Brasil

Seleção inicia nova era com reformulação que vai de Dorival à presença de Leila

Rodrigo Caetano chega para comandar diretoria de seleções e dá mais respaldo para Dorival focar apenas no campo

Dorival Júnior chamou cinco estreantes em sua primeira convocação no comando da seleção brasileira, para os amistosos contra Inglaterra, no próximo sábado (23), e Espanha, no dia 26 de março. O número saltou para oito caras novas após os quatro cortes que o treinador foi obrigado a fazer na delegação de 26 atletas para os dois amistosos. Mas entre tantas novidades, foi outro nome revelado pelo treinador ao anunciar a lista de convocados que mais representa o novo momento vivido pela Seleção agora com Rodrigo Caetano como diretor.

– A primeira convocação seria a presidente Leila Pereira, da Sociedade Esportiva Palmeiras, que será a chefe da nossa delegação – disse Dorival Júnior, minutos antes de revelar os 26 nomes de sua convocação, em evento na sede da CBF no último dia primeiro.

Leila também é uma estreante e uma pioneira. Será a primeira vez que uma mulher chefiará a delegação da Seleção. Convidar dirigentes de clubes e de federações estaduais para ocupar o cargo de chefe de delegação é uma tradição reativada pela CBF nesta Data Fifa. Sua presença em Londres e Madri mostra bem como a CBF começa a viver uma nova era nos dois anos restantes do ciclo para a Copa do Mundo de 2026.

– Fico honrada pelo convite. Por todo o trabalho que estamos desempenhando no futebol brasileiro e, principalmente, por ser mulher. A primeira mulher chefe de delegação do futebol masculino e fico muito feliz. Não por achar que a mulher é superior por gênero, somos todos iguais. Mas por nos estarem dando oportunidade para estarmos aqui e onde quisermos – afirma Leila.

O hábito caiu em desuso ao longo do último ano. Coube ao presidente Ednaldo Rodrigues chefiar a delegação nas três convocações feitas por Fernando Diniz, o antecessor de Dorival, em 2023. O mandatário, aliás, era sempre o único dirigente dos escalões mais altos presente nas viagens para representar a instituição. Além dele, o diretor de comunicação Rodrigo Paiva também participa da rotina das Datas Fifa, para organizar a programação e a relação com a imprensa – e até mesmo nestes casos, as decisões dependiam do aval do presidente.

“Nova era” começa com chegadas de Dorival e Caetano

A Seleção chega à Europa organizada como a Seleção deveria sempre ser – mas que não vinha sendo em 2023. No ano passado, Fernando Diniz tinha de se dividir entre o Brasil e o Fluminense e ainda assumir a responsabilidade sobre questões que não diziam respeito a campo. Com Ednaldo centralizando o poder, não havia elo entre a parte da diretoria da entidade e o campo. Cabia ao treinador tomar decisões institucionais, como a de tirar Lucas Paquetá da sua primeira convocação devido a uma denúncia (não confirmada) de envolvimento em apostas esportivas, ou de cortar Antony por uma denúncia de agressão à ex-namorada.

Com a atual estrutura, tudo isso mudou. Inclusive, por exigência de Dorival Júnior. O treinador só aceitou comandar a Seleção sob a condição de estar amparado e protegido por uma estrutura de diretoria. Dito e feito. Rodrigo Caetano chegou justamente para dar este suporte ao treinador como diretor de seleções – cargo vago desde a Copa do Mundo de 2022. O dirigente acertou a contratação de Cícero de Souza, do Palmeiras, para o cargo de gerente. O ex-zagueiro Juan, ex-Flamengo, também já foi confirmado pela CBF como coordenador técnico e trabalhará com o técnico no dia a dia. Por falar em jogadores multicampeões, o retorno de Taffarel para a função de preparador de goleiros também é uma novidade nesta Data Fifa.

A nova estrutura de diretoria e comissão técnica da Seleção (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

A entidade segue em busca de mais profissionais para funções ainda vagas. Mas hoje, o Brasil tem um organograma, de fato, com cargos e responsabilidades bem definidos – bem diferente de 2023, em que Ednaldo Rodrigues centralizava todas as decisões.

