Como estreia de Ancelotti deixou ‘pistas’ de formação ideal da seleção brasileira na Copa do Mundo
Diante do Japão, italiano deve repetir escalação inicial pela primeira vez à frente do Brasil após 15 partidas
Carlo Ancelotti deverá, pela primeira vez, repetir uma escalação à frente da seleção brasileira. Depois da vitória por 3 a 0 sobre a Escócia, na melhor atuação nesta Copa do Mundo, o Brasil tende a ir à campo contra o Japão nesta segunda-feira (29), às 14h (de Brasília), pelos 16-avos de final, com os mesmos 11 iniciais da última rodada, contra a Escócia.
Depois de 15 partidas desde junho de 2026, o treinador italiano dá sinais que encontrou sua formação ideal para a seleção brasileira. Se não houver nenhum corte de última hora, por lesão nos treinamentos, a tendência é que o Brasil entre em campo no Estádio de Houston, no Texas, com uma escalação idêntica à que encerrou a participação na fase de grupos.
Simulador da Copa do Mundo: Veja possível chaveamento
Em campo, contra a Escócia, o Brasil conseguiu colocar em prática aquilo que Ancelotti ambicionava desde sua estreia com a Amarelinha: um ataque móvel e construído ao redor de Vinicius Júnior. Foi assim que a Seleção entrou em campo em 5 de junho de 2025, contra o Equador pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Um ano depois, e depois de testes com diversas formações, a escalação ideal se assemelha àquela do duelo em Guayaquil.
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— Agora estamos jogando como uma equipe. Não estamos perfeitos, temos coisas a melhorar. Podemos ser um pouco mais rápidos quando temos o controle da bola. Estou contente porque o time melhorou muito. No mata-mata a solidez é muito importante, temos um time sólido — afirmou Ancelotti, após a vitória sobre a Escócia.
Estreia mostrou visão de Ancelotti para a seleção brasileira
Ancelotti chegou à seleção brasileira em maio de 2025, depois de ter disputado quatro temporadas no Real Madrid ao lado de Vinicius Júnior. O camisa 7 — que na estreia do treinador vestiu a 10 — conquistou duas Champions League ao lado do italiano e foi eleito melhor jogador do mundo pela Fifa, em 2024. A ideia, portanto, era construir uma equipe para o atacante.
Até aquele momento, quando Ancelotti assumiu, o Brasil ainda sofria com a ausência de Neymar, lesionado desde 2023. Vini Jr, apesar de ter tido bons números na Copa do Mundo de 2022, não havia conseguido assumir o protagonismo com Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior, que comandaram a Seleção desde a saída de Tite.
O empate por 0 a 0 diante do Equador, ofensivamente, mostrou pouco das ideias de Ancelotti. Mas em campo, o Brasil teve uma formação semelhante àquela adotada contra a Escócia. Vini Jr, na esquerda, foi o atleta mais próximo do gol em relação a Richarlison e Estêvão, que completaram o trio ofensivo.
Ancelotti planejava que Vini tivesse a liberdade para flutuar pelo campo, podendo ficar centralizado e até mesmo cair pela direita — como ocorreu ao longo desta Copa do Mundo. Contra o Equador, ele ainda ficou preso à ponta-esquerda, mas teve uma grande chance, ainda no primeiro tempo, em um jogo pouco produtivo da Seleção.
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— Sou atacante, mas jogo também pelo lado, não costumo fazer tantos gols. Nesta Copa, o Mister mudou minha posição, onde consigo me adaptar muito bem, fazer os gols e ajudar a equipe, que é o mais importante — afirmou o atacante, à “CazéTV”, após a partida contra a Escócia.
Vini participou diretamente de cinco dos sete gols da seleção brasileira nesta Copa do Mundo. Além de marcar quatro vezes, assistiu o tento de Matheus Cunha na vitória sobre o Haiti, pela segunda rodada do Grupo C. Contra a Escócia, sem Raphinha, com lesão muscular na coxa, ele ainda precisou assumir a responsabilidade ao se tornar a referência no ataque da seleção brasileira.
Além disso, com um falso 9, o Brasil é capaz de reforçar seu meio-campo, com um “losango”. Ainda que não tenha tirado o zero do placar, as ideias para o que Ancelotti tinha para o futuro estiveram presentes na partida contra o Equador — e devem ser lapidadas até a Copa do Mundo de 2030, quando se encerra seu contrato com a CBF.
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Brasil sofreu diversas mudanças desde a estreia de Ancelotti
Desde a partida contra o Equador, Vini foi o único atacante mantido para a Copa do Mundo em relação escalação inicial. No meio-campo, Bruno Guimarães e Casemiro também iniciaram aquela partida e estão na formação do Mundial. No setor defensivo, apenas Marquinhos segue entre os titulares desde a estreia de Carlo Ancelotti, além do goleiro Alisson.
O treinador buscou diversas alternativas para os setores. Enquanto Bruno Guimarães sempre foi uma certeza na direita do meio-campo, Ancelotti iniciou a partida contra o Equador com o volante Gerson na esquerda. Para a Copa do Mundo, Lucas Paquetá ficou encarregado da função, titular nas três partidas da fase de grupos.
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O mesmo vale para o ataque. Ainda que contra Marrocos o treinador tenha testado Igor Thiago como um centroavante de referência no ataque, o Brasil funcionou melhor com Matheus Cunha contra Haiti e Escócia — em função semelhante àquela que Richarlison teve diante do Equador. E por forças maiores, Estêvão, com uma lesão muscular de grau 4, deu lugar para Raphinha e, consequentemente, Rayan.
Nas laterais, idem. Vanderson, do Mônaco, iniciou a partida contra o Equador; Wesley conquistou a posição ao longo do ciclo, mas uma lesão muscular, às vésperas da Copa do Mundo, fez com que Danilo assumisse a titularidade. Na esquerda, Alex Sandro, titular na estreia do treinador, ainda faz parte dos 26 convocados para a Copa do Mundo, mas perdeu a vaga nos 11 iniciais para Douglas Santos, do Zenit.
Escalação da seleção brasileira será mantida contra o Japão?
Ancelotti, sempre que perguntado sobre a escalação titular, reforça a ideia de que não tem apenas 11 nomes ideais. Mesmo que a seleção brasileira tenha atingido seu melhor desempenho diante da Escócia, isto não significa, necessariamente, que o time titular será mantido — ainda que seja um forte indício.
Rayan se destacou, tanto na parte defensiva quanto ofensiva, ao substituir Raphinha. Os demais nomes já haviam começado a partida contra o Haiti, na vitória por 3 a 0. Se optar por fazer alterações, Ancelotti pode deixar o atacante do Bournemouth no banco em favor de Luiz Henrique, que também ganhou oportunidades ao longo deste ciclo, e até por Endrick, que atuou na direita durante sua passagem pelo Lyon.
Se não houver mudanças, o Brasil irá a campo nesta segunda-feira contra o Japão com o seguinte time titular:
Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Bruno Guimarães, Casemiro e Lucas Paquetá; Rayan, Matheus Cunha e Vini Jr.