Por que duelo entre Países Baixos e Japão sinaliza tendência na Copa do Mundo?
Empate por 2 a 2 revelou jogo de estratégias e alternâncias entre boas equipes durante os 90 minutos
Em um dos duelos mais esperados da fase de grupos da Copa do Mundo, Países Baixos e Japão se enfrentaram no AT&T Stadium, em Dallas, e fizeram jus à grande expectativa pelo confronto. Se faltaram chances contundentes no primeiro tempo, a etapa final sobrou em emoção e consumou um empate em 2 a 2.
Obedecendo o que era a tendência do duelo, neerlandeses e japoneses foram opostos em campo em grande parte dos 90 minutos. Enquanto o time de Ronald Koeman ditou as ações e tomou conta da posse de bola durante dois terços do jogo, o Japão defendeu em blocos médio e, em certos momentos, baixo, e apostou nas transições até a reta final.
Se abordamos uma tendência de estratégias, o confronto também confirmou um contraste que vem se repetindo na Copa do Mundo: dois tempos com ritmos discrepantes. Os primeiros 45 minutos totalizaram apenas sete finalizações e tiveram um caráter mais truncado, com chances de menor qualidade. A segunda etapa, por sua vez, evidenciou um duelo totalmente franco e de alternâncias diante das urgências das duas seleções.
Van Dijk destravou o jogo
Curiosamente, um defensor acabou por destravar o duelo. Após um retorno do intervalo com maior ímpeto ofensivo, Virgil Van Dijk aproveitou cruzamento de Ryan Gravenberch e abriu o placar no minuto 51. O tento neerlandês obrigou os japoneses a darem passos para frente para pressionar a saída adversária e adotarem caráter mais agressivo em terço final. Assim, a partir de aproximações mais contundentes em campo ofensivo, Keito Nakamura empatou seis minutos depois em finalização de fora da área.
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O retorno a igualdade do placar, recolocou o duelo dentro dos padrões estratégicos observados na primeira etapa: volume de posse dos Países Baixos e bloco recuado dos japoneses. Com espaços reduzidos novamente, coube a Crysencio Summerville, extremo atuando no lado oposto de sua preferência, usar do improviso para recolocar o time de Koeman em vantagem no placar. No minuto 61, o ponta do West Ham recebeu no bico da área, cortou para o pé esquerdo e finalizou colocado no canto de Zion Suzuki.
A partir do 2 a 1 parcial, a equipe de Hajime Moriyasu assumiu o controle das ações e se lançou de forma mais contundente ao ataque. Ao identificar a nova proposta da seleção japonesa, Ronald Koeman promoveu mudanças para povoar o meio-campo e tentar compactar mais suas linhas. Justamente nessa leva de alterações, Memphis Depay foi à campo. Com o passar dos minutos e as entradas de jogadores mais agudos no Japão, como Junya Ito, Koeman trouxe os neerlandeses ainda mais para trás.
A tentativa de defender em linha de cinco e, às vezes seis, com a entrada de Nathan Aké, foi um atrativo para o Japão se tornar absoluto no campo dos Países Baixos. Além disso, as opções de contra-ataque se esgotaram, principalmente após as substituições de Cody Gakpo e Summerville. Assim, os japoneses voltaram a buscar o empate no minuto 88, com gol Daichi Kamada após cabeceio de Koki Ogawa. Até então, como o esperado, o grande jogo da primeira rodada.
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Memphis Depay foi mau aproveitado?
Enquanto o primeiro tempo originou um jogo de pouco campo para explorar por parte do atacante titular dos Países Baixos, Donyell Malen, justamente em cenário pouco favorável para o jogador da Roma, a segunda etapa, já com Memphis, também não entregou um contexto favorável.
Diante do bloco médio/baixo do Japão nos primeiros 45 minutos, Malen foi cerceado, já que tem como grande valência o desmarque de ruptura. Assim, faltava criatividade e apoio aos meias, algo que Memphis costuma entregar.
No entanto, após abrir 2 a 1 no marcador, o atacante do Corinthians substituiu o camisa 18, mas foi inserido em um contexto em que os Países Baixos seriam os encarregado de explorar contra-ataques. Assim, Memphis Depay pouco fez e saiu de campo com um gosto amargo com o empate dos japoneses nos minutos finais.