Postura do Borussia Dortmund sobre o calor no Mundial de Clubes beira o desrespeito
Jogadores do clube alemão assistiram ao primeiro tempo contra o Mamelodi Sundowns do vestiário
O clima nos Estados Unidos tem sido a principal pauta quando jogadores do Borussia Dortmund e o técnico Niko Kovac comentam seu desempenho no Mundial de Clubes. Neste sábado (21), o time alemão venceu o Mamelodi Sundowns por 4 a 3 e, como no empate com o Fluminense na abertura da competição, eles novamente mostraram dificuldade com o calor.
Durante o primeiro tempo da partida de hoje no TQL Stadium, em Ohio, os reservas do BVB assistiram ao jogo do vestiário — segundo o clube, para fugir do “sol escaldante“. Na etapa final, os atletas usaram guardas-sol para ter uma sombra e fugir dos 32 °C, com sensação térmica de 36 °C, que fervia na cidade às 12h (horário local).
— Nossos reservas assistiram ao primeiro tempo de dentro do vestiário para evitar o sol escaldante no Estádio TQL – nunca tínhamos visto isso antes, mas com esse calor, faz todo o sentido — justificou o Dortmund nas redes sociais.

Na coletiva após a partida, Kovac, seguindo a linha de duas declarações após empatar com o Fluminense, jogou parte da responsabilidade para o calor por conta de ter sofrido três gols contra um time com um orçamento muito inferior.
— Como vocês puderam ver, eu não fiz nada, estava ali fora da linha e suando como se tivesse saído de uma sauna. As condições são difíceis para as duas equipes, mas as outras estão acostumadas. Hoje não fizemos o nosso melhor jogo, mas não era possível. Foram muitos erros bobos, mas o importante é que ganhamos e vamos seguir em frente — disse após bater os sul-africanos.
Conforme citou o treinador croata, o clima é para os dois lados. Se os europeus sofrem com o calor e possam ter queda física, impactando diretamente no desempenho e intensidade, o outro lado, sejam sul-africanos ou brasileiros, terão os mesmo problemas, mesmo sendo supostamente acostumados.
A postura do Dortmund, em discurso e dentro de campo, desrespeita rivais e a competição em si, como se, para eles, fosse um fardo jogá-la. Será curioso ver parte desses mesmo jogadores atuando nos Estados Unidos daqui a um ano, para Copa do Mundo de seleções, e se terão a mesma atitude de desdém. A Alemanha, no forte calor brasileiro, foi campeã do mundo em 2014.
Vale citar, porém, que não é um absurdo falar do clima. As mudanças climáticas têm tornado as temporadas mais extremas e praticar o futebol em um calor excessivo não deveria ser normal — só não justifica a forma que o Borussia Dortmund trata o assunto.
— Neste torneio, vemos que os clubes do sul têm uma grande vantagem por causa das condições, do calor. Para os espectadores no estádio, está incrivelmente quente. Então você pode imaginar como é difícil para os jogadores. São 32 graus na sombra, então imagine com sol forte, dentro do estádio, você tem que adicionar 3, 4 ou até 5 graus — disse Niko Kovac depois da primeira rodada.
— Não são desculpas, é apenas uma explicação. É muito difícil, principalmente para os europeus. Para os jogadores do sul, é mais fácil porque estão acostumados com essas temperaturas — completou.

Postura dos jogadores do Borussia Dortmund destoam da gestão do clube sobre Mundial
Não só pelas falas do técnico, o elenco do Borussia tem mostrado certa apatia nos jogos, pouca dedicação e, mesmo com a enorme distância financeira, os jogos contra Fluminense e Mamelodi foram equilibrados ou pendeu para o lado inicialmente “mais fraco”.
A postura dos jogadores é contrária a como os diretores do clube de Dortmund olham a Copa do Mundo de Clubes, que distribui US$ 1 bilhão (R$ 5,59 bilhões) em premiação. Antes da competição, o CEO do time alemão, Carsten Cramer, garantiu que não seria uma pré-temporada.
— Há muita empolgação. Meu lema é que participar de torneios como esse é significativamente mais divertido do que ficar sentado no sofá assistindo aos outros jogarem futebol. […] Não quero me adiantar aos jogadores, mas todos que trabalham neste clube jogam em um torneio como este porque somos ambiciosos. Não é um evento de marketing, não é uma turnê de verão, é uma competição oficial — disse ao site oficial da equipe.
De quebra, ainda é mais marcante que um clube que não vence a Bundesliga há 13 anos nem ao menos se mostre focado a disputar um título internacional que tende a ganhar maior importância nos próximos anos.
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O que a Fifa diz sobre o calor dos Estados Unidos
A Fifa garantiu que tem monitorado o calor e coloca médicos nos estádios para prestar qualquer apoio caso alguém enfrente um problema de saúde. A organização implementou, antes ainda da competição iniciar, uma parada para hidratação em cada tempo dos jogos.
— Os especialistas médicos da Fifa estão em contato constante com os clubes participantes da Copa do Mundo, para cuidar da gestão do calor e aclimatização. A Fifa também estabeleceu oficiais médicos nas sedes para trabalhar em cooperação com as autoridades locais em questões de saúde, incluindo o enfrentamento ao calor — disse a entidade em nota.



