Brasil

Ataque ruim foi ‘Calcanhar de Aquiles’ e quase custou caro ao Cruzeiro em 2023

Pior ataque do Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro enfureceu seus torcedores com sucessivas falhas ofensivas, que deixaram clube próximo da Série B

Dentre todos os problemas que assolaram o Cruzeiro em 2023, sem dúvidas o pior deles foi o ataque da equipe. O time celeste até conseguiu criar chances em boa parte do ano, mas jogadores em péssima fase, falta de confiança e uma pitada de má sorte, em alguns casos, os gols foram escassos. Foram 50 bolas na rede em 52 partidas, contando o Campeonato Mineiro, números assustadores para um time conhecido pela histórica vocação ofensiva.

Apesar de ter sido um capítulo à parte no ano do Cruzeiro, o estadual já contava com um trio ofensivo que seria titular na maior parte da temporada, formado por Wesley, Bruno Rodrigues e Gilberto. Mesmo se tratando de uma competição com adversários de menor qualidade, o time celeste não conseguiu deslanchar e fez apenas 12 gols em 10 jogos, caindo na semifinal. Na Copa do Brasil, com Pepa, após fazer o dever de casa e eliminar o Náutico, a equipe estrelada perdeu um caminhão de gols no confronto contra o Grêmio e foi eliminada por um placar agregado de 2 a 1.

Mas a situação ficou insustentável no Brasileirão. Sob o comando de Pepa, o Cruzeiro foi superior que seus adversário em diversas partidas, mas a falta de gols fez com que o trabalho do português fosse se desgastando até que ele fosse demitido. Com Zé Ricardo, o panorama não melhorou. A passagem de Paulo Autuori foi mais efetiva, com o time celeste falhando mais defensivamente, mas ainda assim, um caminhão de gols foi perdido. Nem as açucaradas bolas do excelente Matheus Pereira, que conseguiu ter sequência na parte final do ano, foram suficientes para vencer essa sina.

O Cruzeiro terminou o Campeonato Brasileiro com 35 gols em 38 jogos, o pior ataque da competição. Isso levando em conta que a equipe celeste marcou 16 destes em apenas cinco jogos, contra Red Bull Bragantino (3), América-MG (4), Athletico-PR (3), Santos (3) e Bahia (3). Jogadores foram afastados, contratados, liberados, criticados, mas no fim ficou a certeza de que um ataque melhor faria o time celeste ter um ano mais proveitoso.

Esses foram os pontos fortes do ataque do Cruzeiro

Após um ano como o de 2023, é difícil apontar pontos positivos no ataque do Cruzeiro, mas quatro pontos merecem destaque, começando pela criação. Se o time celeste abusou de perder gols, foi porque criou chances. Para se ter uma ideia, a taxa de conversão de gols da Raposa no Brasileirão foi de 7%. A equipe criou, em média, 1.8 chances claras por jogo e desperdiçou 1.4 delas. Outro ponto positivo foi a temporada do atacante Bruno Rodrigues, jogador mais efetivo do elenco, que terminou o ano com 13 gols e sete assistências, liderando ambos os quesitos, mesmo que reserva em alguns momentos. O camisa 9 terminou o ano valorizado e após receber proposta maior do que o clube mineiro está disposto a pagar, não deve mais vestir a camisa azul.

Quem agradou, também, foi o meia Matheus Pereira. Após chegar com status de craque, o jogador se lesionou já em sua segunda aparição e ficou cerca de oito semanas sem treinar. Quando voltou, demorou um pouco para engrenar, mas assim que entrou no ritmo, se tornou o atleta mais diferenciado da equipe, empilhando boas jogadas e criando diversas chances para seus companheiros. Existe boa expectativa para seu 2024. Outro destaque foi o garoto Robert, que com apenas 18 anos foi importante na permanência do Cruzeiro na Série A e aparece com uma excelente perspectiva de futuro.

Esses foram os pontos fracos do ataque do Cruzeiro

Se foi difícil elencar pontos positivos do ataque celeste, os negativos vêm aos montes. O número de chances perdidas pelo Cruzeiro na temporada foi assustador e quem assistia o time jogar entendia o porquê de um ataque tão negativo no Brasileirão. Tomadas de decisão ruins, nervosismo, falta de qualidade e capricho, preciosismo, tudo parecia formar uma nuvem sobre o momento de definição celeste, prendendo o grito de gol na garganta do cruzeirense em diversas oportunidades.

A má fase de alguns atletas também contribuiu para o cenário. E citando isso, é preciso criticar, também, a diretoria celeste, que contratou mal para o setor e, mesmo enxergando o maior problema do time de forma clara, não conseguiu se reforçar com qualidade na janela de inverno. Passaram pelo ataque do Cruzeiro nomes como Gilberto, Henrique Dourado, Wesley, Paulo Vitor, Stênio, Rafael Elias, Nikão, todos eles com desempenhos muito ruins, que irritaram profundamente o torcedor. Todos estes atletas, com exceção de Papagaio, ficaram afastados da equipe por um momento, escancarando o planejamento e execução ruins do departamento de futebol estrelado.

O que esperar do ataque do Cruzeiro em 2024?

Reforços. O setor ofensivo do Cruzeiro é o mais carente de qualidade no elenco e, com o dono da SAF celeste, Ronaldo Nazário, indicando que o ano de 2024 contará com um planejamento mais ousado da diretoria, a tendência é que nomes de maior qualidade sejam contratados. Trazendo jogadores que consigam desempenhar melhor, que tenham mais intimidade com o gol, e possam substituir quem demonstrou bom futebol, mas vai deixar o clube, como Bruno Rodrigues, além de manter o ótimo Matheus Pereira, a tendência é que a próxima temporada seja de mais gols que a atual, não que isso seja algo muito difícil.

Apesar da importância de uma defesa forte, manter um ataque de qualidade é primordial no futebol brasileiro. Para se ter ideia, no Brasileirão, Cruzeiro e Atlético-MG foram as melhores defesas, com 32 gols sofridos cada. Por outro lado, o time alvinegro fez 17 gols a mais que a Raposa na competição. Isso fez com que a equipe com melhor veia goleadora terminasse o ano na terceira colocação, com chances (remotas) de título até a última rodada, enquanto o clube celeste foi apenas o 14º, se livrando do rebaixamento apenas no penúltimo jogo do torneio. E bem, o torcedor merece a alegria de poder gritar gol.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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