O que você precisa saber sobre a seleção japonesa na Copa do Mundo
Adversário do Brasil nos 16-avos de final vem de dez partidas de invencibilidade e impôs derrotas a gigantes desde Mundial de 2022
O Brasil tem seu adversário definido nos 16-avos de final da Copa do Mundo. Nesta segunda-feira (29), às 14h (de Brasília), a seleção brasileira enfrenta o Japão no Estádio de Houston, no Texas. Será o primeiro desafio de Carlo Ancelotti num jogo eliminatório, e que pode trazer muitas dificuldades para a Amarelinha.
A seleção brasileira não costuma ter dificuldades no primeiro confronto mata-mata em Copas do Mundo. A última vez em que o Brasil foi eliminado nas oitavas de final foi em 1990, diante da Argentina, no Mundial da Itália. Desde então, avançou ao menos até as quartas — mesmo que com dificuldades em algumas partidas.
Com o Japão, a tendência é que o Brasil tenha mais dificuldades . Antes da Copa do Mundo, a seleção asiática tinha um dos elencos mais promissores do torneio — e já ameaçava cruzar com a Seleção a partir dos 16-avos de final. Vice-líder do Grupo F, o confronto foi confirmado nesta quinta-feira, depois do empate entre japoneses e suecos, por 1 a 1.
Japão levou perigo a seleções europeias na Copa do Mundo
A seleção japonesa teve bons desempenhos contra Países Baixos e Suécia, apesar dos dois empates na fase de grupos, por 2 a 2 e 1 a 1, respectivamente. Além desses resultados, também somou três pontos diante da Tunísia, na segunda rodada, em vitória por 4 a 0.
Essa preocupação do Brasil com o Japão se justifica no desempenho da equipe. Contra a seleção neerlandesa — em um dos melhores jogos da Copa do Mundo até aqui —, os japoneses controlaram a posse de bola (60%), trocaram mais passes (534 a 341) e criaram mais oportunidades de perigo do que os Países Baixos.
Comandados por Hajime Moriyasu há oito anos, a seleção japonesa vive o melhor momento de sua história. O treinador, que costuma anotar tudo em um pequeno caderno à beira do campo — e utiliza de métodos pouco ortodoxos no futebol, como placas, para sinalizar o tempo de jogo a seus atletas —, faz com que o Japão se permita sonhar com a melhor campanha de sua história em Mundiais.
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Até aqui, o melhor desempenho da seleção foi conquistado em 2002, como país-sede, ao chegar às oitavas de final. Passou perto de superar esta marca em 2022, quando caiu nos pênaltis, já com Moriyasu, diante da Croácia. Os feitos sob o comando do treinador permitem que os Samurais Azuis sonhem em destronar o Brasil.
Além dos bons desempenhos nesta Copa do Mundo, em que controlou a posse de bola em todos os confrontos, o Japão impôs derrotas a gigantes do futebol desde a Copa do Mundo de 2022. Naquela edição, surpreendeu Alemanha e Espanha para avançar em primeiro no grupo — deixando a tetracampeã mundial pelo caminho.
Além disso, vem de dez jogos de invencibilidade no ciclo, mesmo tendo enfrentado Inglaterra, Escócia, Brasil, Gana e Paraguai — que se classificaram para esta Copa do Mundo — em amistosos antes do Mundial.
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Japão teve de superar lesões na Copa do Mundo
Ancelotti sabe dos perigos que o Japão pode trazer pelo Brasil. Antes da Copa do Mundo, por volta de março, as preocupações eram ainda maiores. Quando se enfrentaram em outubro de 2025, o Brasil foi derrotado por 3 a 2, de virada. Desde então, os japoneses só cresceram até disputar a Copa do Mundo.
Houve problemas semanas antes do Mundial, no entanto. Três destaques da seleção japonesa tiveram de ser cortados por conta de lesões. Kaoru Mitoma, Takumi Minamino e Wataru Endo. Este, meio-campo do Liverpool, chegou a ser convocado, mas deixou a concentração às vésperas da estreia.
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Problemas estes que, neste primeiro momento, foram superados por Moriyasu. Desde sua chegada, o treinador soma 74% de aproveitamento pela seleção japonesa e apenas uma derrota em Copas do Mundo — contra a Costa Rica, por 1 a 0, na fase de grupos de 2022.
Além destes três nomes, o Japão deve ter outros dois desfalques contra o Brasil: Takefusa Kubo, outro destaque, precisou ser substituído na estreia contra os Países Baixos com problemas no joelho; e diante da Suécia, Ko Itakura, zagueiro, deixou o gramado ainda no primeiro tempo, com dores.
Como o Japão tem jogado nesta Copa do Mundo?
O segredo para este sucesso, mesmo diante de tantos desfalques, é uma engrenagem sólida montada por Moriyasu desde 2018. Independentemente da peça que for a campo, o jogador saberá qual papel deve cumprir na organização tática do Japão.
Sem Mitoma e Minamino? Daizen Maeda, Ayase Ueda e Junya Ito conseguem suprir a ausência dessas estrelas. Não é à toa que seis jogadores foram responsáveis pelos sete gols do Japão até aqui na competição (apenas Ueda, contra a Tunísia, marcou duas vezes).
Cenário diferente do que o próprio Brasil. Somente Vinícius Júnior e Matheus Cunha foram às redes contra Marrocos, Haiti e Escócia no Grupo C, com quatro e três gols, respectivamente. No Japão, pelo posicionamento em campo, é possível perceber esta rotação das principais peças no ataque, sem um centroavante de referência.
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O Japão vai a campo montado em um 3-4-2-1, ou um 3-4-3. Entretanto, no posicionamento, a equipe se posta de uma forma em que é capaz de tomar controle do meio-campo adversário. É por isso que mantém a posse de bola e troca mais passes durante suas partidas.
A linha de quatro homens no meio campo recebe o apoio dos três zagueiros, que iniciam a construção das jogadas nas partidas da Copa do Mundo. Os homens de referência, durante a fase de construção, também recuam em relação à sua “posição original”, fator que permite ao Japão conquistar a superioridade no setor.
Pode ser um problema para o Brasil. Contra a Escócia, Ancelotti escalou o time com um losango no meio-campo (Casemiro próximo aos zagueiros, Lucas Paquetá e Bruno Guimarães abertos, e Matheus Cunha como um falso 9). Para superar o Japão, a chave da partida passará diretamente pelo controle neste setor — ainda que o Brasil ceda a posse de bola ao adversário, como ocorreu em todos os jogos dos Samurais Azuis até aqui.