Copa do Mundo

Allan Simon: ‘Neymar serve de escudo para jogadores da Seleção que não têm coragem’

Jornalista analisou como presença do camisa 10 ajuda elenco de Carlo Ancelotti a lidar com pressão da Copa do Mundo

A grande notícia da convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo foi o retorno de Neymar, chamado pela primeira vez desde outubro de 2023, quando sofreu a fatídica grave lesão no joelho esquerdo. Pela quarta edição seguida do torneio, o camisa 10 é a grande esperança de liderança rumo ao hexa.

E a figura de Neymar foi o grande tema de discussão do sexto episódio do programa Futebol em Contexto desta semana. Os colunistas da Trivela Tim Vickery e Allan Simon avaliaram o impacto do meia-atacante no elenco de Carlo Ancelotti no Mundial da América do Norte.

Neymar é quem vai dar a cara a tapa na Seleção?

Na ausência de Neymar, o Brasil teve dificuldades para encontrar seu protagonista. Vinicius Jr., que se tornou um dos melhores jogadores do mundo liderando uma fase vencedora do Real Madrid, ainda não conseguiu emplacar o mesmo desempenho em alto nível na Seleção.

Outros nomes como Raphinha, destaque do Barcelona, e Rodrygo, que vinha recuperando o bom futebol nos Merengues antes de machucar o joelho, também não atingiram as altas expectativas na equipe comandada pelo técnico italiano, o que servia de argumento para a volta do craque do Santos.

Vinicius Júnior foi o herdeiro da camisa 10 seleção brasileira na ausência de Neymar (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)
Vinicius Júnior foi o herdeiro da camisa 10 seleção brasileira na ausência de Neymar (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)

Após uma passagem discreta pelo Al-Hilal, onde atuou em sete jogos ao longo de um ano e meio devido aos problemas físicos, Neymar voltou para a Vila Belmiro no início de 2025 com a expectativa de recuperar seu posto na seleção brasileira, onde foi referência técnica e líder de vestiário nas três Copas anteriores.

O astro conviveu com altos e baixos no Peixe, além de novas contusões, que colocaram dúvidas sobre sua presença no torneio dos Estados Unidos, México e Canadá. Sob essa justificativa, Ancelotti não testou Neymar em nenhuma Data Fifa antes da divulgação da lista final na última segunda-feira (18), cobrando uma melhora física.

Allan Simon reconhece que “fisicamente”, o camisa 10 do Brasil “não é o mesmo”. Mesmo assim, Neymar é “muito querido” por seus companheiros, que fizeram lobby por sua convocação. Ao mesmo tempo, o colunista argumenta que ele pode servir de escudo na Seleção em caso de mais um fracasso.

— Ele serve de escudo. Tem muito jogador nessa seleção brasileira que não tem coragem de assumir as coisas. Quer ter o Neymar ali caso a gente perca a Copa do Mundo para ser a cara da derrota — declarou Allan Simon.

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O novo papel do craque do Brasil sob o comando de Ancelotti

Carlo Ancelotti no comando da seleção brasileira
Carlo Ancelotti no comando da seleção brasileira (Foto: SUSA/Icon Sport)

Pela primeira vez desde que fez sua estreia pela amarelinha, em agosto de 2010, Neymar não tem vaga confirmada entre os 11 inicias do Brasil. Em coletiva, o treinador da Seleção confirmou a possibilidade do meia-atacante começar o Mundial como reserva, valorizando o jogo coletivo acima de qualquer individualidade.

— Quero ser claro, honesto e limpo: ele (Neymar) vai jogar se merecer jogar. O treino vai decidir isso. Acho importante não fixar toda a expectativa em cima de um só jogador — declarou o italiano no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, em meio à avalanche de perguntas sobre Neymar.

Allan Simon traçou um paralelo de como o craque tem lidado com essa incerteza inédita na seleção brasileira após ser respaldado ao longo de toda era Tite, entre 2016 e 2022. O colunista aponta que esse cenário ajuda a explicar a recente polêmica com Robinho Jr., que foi um caso de desequilíbrio emocional de Neymar.

— Pela primeira vez na vida, tá sendo arriscado de ouvir um “não” e de não ter mais o controle da Seleção, que ele sempre teve, principalmente na geração Tite. A gestão foi total feita pro Neymar fazer o que quisesse, o que também não foi bom.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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