Eliminatórias da Copa

Não dá para comparar com o melhor Barça, mas Messi permite exageros com fase da Argentina

Messi reconheceu que equiparar o antigo Barcelona com a atual Argentina é demais, mas disse ver o nível como próximo

Lionel Messi vai se encaminhando para um fim de carreira perfeito, com direito a um roteiro tão bonito que parece ter sido inventado. Depois de um início arrasador em um Barcelona histórico, tendo vencido quatro Bolas de Ouro aos 25 anos, passou por momentos complicados em suas últimas temporadas no clube catalão e foi muito contestado pela falta de títulos com a Argentina, colecionando quatro vices consecutivos em quatro finais. Agora, com o peso de uma tonelada retirado das costas com as conquistas da Copa América e Copa do Mundo, está em lua de mel com a seleção argentina e seu povo, sendo idolatrado por onde vai. Até mesmo jogar na MLS aparenta ter sido bom negócio.

A fase é tão boa e o clima é tão positivo que o craque já começou a aceitar certas comparações entre a Argentina de Lionel Scaloni e o melhor Barcelona de todos os tempos, algo inimaginável quatro anos atrás. Ao ser perguntado sobre qual o melhor time que fez parte após o triunfo por 2 a 0 sobre o Peru pelas Eliminatórias Sul-Americanas, na noite de terça-feira (17), Messi afirmou que o melhor esquadrão da história do futebol foi o Barça, provavelmente aquele de Pep Guardiola, mas se permitiu elevar o patamar da atual Albiceleste.

— Essa equipe é impressionante. Segue em crescimento partida atrás de partida, cada vez joga melhor. Compará-la com o Barcelona… É a melhor equipe da história, o Barcelona. É muito, mas credito que esta equipe esta muito próxima pelo que vem demonstrando, pelo que faz partida atrás de partida, por ser campeão da América e do mundo. Isso tem muito mérito. Temos grandíssimos jogadores, há um estilo de jogo muito marcante e que nos identificamos muito, gostamos de fazer-lo. Esperamos seguir neste caminho — disse à TyC Sports ainda no gramado do Estádio Nacional do Peru, em Lima.

Como o próprio Messi sabe, equiparar o nível da Argentina de Scaloni com o do Barcelona de Guardiola já é demais, mas o certamente o reconhecimento com sua seleção depois de tantas frustrações e batidas na trave o faz sentir coisas aos 36 anos que só havia experienciado (se é que havia) quando se firmou como gênio há mais de uma década. E, convenhamos, o momento permite alguns exageros.

As marcas de Messi, da Argentina de Scaloni e do Barça de Pep

Contra o Peru, Messi disputou sua primeira partida como titular em quase um mês, já que se recuperava de problemas físicos, mas não sentiu qualquer falta de ritmo de jogo. Autor dos dois gols do triunfo, o candidato à Bola de Ouro de 2023 se tornou o maior artilheiro da história das Eliminatórias Sul-Americanas. São 31 tentos em 63 jogos no total, dois a mais que do que o amigo Luis Suárez fez em 62 compromissos pelo Uruguai na competição.

O camisa 10 também chegou a marca de 33 participações diretas nas últimas 20 partidas pela Argentina, com 26 bolas na rede e sete assistências. Neste recorte, ele foi “só” conquistou a Finalíssima sobre a Itália e a Copa do Mundo do Catar, sendo o melhor jogador e vice-artilheiro do Mundial. Em 18 anos de seleção, nunca teve um período com números tão bons.

A Argentina também vive seu período de celebrações após os recentes louros. Invicta há 14 jogos, a equipe comandada por Lionel Scaloni perdeu apenas um dos últimos 51 compromissos que teve, acumulando 37 vitórias e 13 empates. Tudo isso enquanto encerrava um jejum de 28 anos com a Copa América de 2021, faturava a Finalíssima e conquistava a Copa do Mundo após mais de três décadas.

Depois do Mundial, a Argentina está 100%. São oito triunfos seguidos em 2023, com 20 gols marcados e nenhum sofrido. Para Messi, o título no Catar só melhorou a performance da Albiceleste, assim como aconteceu anteriormente com a Copa América.

— Como aconteceu depois da Copa América, a equipe foi muito mais. A nível de jogo, creio que crescemos, nos liberamos porque ganhamos. Depois da Copa do Mundo, e tendo ganho, muito mais. Muita confiança, muito solto. Sempre é protagonista, sempre quer a bola, como tem que ser. Nos sentimos bem e desfrutamos em jogar dessa maneira. Que sigamos crescendo e ganhando partidas como estamos agora  — pontuou o craque.

Apesar de todas as expressivas marcas, não dá comparar o nível da Argentina com o atingido pelo melhor Barcelona vivido por Messi. De julho de 2008 até o fim de maio de 2012, período em que esteve sob o comando de Pep Guardiola, o clube catalão conquistou 14 das 19 competições que disputou. Das cinco que não faturou o troféu, foi vice-campeão em duas e semifinalista em outras duas, sendo eliminado pelo campeão em quatro mata-matas.

O Barça de Guardiola ainda conseguiu outros feitos que pareciam impossíveis. Na temporada 2010/11, obteve o recorde de 16 triunfos seguidos em La Liga, além de ter tido a melhor sequência de vitórias (10) e ser a primeira equipe a marcar em todos os 19 jogos fora de casa. Em novembro de 2011, chegou a 26 compromissos consecutivos marcando gol como visitante pela competição. E, mesmo assim, os números são pequenos para explicar o que foi aquela equipe, a mais regular e dominante deste século, capaz de golear o Real Madrid de José Mourinho e botar na roda o Manchester United de Alex Ferguson.

Talvez a atual Argentina possa ser comparada com o Barcelona de Tito Vilanova em 2012/13, que terminou La Liga com 100 pontos e vantagem de 15 para o vice-líder. Ou o de Luis Enrique entre 2014 e 2017, vendedor da Tríplice Coroa em 2014/15. Por mais que não tenha os mesmos destaques individuais ofensivos, pelo menos o clima no vestiário é tranquilamente comparável ao do time espanhol divido por Messi, Suárez e Neymar por três temporadas.

— Acho que já mostramos há muito tempo que este é um grande grupo que, aconteça o que acontecer, continua do mesmo jeito, gostando de jogar, gostando de estar juntos, de passar momentos juntos e temos sorte de sermos muito jovens também. Com muita fome além do fato de haver meninos muito jovens que ganharam tudo, eles querem continuar conquistando coisas importantes a nível individual e de grupo — destacou Messi.

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Próximos objetivos: se manter no topo e vencer os clássicos

Mas a Argentina não quer parar por aí. Líder das Eliminatórias com 12 pontos conquistados em quatro rodadas, a Albiceleste quer manter o ritmo na Data Fifa de novembro, quando enfrentará seus dois principais rivais continentais. No dia 16, enfrentará o Uruguai no Monumental de Núñez. Já no dia 21, reviverá a final da Copa América de 2021 ao encarar o Brasil no Maracanã.

— A mensagem que o treinador passa é que a Copa América passou, que a Copa do Mundo passou e temos que iniciar um novo ciclo que tínhamos uma ideia muito clara, mas que estávamos recomeçando do zero e sabendo que é cada vez mais difícil conseguir coisas quando você vence — concluiu Lionel Messi.

Foto de Felipe Novis

Felipe NovisRedator

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.

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