‘Um grupo que traz lembranças feias’: Como a França reagiu ao duro sorteio na Copa do Mundo
A Fifa realizou o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026. Uma das grandes favoritas ao título na América do Norte, a seleção francesa conheceu seus primeiros adversários na briga por uma vaga no mata-mata: Senegal, Noruega e o vencedor da repescagem mundial entre Iraque, Bolívia ou Suriname, pelo Grupo I.
Agora, a equipe de Didier Deschamps aguarda a definição da tabela detalhada de seus jogos, incluindo horários e locais, que será divulgada neste sábado (6). Com a França na briga pelo trimundial, a Trivela conversou com o jornalista Eric Frosio, correspondente do jornal “L’Équipe” no Brasil, para avaliar as expectativas da seleção.
Grupo da morte?
— Um grupo que traz lembranças feias.
Foi assim que Frosio começou sua análise sobre os primeiros adversários dos franceses no Mundial. O jornalista relembrou o trauma com os senegaleses, que foram adversários da estreia da seleção na Copa do Mundo de 2002, logo após a conquista do título inédito.

Em meio à “grande expectativa” do bimundial, a França foi surpreendida por Senegal, que venceu por 1 a 0 graças aos jogadores que atuavam majoritariamente na Ligue 1. A seleção ainda acabou eliminada na lanterna de seu grupo ao não conseguir somar nenhum ponto também contra Uruguai e Dinamarca.
— (Senegal) é um time que está cada vez mais potente. Então realmente não vai ser fácil — concluiu Eric Frosio.
O correspondente francês também salientou o crescimento da Noruega graças a Erling Haaland. Entretanto, por mais que tenha considerado a chave complicada, Frosio argumenta que o Grupo L, de Inglaterra, Croácia, Gana e Panamá, pode ser considerado “mais pesado”.
— O objetivo é terminar no primeiro lugar, (mas), de qualquer forma, os três primeiros podem avançar. Acho que o Didier Deschamps não vai gostar tanto (dos rivais).
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Campanha da seleção francesa na Copa do Mundo de 2022
Campeões do mundo em 2018, os franceses chegaram ao Catar com a missão de defender o título. Na fase de grupos, a seleção venceu Austrália e Dinamarca nas primeiras rodadas, e perdeu para a Tunísia no último jogo antes do mata-mata.

Nas oitavas de final, a França eliminou a Polônia ao vencer por 3 a 1. Já nas quartas, o time de Deschamps ganhou da Inglaterra por 2 a 1. Na semifinal, uma vitória por 2 a 0 sobre o surpreendente Marrocos garantiu o lugar na decisão.
Em uma final histórica, a seleção francesa empatou com a Argentina por 3 a 3, na prorrogação. Nos pênaltis, a equipe de Lionel Scaloni superou os europeus para erguer a taça da Copa do Mundo.
Deschamps comemora chavemento
Ainda antes da realização do sorteio, o “L’Équipe” destacou os desejos da comissão técnica francesa para a fase de grupos da Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá: fugir das regiões com altas temperaturas. Durante o Mundial de Clubes deste ano, clubes europeus reclamaram do calor durante as partidas.

Por conta disso, a expectativa da França era evitar as sedes centrais, nos estádios de Kansas City, Houston, Dallas, Guadalajara, Monterrey e Cidade do México. Em tese, são cidades que registrarão as maiores temperaturas durante o verão do hemisfério norte. Por isso, os Grupos F e K eram perigosos.
O cenário ideal para a seleção de Deschamps seria realizar a fase de grupos do Mundial no oeste ou leste estadunidense, pois o clima é mais ameno durante junho e julho. Por conta disso, o chaveamento no Grupo I pode ser considerada a grande sorte dos franceses no sorteio.
— Era o que o Didier Deschamps queria. Era a primeira opção jogar na costa, para evitar o calor e também para ter menos distâncias de viagem. Os adversários são um pouco pesados, (mas) eu acho que ele está super feliz de ter caído no grupo I.
Fato é que a intenção é garantir a liderança da chave para fugir de confrontos contra Espanha, Argentina e Inglaterra — que estão entre os quatro primeiros do ranking da Fifa — antes da semifinal da Copa do Mundo, desde que essas seleções também terminem como líderes de seus respectivos grupos.
Como foi o ciclo da seleção francesa para Copa do Mundo de 2026?
A seleção francesa deu início a sua preparação para a nova edição do Mundial visando manter a hegemonia no futebol. Para isso, Deschamps, que está no cargo desde 2012, manteve a base dos últimos anos e promoveu a chegada das novas joias.

Com uma campanha sólida nas Eliminatórias da Eurocopa, os franceses foram para o principal torneio da Uefa como favoritas ao título. Entretanto, com atuações pouco convincentes, a seleção acabou eliminada na semifinal para a Espanha — que se sagrou campeã.
— Eu diria que (o torcedor) não está encantado com essa seleção, não está apaixonado, porque faz muito tempo que o Deschamps está dirigindo. Tem um pouco de desinteresse, a paixão parou um pouquinho, como se fosse um relacionamento amoroso. Os primeiros anos já passaram e estão naquela rotina de convivência — avaliou o jornalista.
A seleção francesa demonstrou que vive um claro processo de transição, tanto que o treinador anunciou no início deste ano que deixará o comando da equipe após o término da Copa do Mundo. Zinedine Zidane, que tem sido especulado há anos, é o favorito para assumir a função.
— Está todo mundo doido para Zidane chegar, todo mundo sabe que é ele que vai pegar as chaves. Então está mais nesse momento de esperança, de virar a página e de ter um outro tipo de técnico, outro estilo com o maior ídolo da França depois do Michel Platini — reconheceu Eric Frosio.
Com o prazo de validade de Didier Deschamps, a França tentou dar uma resposta na Nations League, porém, mais uma vez, os espanhóis foram seus algozes na semi. A seleção ainda terminou com o 3º lugar da competição.
Já no segundo semestre de 2025, a seleção francesa não teve dificuldades nas Eliminatórias para o Mundial, tanto que ficou invicta nos seis jogos — com cinco vitórias e um empate. Entretanto, os momentos de desatenção e pouca intensidade seguem como asterisco às vésperas da Copa do Mundo.
— Faz tempo que não enfrentamos uma grande seleção, essas Eliminatórias foram bem chatas. É hora de acordar e de finalizar esse ciclo com chave de ouro — finalizou Frosio.



