Brasil

Leila é a primeira mulher a chefiar uma delegação da Seleção — e isso significa muito

Trivela conversa com importantes nomes do jornalismo esportivo para responder ao questionamento: qual o peso de Leila Pereira para as mulheres do futebol?

Figura combativa e por vezes controversa, Leila Pereira se tornou a primeira mulher a chefiar a delegação da Seleção Brasileira. Nesta segunda-feira (18), a presidente do Palmeiras desembarcou em Londres, onde está reunido o elenco da canarinho para o amistoso contra a Inglaterra no próximo fim de semana. Em seu primeiro discurso, a dirigente destacou a própria presença como um momento “inovador” para o futebol brasileiro — e ela tem toda razão.

Não há dúvidas sobre a relevância de Leila no ambiente machista do futebol. Sua gestão no clube alviverde é um sucesso, com muitos títulos e números impressionantes. No entanto, há muito o que se discutir sobre os espaços desbravados pela empresária e jornalista, que ocupa um lugar de muitos privilégios mesmo sendo mulher.

Dito isso, alguns questionamentos ficam no ar: qual o peso de Leila Pereira para as mulheres do futebol? Será que ela chegaria tão longe se não fosse uma bilionária?

A Trivela conversou com importantes nomes do jornalismo esportivo para responder a esses questionamentos.

Milly Lacombe, colunista do UOL

— Eu argumentaria que a figura dela não tem nada de controversa. Acho que ela faz um trabalho bastante bem-sucedido como dirigente. Não apenas pelos títulos e pela notável administração da dívida, mas por atuar firmemente na manutenção de ídolos, desde Abel até Gomez passando por Zé Rafael e Veiga. Como dirigente ela está na frente dos demais. Ver uma mulher exercer a liderança nesse espaço de poder é encorajador.

— A coletiva só para mulheres que ela convocou deu a todas nós a certeza de que ela está nisso também pelo coletivo. Foi importante como recado. Ter mulheres em situação de poder que atuem na manutenção do sistema não nos interessa. Queremos rupturas. O que une a mega-empresária e dirigente Leila a cada uma de nós aqui nesse chão de fábrica da vida são as dores que passamos. Leila percebeu isso. Mas seria importante dizer que essa inclusão precisa chegar aos homens também. Os dirigentes devem se encorajar pela postura inovadora de Leila e seguir caminhos originais. Como? Podemos orientá-los nessa jornada.

Milly Lacombe – colunista do UOL

Alicia Klein, colunista e comentarista do Sportv

— A presença da Leila nesses espaços é fundamental. Ainda que ela própria não abra essas portas diretamente, que ela mesma não alce outras mulheres, ela é uma referência. Ela é uma referência de que é possível, e a gente sabe a importância da gente conseguir se ver nos espaços. Sem dúvida, é muito importante ter mulheres nesses espaços, e agora ela conseguiu ocupar esse espaço também na Seleção. É muito marcante — e é tão marcante quanto é triste — que a gente esteja em 2024 ainda falando de mulheres inaugurando cargos e posições inéditas (no futebol), mas certamente é melhor do que não ter. 

— O privilégio que ela tem, de ser uma mulher branca e bilionária também ajuda, quando ela se utiliza disso para poder até debochar de alguns de seus adversários, para poder fazer críticas a esse universo machista… Sabendo que ela tem uma posição de privilégio inabalável, por ser dona de tantas empresas, tão rica e presidente de um dos maiores clubes do Brasil. Então acho que a gente poder se ver nesses espaços é muito importante. E acho fundamental que outras mulheres venham, até para a gente poder elogiar ou criticar da mesma maneira que fazemos com os homens.

Alicia Klein – colunista e comentarista do Sportv

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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