Copa do Mundo 2026

O que você precisa saber sobre a seleção japonesa na Copa do Mundo

Adversário do Brasil nos 16-avos de final vem de dez partidas de invencibilidade e impôs derrotas a gigantes desde Mundial de 2022

O Brasil tem seu adversário definido nos 16-avos de final da Copa do Mundo. Nesta segunda-feira (29), às 14h (de Brasília), a seleção brasileira enfrenta o Japão no Estádio de Houston, no Texas. Será o primeiro desafio de Carlo Ancelotti num jogo eliminatório, e que pode trazer muitas dificuldades para a Amarelinha.

A seleção brasileira não costuma ter dificuldades no primeiro confronto mata-mata em Copas do Mundo. A última vez em que o Brasil foi eliminado nas oitavas de final foi em 1990, diante da Argentina, no Mundial da Itália. Desde então, avançou ao menos até as quartas — mesmo que com dificuldades em algumas partidas.

Com o Japão, a tendência é que o Brasil tenha mais dificuldades . Antes da Copa do Mundo, a seleção asiática tinha um dos elencos mais promissores do torneio — e já ameaçava cruzar com a Seleção a partir dos 16-avos de final. Vice-líder do Grupo F, o confronto foi confirmado nesta quinta-feira, depois do empate entre japoneses e suecos, por 1 a 1.

Japão levou perigo a seleções europeias na Copa do Mundo

A seleção japonesa teve bons desempenhos contra Países Baixos e Suécia, apesar dos dois empates na fase de grupos, por 2 a 2 e 1 a 1, respectivamente. Além desses resultados, também somou três pontos diante da Tunísia, na segunda rodada, em vitória por 4 a 0.

Essa preocupação do Brasil com o Japão se justifica no desempenho da equipe. Contra a seleção neerlandesa — em um dos melhores jogos da Copa do Mundo até aqui —, os japoneses controlaram a posse de bola (60%), trocaram mais passes (534 a 341) e criaram mais oportunidades de perigo do que os Países Baixos.

Comandados por Hajime Moriyasu há oito anos, a seleção japonesa vive o melhor momento de sua história. O treinador, que costuma anotar tudo em um pequeno caderno à beira do campo — e utiliza de métodos pouco ortodoxos no futebol, como placas, para sinalizar o tempo de jogo a seus atletas —, faz com que o Japão se permita sonhar com a melhor campanha de sua história em Mundiais.

Moriyasu, técnico da seleção japonesa
Moriyasu lidera Japão em melhor geração de sua história (Foto: Jose Breton/AFP7 via ZUMA Press Wire)

Até aqui, o melhor desempenho da seleção foi conquistado em 2002, como país-sede, ao chegar às oitavas de final. Passou perto de superar esta marca em 2022, quando caiu nos pênaltis, já com Moriyasu, diante da Croácia. Os feitos sob o comando do treinador permitem que os Samurais Azuis sonhem em destronar o Brasil.

Além dos bons desempenhos nesta Copa do Mundo, em que controlou a posse de bola em todos os confrontos, o Japão impôs derrotas a gigantes do futebol desde a Copa do Mundo de 2022. Naquela edição, surpreendeu Alemanha e Espanha para avançar em primeiro no grupo — deixando a tetracampeã mundial pelo caminho.

Além disso, vem de dez jogos de invencibilidade no ciclo, mesmo tendo enfrentado Inglaterra, Escócia, Brasil, Gana e Paraguai — que se classificaram para esta Copa do Mundo — em amistosos antes do Mundial.

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Japão teve de superar lesões na Copa do Mundo

Ancelotti sabe dos perigos que o Japão pode trazer pelo Brasil. Antes da Copa do Mundo, por volta de março, as preocupações eram ainda maiores. Quando se enfrentaram em outubro de 2025, o Brasil foi derrotado por 3 a 2, de virada. Desde então, os japoneses só cresceram até disputar a Copa do Mundo.

Houve problemas semanas antes do Mundial, no entanto. Três destaques da seleção japonesa tiveram de ser cortados por conta de lesões. Kaoru Mitoma, Takumi Minamino e Wataru Endo. Este, meio-campo do Liverpool, chegou a ser convocado, mas deixou a concentração às vésperas da estreia.

Kaoru Mitoma pela seleção japonesa (Foto: Takamoto Tokuhara/AFLO/Icon Sport)
Kaoru Mitoma pela seleção japonesa (Foto: Takamoto Tokuhara/AFLO/Icon Sport)

Problemas estes que, neste primeiro momento, foram superados por Moriyasu. Desde sua chegada, o treinador soma 74% de aproveitamento pela seleção japonesa e apenas uma derrota em Copas do Mundo — contra a Costa Rica, por 1 a 0, na fase de grupos de 2022.

Além destes três nomes, o Japão deve ter outros dois desfalques contra o Brasil: Takefusa Kubo, outro destaque, precisou ser substituído na estreia contra os Países Baixos com problemas no joelho; e diante da Suécia, Ko Itakura, zagueiro, deixou o gramado ainda no primeiro tempo, com dores.

Como o Japão tem jogado nesta Copa do Mundo?

O segredo para este sucesso, mesmo diante de tantos desfalques, é uma engrenagem sólida montada por Moriyasu desde 2018. Independentemente da peça que for a campo, o jogador saberá qual papel deve cumprir na organização tática do Japão.

Sem Mitoma e Minamino? Daizen Maeda, Ayase Ueda e Junya Ito conseguem suprir a ausência dessas estrelas. Não é à toa que seis jogadores foram responsáveis pelos sete gols do Japão até aqui na competição (apenas Ueda, contra a Tunísia, marcou duas vezes).

Cenário diferente do que o próprio Brasil. Somente Vinícius Júnior e Matheus Cunha foram às redes contra Marrocos, Haiti e Escócia no Grupo C, com quatro e três gols, respectivamente. No Japão, pelo posicionamento em campo, é possível perceber esta rotação das principais peças no ataque, sem um centroavante de referência.

Ayase Ueda é um dos destaques do Japão nesta Copa do Mundo (Foto: Mark Pain/Imago)

O Japão vai a campo montado em um 3-4-2-1, ou um 3-4-3. Entretanto, no posicionamento, a equipe se posta de uma forma em que é capaz de tomar controle do meio-campo adversário. É por isso que mantém a posse de bola e troca mais passes durante suas partidas.

A linha de quatro homens no meio campo recebe o apoio dos três zagueiros, que iniciam a construção das jogadas nas partidas da Copa do Mundo. Os homens de referência, durante a fase de construção, também recuam em relação à sua “posição original”, fator que permite ao Japão conquistar a superioridade no setor.

Pode ser um problema para o Brasil. Contra a Escócia, Ancelotti escalou o time com um losango no meio-campo (Casemiro próximo aos zagueiros, Lucas Paquetá e Bruno Guimarães abertos, e Matheus Cunha como um falso 9). Para superar o Japão, a chave da partida passará diretamente pelo controle neste setor — ainda que o Brasil ceda a posse de bola ao adversário, como ocorreu em todos os jogos dos Samurais Azuis até aqui.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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