Felipão: ‘Esse foi o problema da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014’
Ex-treinador relembrou campanha no Mundial disputado no país, há 12 anos; derrota por 7 a 1 marcou carreira do profissional
Luiz Felipe Scolari tem sentimentos mistos ao se recordar do período à frente da seleção brasileira. Campeão mundial em 2022, o treinador também carrega o peso de ostentar a pior derrota do Brasil em uma Copa do Mundo — 7 a 1, diante da Alemanha, na semifinal de 2014. Por anos, Felipão buscou escapar desse trauma; hoje, traça uma análise mais realista do que culminou naquela tarde de julho, no Mineirão.
Felipão assumiu a seleção para a Copa do Mundo, que seria disputada no Brasil, em 2013, acompanhado por Carlos Alberto Parreira como auxiliar técnico. A ideia da CBF, à época, era construir a comissão técnica com os técnicos campeões do tetra e do penta, em busca do hexacampeonato mundial. Na Copa das Confederações daquele ano, a conquista deu fôlego para a preparação até o Mundial — mas também foi negativa a longo prazo.
A seleção brasileira em 2013 conquistou a Copa das Confederações de forma invicta, com vitórias sobre Uruguai, Itália e Espanha na final, por 3 a 0 — atual campeã mundial à época. No primeiro torneio sob o comando de Felipão, que sucedeu Mano Menezes durante o ciclo para a Copa do Mundo, o Brasil se destacou também pelas atuações de Paulinho, Fred e Neymar.
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— Esse foi o problema de 2014, que ganhou a Copa das Confederações em 2013 jogando maravilhosamente bem, bonito, todo mundo alegre, feliz. Em 2014, deu uma série de probleminhas, não com os jogadores, mas entre nós lá dentro — afirmou o treinador, em entrevista ao “GE”.
Expectativa e pressão atrapalharam preparação da seleção brasileira em 2014
Após a Copa das Confederações, o Brasil chegou motivado para a disputa do Mundial, em casa. Diferentemente do ano anterior, a equipe não conseguiu repetir os desempenhos do segundo torneio consecutivo sob o comando de Felipão. Esta expectativa criada sobre o elenco, na visão do treinador, prejudicou a campanha no país.
— Nós temos que assumir algumas dificuldades e deu errado. Depois, jogar no Brasil é muito difícil, mais difícil do que jogar fora. Jogar fora não tem a pressão que se tem aqui — contou Felipão.
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Durante a preparação na Granja Comary e na concentração na Copa do Mundo, a delegação brasileira teve o assédio de torcedores, patrocinadores, dirigentes, entre outros, que atrapalharam o elenco, na visão da comissão técnica. Na Copa do Mundo de 2002, em comparação, a Família Scolari esteve blindada durante o torneio disputada na Coreia do Sul e Japão.
— Nós não conseguimos blindar ou fechar totalmente a Seleção da forma como blindamos ou como estávamos blindados em 2002. Foi muito problemático, porque a gente tinha de tomar umas atitudes que impactavam junto às pessoas que trabalhavam conosco, comerciais, empresas que eram patrocinadoras, uma série de detalhes. Interesses pessoais, interesses de grupos dentro da Seleção — destacou o treinador.
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Brasil teve melhor campanha com Felipão, apesar de vexame na Copa do Mundo de 2014
A derrota por 7 a 1, apesar de marcar negativamente o trabalho de Felipão à frente da seleção brasileira, foi o melhor resultado em Copas do Mundo desde o título, em 2002. À época, o treinador acreditava que a derrota no Mineirão poderia ficar mais marcada do que o título conquistado 12 anos antes.
— Uma coisa eu posso te dizer: depois de 2002, que a Seleção ganhou o Mundial, 2014 foi quarto lugar. Foi o melhor lugar que nós chegamos até hoje. É ruim? Sim, foi ruim, mas ainda foi o melhor lugar. Ninguém lembra disso — afirmou o treinador.
Depois de 2014, Felipão assumiu o comando do Grêmio — a convite do então presidente Fábio Koff. Também colecionou passagem pela China, antes de retornar ao Brasil, para assumir o Palmeiras, em 2018.
— Levei um tempo para assumir (que a derrota marcaria sua carreira), mas depois foi normal porque este é o pensamento que acho ser da população. Alguém tem de assumir e, se um desastre aconteceu… Se eu fosse escolher, trabalhar, fizesse tudo… Agora fará de novo? Vai mudar tudo? Não! Eu não mudaria porque entendia à época que aquilo era o melhor — disse.
Atualmente, Felipão se afastou da função de treinador, para assumir o cargo de coordenador técnico do Grêmio. Seu último trabalho foi à frente do Atlético-MG, entre 2023 e 2024, quando iniciou a temporada que culminaria no vice-campeonato da Copa do Brasil e da Libertadores.