Copa do Mundo

‘Brasil segue desesperado por seu Messi’: Jornalista analisa convocação de Neymar para a Copa

Jornalista pontua dependência do atacante brasileiro e o impacto na seleção nacional

A convocação de Neymar para a Copa do Mundo segue repercutindo tanto no Brasil como internacionalmente. Em artigo de opinião, o jornalista Jonathan Wilson, do “The Guardian”, aponta que a aposta do técnico Carlo Ancelotti no atacante reflete a busca da seleção brasileira em encontrar “o seu Messi”.

— Quando Neymar tinha 18 anos, estreou pela seleção brasileira, como parte da revitalização do time após a decepção na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Na época, Lionel Messi tinha 23 anos, era obviamente uma estrela, e o Brasil precisava de um jogador à sua altura. Desde então, Neymar tenta se desvencilhar da sombra do argentino — escreveu.

O retorno do jogador à equipe nacional para o Mundial, mesmo sem atuar pela canarinha desde 2023, trouxe desconfiança sobre o seu papel na seleção no ciclo atual, especialmente vindo de um período de lesões e sem uma sequência de partidas que dessem ritmo suficiente ao atleta para disputar o Mundial.

Apesar de não ser testado na era Ancelotti, o nome de Neymar foi bastante discutido na imprensa e nas redes sociais antes da convocação. 

Para Wilson, o nome de Neymar na lista mostra que o Brasil criou uma cultura de dependência sobre o jogador, mas que a atitude não traz benefícios para ambos os lados. O jornalista apontou ainda como a imagem do atacante se apresenta de formas distintas entre os torcedores.

— Desde o início, a sensação era de que o Brasil precisava de um Messi para chamar de seu, e isso criou uma cultura de dependência que não beneficiava ninguém. Neymar é um jogador que encanta alguns e frustra outros, um veículo no qual lados rivais projetam suas narrativas; é fácil para o indivíduo se perder de vista. Há uma pungência pouco explorada na história de Neymar: um potencial craque que nunca teve a oportunidade de ser ele mesmo, cuja essência nunca correspondeu à imagem — apontou.

Messi e Neymar durante a Copa América em 2021 (Foto: IMAGO / Action Plus)
Messi e Neymar durante a Copa América em 2021 (Foto: IMAGO / Action Plus)

O jornalista relembrou o impacto de como a narrativa de dependência de Neymar refletiu na seleção brasileira durante a inesquecível derrota por 7 a 1 na Copa do Mundo realizada no Brasil, com o país sentindo a eliminação “como uma grande catástrofe nacional”, transformando o resultado contra a Alemanha como se uma vitória fosse impossível sem o atacante na equipe. O jogador ficou de fora do restante do torneio após sofrer uma fratura na vértebra após levar uma joelhada nas costas do colombiano Juan Camilo Zúñiga.

— Não é impossível que o Brasil tivesse sido mais coerente taticamente sem ele, mas pairava uma dúvida terrível: como seria possível vencer a Alemanha na semifinal sem esse jogador tão badalado? Sem o Messias, o que seria do seu povo escolhido? David Luiz exibiu a camisa vazia de Neymar durante o hino, uma histeria tomou conta do país e  a Alemanha marcou impiedosamente sete gols — afirmou.

Para além da seleção brasileira, Jonathan Wilson também relembra o impacto do jogador em suas atuações pelo clube. O jornalista acredita que, mesmo tendo se destacado no Barcelona, a sua transferência para o Paris Saint-Germain se tornou mais uma tentativa de “se desvencilhar da imagem de Messi” e transformando a sua chegada em um instrumento de vingança do PSG.

Neymar e Messi em atuação pelo Paris Saint-Germain (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)
Neymar e Messi em atuação pelo Paris Saint-Germain (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)

— Um país inteiro havia perdido a cabeça, transformado Neymar em um jogador que ele simplesmente não era, e isso não foi bom nem para ele, nem para eles. Dois anos depois, Neymar inspirou a famosa virada do Barça contra o Paris Saint-Germain , o que levou o clube a investir uma quantia recorde nele. Ele pode ter sentido que precisava se desvencilhar de Messi, que essa era sua melhor chance de ganhar a Bola de Ouro, mas acabou se tornando um instrumento na vingança do PSG contra o Barcelona, ​​a próxima etapa do grande projeto de investimento esportivo do Catar. No fim das contas, ele sempre foi apenas um símbolo dos sonhos e necessidades de outra pessoa — relatou.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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