal “The Guardian”, medidas antiterrorismo estão em vigor em toda a cidade de Oslo, além de uma zona de exclusão aérea que será implementada nos céus do Estádio Ullevaal.
As discussões sobre o genocídio em Gaza ultrapassaram as quatro linhas do futebol e, neste sábado, haverá uma manifestação organizada pelo Comitê Palestino da Noruega sob o lema “Cartão vermelho para Israel”, que engloba o posicionamento da Federação Norueguesa de Futebol (NFF), que defende o banimento de Israel do futebol internacional devido ao conflito na região, baseado em regras da Fifa.
Entre as ações, a Federação decidiu doar a renda do jogo de sábado para o trabalho dos Médicos Sem Fronteiras com atuação no território. Essa medida teria irritado a Federação Israelense de Futebol.
A Uefa esteve perto de votar a favor da proibição de Israel, que não se aplicaria às eliminatórias da Copa do Mundo organizadas pela entidade internacional, depois que a Organização das Nações Unidas (ONU) concluir que Israel comete genocídio em Gaza.
Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (10), com grande presença de jornalistas israelenses, a presidente da NFF, Lise Klaveness, confirmou a posição da federação.
— Não é necessariamente um esforço para banir Israel, é por um sistema baseado nas regras. Como todas as pessoas, estamos muito felizes por haver um acordo de paz. É mais importante do que o jogo que as bombas parem e os reféns voltem para casa. Quando falamos sobre sanções, estamos falando sobre violações das leis da Fifa. Essa deve ser uma discussão contínua — afirmou Lise Klaveness, presidente da entidade.

A ativista Line Khateeb, que lidera o Comitê Palestino na Noruega, acredita que a partida não deveria acontecer, já que o país do Oriente Médio estaria violando o direito internacional e impedindo jogadores palestinos de atuar.
— Israel não deveria ser incluído em uma arena internacional de futebol quando está violando o direito internacional e impedindo jogadores de futebol palestinos de jogar. Enquanto a ocupação israelense persistir, os palestinos não terão a chance de jogar futebol, viver, aprender ou circular livremente. Vamos protestar, mas depois deste jogo, terão outros envolvendo times de base ou em competições europeias. Eles deveriam rejeitar a ideia de receber Israel –, declarou.
Ainda segundo o periódico inglês, menos de 200 torcedores israelenses devem estar presentes para assistir à partida, enquanto torcedores noruegueses serão 3.000 a menos do que o normal, com pequenas seções do estádio fechadas para evitar possíveis invasões ao campo.
Manifestações e pedidos de sanção contra Israel
As discussões sobre os conflitos na faixa de Gaza passaram a ser tratadas também na alta cúpula do futebol. A Uefa chegou a se reunir e preparar os seus associados para que votassem favoravelmente à suspensão de Israel nas competições continentais devido ao genocídio em Gaza.
Na reunião realizada em setembro, a entidade já teria formado maioria na decisão, com aceno dos 20 membros do comitê executivo da instituição, e se preparava para formalizar os votos a favor da suspensão.
O caso se assemelha com o banimento da Rússia em 2022, após o país declarar invasão ao território ucraniano.
O movimento pela suspensão de Israel foi iniciado ainda no de agosto, segundo o jornal “The Times”, quando diversos clubes europeus questionaram a Uefa se havia alguma maneira de evitar jogar contra adversários israelenses.
Entretanto, o “The Guardian” informou que o pedido de banimento foi adiado enquanto o plano de paz de Donald Trump ganhava força na semana passada.
As manifestações também aconteceram nas ruas da Europa. Em Barcelona, o técnico Pep Guardiola fez um apelo para que a sociedade civil fosse às ruas para pressionar os governos com o objetivo de que tomem medidas com relação aos conflitos em Gaza.
“Estamos vivendo um genocídio ao vivo, onde milhares de crianças estão morrendo e outras correm risco de morrer”, declarou o treinador espanhol em vídeo gravado para uma campanha movida pela página “Comunidade Palestina Catalunha”.



