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Após questões no Mundial, Fifa tem plano para lidar com o calor extremo na Copa de 2026

Ação foi anunciada após críticas durante o Mundial de Clubes

A Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá deve passar por mudanças para amenizar as altas temperaturas durante as partidas, tema que foi alvo de críticas e preocupação por parte de jogadores, treinadores e torcedores durante o Mundial de Clubes, realizado no país.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que durante a competição do próximo ano estádios fechados com ar-condicionado serão utilizados o máximo possível durante as partidas realizadas no período da manhã.

Segundo o jornal “The Guardian”, Infantino informou que seria feito um melhor uso dos locais com ar-condicionado nas cidades de Atlanta, Dallas, Houston e Vancouver.

Para a Copa do Mundo de 2026 serão 16 sedes: 11 nos EUA, duas no Canadá e três no México. Dos locais citados, Vancouver tem as temperaturas médias mais baixas em junho e julho entre os locais fechados.

— O calor é definitivamente um problema no mundo todo. Lembro que foi o mesmo nas Olimpíadas de Paris e em outros jogos de futebol. Mas temos estádios cobertos nos Estados Unidos e um no Canadá, em Vancouver, e com certeza usaremos esses estádios mais durante o dia — declarou o dirigente.

Entretanto, a Fifa também precisará se programar para o fuso horário do Pacífico, vivido nos três países-sede. A condição pode trazer efeitos durante a realização e cobertura do Mundial.

Entre as nações, os Estados Unidos possuem seis fusos (Havaí-Aleutas, Alasca, Pacífico, Montanhas , Central e Leste). No Canadá também são seis fusos, incluindo Pacífico, Montanhas, Central, Leste, Atlântico e Terra Nova.

Já no México são quatro fusos horários: Sudeste, Central, Pacífico e Noroeste. Isso requer que as redes de televisão aberta e paga em cada país mudem os programas a tempo para exibi-los em diferentes regiões.

A Fifa ainda não informou como trabalhará para alinhar os horários dos países durante o mundial.

Enzo Fernandez no Chelsea (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)
Enzo Fernandez no Chelsea sofre com calor durante o Mundial de Clubes (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)

Enzo Fernández faz alerta sobre o Mundial e faz apelo para Copa de 2026

O relato de Enzo Fernández em coletiva de imprensa antes da partida entre Chelsea Paris Saint-Germain no Mundial de Clubes sobre uma situação vivida durante o jogo contra o Fluminense chamou atenção sobre o torneio.

Questionado sobre o calor, o jogador dos Blues relatou uma situação delicada que aconteceu na partida contra o Fluminense, quando se sentiu mal enquanto estava em campo e precisou se deitar.

Obrigado por fazer essa pergunta, porque o calor está insuportável. Outro dia (no jogo contra o Fluminense), fiquei um pouco tonto durante uma jogada. Tive que me deitar porque estava com muita tontura.

O argentino ainda fez um alerta aos organizadores do torneio e reforçou que as condições podem prejudicar não apenas os atletas, mas torcedores que estão nos estádios. Enzo sugeriu, inclusive, que iniciativas sejam tomadas para a Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, México e Canadá.

— Jogar nessa temperatura é muito perigoso e prejudicial ao espetáculo, aos torcedores que vêm curtir o estádio e também aos que assistem em casa. A velocidade do jogo não é a mesma; tudo é muito lento. Esperemos que no ano que vem mudem a programação, pelo menos, para que seja um espetáculo e o futebol continue bonito e atraente – reforçou.

O primeiro relato de destaque aconteceu após a partida entre Borussia Dortmund Mamelodi Sundowns, ainda na fase de grupos. Durante o primeiro tempo da partida, realizada no TQL Stadium, em Ohio.

Na ocasião, os reservas do BVB assistiram ao jogo do vestiário. De acordo com o clube, a decisão aconteceu para fugir do “sol escaldante“. Na etapa final, os atletas usaram guardas-sol para tentar criar uma sombra e fugir dos 32 °C, com sensação térmica de 36 °C, que acometia a cidade às 12h (horário local).

E essa não teria sido a única ocasião de desconforto relatada pelos jogadores. Na partida entre PSG x Atlético de Madrid, no dia 15 de junho, no Rose Bowl, em Pasadena, a temperatura chegou aos 35 °C, com sensação térmica beirando os 40 °C.

O lateral-esquerdo Javi Galán, do clube espanhol, deu uma forte declaração relatando a dificuldade de respirar durante a partida.

— Era quase asfixiante e o campo ainda tinha a bola correndo muito rápido. Não estamos acostumados a jogar essa hora, mas não é uma desculpa, é igual para todos – explicou.

Já o Chelsea chegou a instalar ventiladores industriais e sprays refrescantes em sua base de treinamentos no Subaru Park, na Pensilvânia, além do técnico Enzo Maresca reduzir o treino da equipe em algumas ocasiões. 

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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