Copa do Mundo

‘Bellingham se beneficiará se a Inglaterra finalmente abandonar o fadado complexo de Messias’

Meia foi convocado para a Copa do Mundo em meio à polêmica da lista de jogadores

A convocação da seleção inglesa para a Copa do Mundo surpreendeu ao deixar de fora estrelas do país e iniciou um debate sobre as possíveis mudanças que podem surgir na utilização do elenco durante o torneio.

Em análise para o “Telegraph”, o jornalista Sam Wallace pontua que as ausências de Cole Palmer e Phil Foden reduzem o número de candidatos à posição de camisa 10, e foca a disputa em dois principais concorrentes: Morgan Rogers e Jude Bellingham

— Se a intenção de Tuchel for mesmo selecionar seus jogadores a partir de uma dupla para cada posição em campo, então a questão Rogers x Bellingham é simples. Em 2024, a expectativa em torno de Bellingham era enorme. Ele havia conquistado a Espanha, a Europa e a política interna do Real Madrid em uma única temporada. Tudo parecia possível para um jogador que acabara de completar 21 anos — escreveu.

Bellingham vive uma fase de instabilidade no Real Madrid e chegou a começar partidas no banco durante a temporada. No entanto, para Wallace, a fase do inglês não impacta o ciclo atual, já que não há a mesma “expectativa avassaladora” que acompanhou o jogador até a Euro de 2024, o que não causaria surpresas caso o meia iniciasse o Mundial entre os reservas.

Jude Bellingham em atuação pela seleção da Inglaterra (Foto: IMAGO / Sebastian Frej)
Jude Bellingham em atuação pela seleção da Inglaterra (Foto: IMAGO / Sebastian Frej)

— Não é impossível que ele comece o primeiro jogo da Inglaterra contra a Croácia no banco de reservas, como substituto de Rogers, ou até mesmo de Eze, e isso também não causaria o mesmo tipo de incredulidade que poderia ter causado dois anos antes — declarou.

Para o jornalista, Tuchel tem deixado um aviso claro ao longo das suas convocações de que nem todos tenham vaga garantida no elenco, evitando uma dependência de algum jogador. Isso aconteceu com o próprio Bellingham, quando ficou de fora da lista para os amistosos de outubro.

Aliás, o atual comandante tem frisado que a prioridade é construir um elenco coeso, e não reunir os melhores jogadores ingleses de destaque individual, como explicou durante a coletiva de imprensa após a convocação.

— O complexo de Messias é algo com que a Inglaterra luta há gerações. A crença na onipotência de um único jogador foi testada ao limite com Jimmy Greaves, Bryan Robson, Paul Gascoigne, David Beckham e Wayne Rooney. E ainda não funcionou — reforçou Sam Wallace.

Bellingham e Foden em ação pela seleção inglesa
Bellingham e Foden em ação pela seleção inglesa (Foto: Imago)

Ainda na visão do jornalista, o fato da Inglaterra chegar à Copa com um alto nível de competitividade na disputa pela titularidade no meio-campo pode beneficiar o jogador merengue, já que o atleta poderá dividir a responsabilidade com colegas de elenco.

— Bellingham se beneficiará ao dividir a responsabilidade com outros jogadores. Há carências nesta seleção inglesa, mas também há um grande número de jogadores de ataque criativos como o perfil dele, e, portanto, muitas alternativas — pontuou.

Trio dos sonhos de Tuchel virou dilema

O dilema de Thomas Tuchel com os jogadores da seleção não é novidade. O técnico chegou a declarar, ainda no ano passado, que “se mantivermos a estrutura, eles não conseguem jogar”.

A análise do treinador se referia ao fato de não conseguir utilizar Phil FodenJude Bellingham e Harry Kane de uma única vez. Isso reflete, na verdade, um problema comum em equipes com grandes talentos criativos.

Aliás, desde que chegou à equipe nacional, Tuchel vem insistindo que o time precisa de funções bem definidas, buscando um equilíbrio entre um modelo em que cada jogador entenda o que precisa ser feito com e sem a bola, e que o talento não se confunda com liberdade total.

Dessa forma, o técnico optou por deixar apenas Foden (do trio mencionado) de fora do plantel para a Copa. Sobre o atleta, Tuchel entende que o atacante do Manchester City compete diretamente com Bellingham e, nesse caso, a sua presença junto a Jude e Kane comprometeria o equilíbrio que busca.

Apesar de não encontrar o balanço que deseja para a equipe neste momento, ajustes podem ser feitos e, quem sabe, com o amadurecimento da ideia de jogo, Kane, Foden e Bellingham possam voltar a atuar juntos depois do Mundial, já que o trio não atua simultaneamente desde a Eurocopa em 2024.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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