Nem mesmo título, quebra de tabu e vaga no Paulista fazem Carpini conquistar torcida do São Paulo
São Paulo encerra primeira fase do Paulista com resultados expressivos, mas sofrimento e postura da equipe contra o Ituano deixam (muitas) dúvidas
Thiago Carpini completa dois meses exatos de São Paulo nesta segunda-feira (11). Um dia depois de garantir a vaga nas quartas de final do Campeonato Paulista com requintes de sofrimento e gol marcado nos acréscimos na vitória por 3 a 2 sobre o Ituano, no último domingo (10), no Estádio Novelli Júnior. E mesmo assim, a sua entrevista depois da partida e da classificação serviu muito menos para comemorar e muito mais para dar explicações à torcida.
O que soa estranho pelos resultados do Tricolor nesta temporada. Nos 13 jogos até agora em 2024, o São Paulo encerrou o tabu de nunca ter vencido o Corinthians em Itaquera, conquistou o título inédito da Supercopa do Brasil e encerrou a fase de grupos do Paulistão na liderança do grupo e com a terceira melhor campanha geral. Em tão pouco tempo no cargo, Carpini já coleciona bons motivos para se orgulhar – todos eles, elencados pelo próprio técnico na coletiva ainda no Novelli Júnior. E mesmo assim, o treinador de 39 anos, em seu primeiro trabalho em um grande clube, ainda não conseguiu conquistar de vez a confiança dos torcedores.
– A terceira melhor campanha, a quebra do tabu, título, classificação à próxima fase, então eu vejo um saldo muito positivo. É tudo que queríamos para o São Paulo? De maneira nenhuma. Estamos no caminho. É um processo de construção para uma temporada, não para uma competição. E uma competição em que nos permitimos ajustar, ver o que temos de melhor, testar, tem que ser no estadual. Não na Libertadores – afirma o treinador, em tom de quem deve explicações à torcida.
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Postura em Itu explica cobranças da torcida (mas não é só isso)
O gol de pênalti marcado por Lucas Moura já nos acréscimos trouxe alívio e a classificação aos são-paulinos, mas elas não aplacaram as críticas fortes ao técnico Thiago Carpini por suas escolhas no decorrer da partida. Tudo isso, porque o treinador optou por tirar Luciano e colocar Diego Costa como um terceiro zagueiro no segundo tempo, quando o São Paulo ainda vencia por 2 a 1 e já administrava o jogo. A postura de recuar a equipe resultou no gol de empate em 2 a 2 do Ituano, com um resultado que eliminaria o Tricolor no Paulistão.
Após a partida, o técnico até tentou explicar os motivos que o fizeram adotar esta estratégia. De acordo com Carpini, a ideia era dar mais segurança à defesa para combater a bola aérea do Ituano. Além disso, a avaliação de momento do treinador ao tomar a decisão era de que o jogo estava controlado. As palavras, porém, não apagaram a impressão de que o São Paulo escolheu recuar para segurar um resultado apertado contra a equipe que acabou rebaixada como lanterna no estadual.
– Estava um jogo controlado. Quando o Alberto coloca o Salatiel, um cara com muita presença de área, eu optei por fortalecer um pouco o sistema defensivo e controlar o jogo com as entradas do James e do Rafinha. Caminharia para um final mais tranquilo, que era o que se apresentava no jogo no segundo tempo. A ideia era proteger a entrada de área, tirar as dobras que aconteceram muito pelos lados. Vão associar os três zagueiros ao gol. Eu já penso de outra maneira. Mas respeito opiniões. Daquilo que pensamos de estratégia aconteceu. Foram mais falhas de tomadas de decisões que aconteceram durante a partida. Eu fiquei contente, mas claro que são situações a serem melhoradas sempre – disse Carpini.
VAMOS, SÃO PAULO!!! 🇾🇪 pic.twitter.com/v7KprrETDl
— São Paulo FC (@SaoPauloFC) March 10, 2024
Mas a verdade é que as cobranças e o clima de desconfiança vêm de muito antes do jogo decisivo. O São Paulo chegou à última rodada obrigado a vencer para se classificar porque viveu dias de turbulência desde o título da Supercopa. Foi como se a equipe tivesse parado de evoluir, e isso se refletia nos resultados em campo. Antes da vitória sobre o Ituano, o Tricolor vivia uma sequência de apenas duas vitórias nos sete jogos disputados após a conquista diante do Palmeiras no Mineirão.
No Campeonato Paulista, as estatísticas mostram que a defesa é o setor que mais apresenta dificuldades – e que, por consequência, precisa de ajustes urgentes. O São Paulo sofreu 12 gols em 12 jogos no estadual. Uma média de um gol por jogom que mostra como a equipe oscila e explica por que a classificação só veio na última rodada.
Defesa é o grande problema do São Paulo no Paulistão (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)Mas Carpini elenca também outros motivos para tanta dificuldade – e com razão. O São Paulo sofreu com lesões durante todo este início de ano, enquanto o treinador tentava implementar suas ideias. Além disso, o clube caiu no grupo mais disputado do Paulistão. Eliminado com 21 pontos, o São Bernardo se classificaria com folgas em todas as outras chaves, e inclusive seria líder do Grupo C.
– Eu vejo ela (a campanha) muito satisfatória. A gente herda um trabalho vitorioso, mas não deixa de ser um trabalho de reconstrução. O sucesso depois do sucesso é muito difícil. É natural uma zona de conforto, algumas coisas acontecerem. E às vezes, atrapalha o processo. Implementar algumas ideias novas, suprir algumas ausências no nosso elenco, problemas de lesões. Essa foi uma tônica do São Paulo em 13 jogos de competição. Se a gente colocar um panorama disso tudo, tendo que nos reinventarmos coletivamente e individualmente, fomos a terceira melhor campanha. O sufoco foi porque caímos na chave mais complicada. O São Paulo poderia ter ficado fora com 20 pontos – justifica o treinador.
Com tudo isso, O técnico segue respaldado pela diretoria de futebol e tem confiança para desenvolver seu trabalho de olho nas principais disputas da temporada — a Libertadores, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. A avaliação interna é de que a equipe está no caminho certo e de que os desfalques atrapalharam bastante o rendimento e a adaptação às ideias e estilo de jogo de Carpini nesta primeira fase do estadual. Isso não mudaria, mesmo que o pior tivesse acontecido em Itu.
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São Paulo enfrenta o Novorizontino nas quartas
Com a vitória, o São Paulo avança às quartas de final na liderança do Grupo D, com 22 pontos – mesma pontuação do Novorizontino, segundo colocado devido à diferença no saldo de gols. As duas equipes agora se enfrentam em jogo único pelas quartas de final no MorumBIS. O Tricolor fechou a fase de grupos com a terceira melhor campanha geral, atrás apenas de Palmeiras, primeiro colocado, e Santos, que ficou em segundo.