Com a estrutura atual, o diretor de seleções Rodrigo Caetano ocupa o cargo máximo desta hierarquia. Ele é o responsável por coordenar todas as decisões que envolvem as seleções principal e de base e tem linha direta com o presidente Ednaldo Rodrigues. O gerente de seleções Cícero de Souza trabalha em contato direto com Caetano para solucionar as demandas de dia a dia e fazer a ligação com os demais departamentos da CBF. O supervisor de seleções Sérgio Dimas cuida de questões ligadas a logística, enquanto o gerente técnico Juan trabalha junto à comissão técnica e aos jogadores, mais ligado ao trabalho de campo.

> Organograma da Seleção

  • Diretor de seleções: Rodrigo Caetano
  • Gerente de seleções: Cìcero de Souza
  • Supervisor de seleções: Sérgio Dimas
  • Gerente técnico: Juan

Dorival pode focar apenas no campo

Com toda uma estrutura de amparo nos bastidores, Dorival Júnior e sua comissão técnica têm liberdade para focar apenas no trabalho de campo. Esta também é uma diferença em relação ao seu antecessor. O treinador dirige 100% de seus esforços à Seleção, enquanto Diniz dividia suas atenções com o Fluminense que ele conduziu ao título da Libertadores.

Isso faz diferença especialmente nos períodos fora da Data Fifa. Antes da primeira convocação, Dorival teve tempo de sobra para rodar a Europa e observar in loco e conversar com jogadores brasileiros que podem pintar na Seleção. O treinador esteve por Espanha, França e Inglaterra e se encontrou com atletas de Real Madrid, Barcelona, PSG, Manchester United, Tottenham e Wolverhampton. O técnico também assistiu partidas de Manchester City, Arsenal e Liverpool.

Ele esteve, por exemplo, em Wembley para acompanhar a final da Copa da Liga Inglesa, com vitória do Liverpool sobre o Chelsea. E também marcou presença na vitória do Wolverhampton sobre o Tottenham. Algo que Fernando Diniz nunca conseguiria fazer.

>A comissão técnica de Dorival:

  • Lucas Silvestre – Auxiliar técnico
  • Pedro Setero – Auxiliar técnico
  • Celso de Rezende – Preparador físico
  • Pedro Campos – Auxiliar da preparação física
  • Taffarel – Preparador de goleiros
  • Marquinhos – Auxiliar da preparação de goleiros
  • Guilherme Passos – Fisiologista
  • Guilherme Lira – Analista de desempenho
  • João Marcos – Analista de desempenho
  • Thomaz Koerich – Analista de desempenho
  • Rodrigo Lasmar – Chefe do departamento médico
  • Felipe Kalil – Médico
  • Andréa Picanço – Nutróloga
  • Marisa Lúcia Santiago – Psicóloga
Dorival Júnior, ao lado de Rodrigo Caetano e Juan – CBF agora tem estrutura de diretoria (Staff Images / CBF)

Contratação de psicóloga também é novidade

Dorival Júnior assumiu o cargo de técnico da Seleção com o cuidado com a saúde mental dos jogadores como uma de suas prioridades. A psicóloga Marisa Lúcia Santiago, do Bahia, foi contratada e apresentada pela CBF já em Londres na última segunda-feira (18). A Seleção volta a contar com uma psicóloga depois de dez anos. O cargo estava vago desde a Copa do Mundo de 2014, com Felipão.

Autonomia a Caetano foi promessa de Ednaldo Rodrigues

A reformulação no organograma de comando das seleções é a primeira missão de Rodrigo Caetano, recebida ainda antes da assinatura de seu contrato com a CBF. Desde que deu seu “sim” a Ednaldo Rodrigues, o diretor iniciou os trabalhos para definir uma estrutura de trabalho permanente não apenas para os jogos e os dias de treinos na Data Fifa.

– Já começamos o nosso trabalho, que é de muito planejamento e muita estruturação para poder entregar aos atletas da Seleção a melhor estrutura de pessoas – disse o dirigente na oportunidade.

O trabalho é conduzido com autonomia total pelo diretor. Uma das condições impostas por Caetano para deixar o Atlético-MG era justamente ter os poderes para conduzir as mudanças que entendesse necessárias na estrutura da CBF. Ednaldo deu sua palavra ao executivo.

– Rodrigo terá autonomia total nas modificações necessárias para a seleção brasileira continuar sendo uma Seleção vencedora, forte e identificada com os torcedores. (O Rodrigo) tem a confiança irrestrita do presidente neste momento difícil que não só a seleção principal, mas também de base, se encontra. Ele terá a distinção para fazer o trabalho não só na seleção principal, mas uma reestruturação geral das seleções masculinas.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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