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Conturbada relação entre Pedrinho e a 777 tem mais um capítulo polêmico no Vasco

Presidente da Associação, Pedrinho notificou a 777 Partners, dona da SAF do Vasco, e cobrou garantias do pagamento do aporte que deve ser feito em setembro

A conturbada relação entre Pedrinho, presidente do Vasco, e a 777 Partners, dona da SAF do clube, teve mais um capítulo polêmico nos últimos dias. Na última semana, o mandatário da Associação notificou a empresa americana e pediu garantias de que o aporte previsto para setembro será feito dentro do prazo. A atitude de Pedrinho causou estranheza na 777 e expôs, mais uma vez, os problemas da relação entre a Associação e a SAF.

Na última semana, Josh Wander, CEO e sócio-proprietário da 777 Partners, esteve no Rio de Janeiro para uma série de reuniões no Vasco. Um delas, com Pedrinho. No encontro, o presidente pediu à empresa que desse garantias do depósito de R$ 270 milhões previsto para setembro será feito dentro do prazo. Pedrinho acionou o departamento jurídico do clube para fazer a cobrança. A informação foi dada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada pela Trivela.

Em nota, a Associação afirmou que a “evidente fragilidade econômica” da 777 Partners preocupa o clube. Além disso, citou que a própria empresa americana atrasou o pagamento do aporte feito em outubro de 2023.

– Preocupado com as notícias que sinalizam uma evidente fragilidade econômica da 777, com o atraso no último aporte e o empréstimo feito pela SAF (sem aprovação do Conselho Fiscal e à revelia do clube) para uma sociedade do grupo dos americanos, o Departamento Jurídico do Vasco enviou uma notificação para que a 777 apresentasse uma garantia de que detém condições financeiras para cumprir com a obrigação do pagamento da terceira parcela prevista em contrato, no valor de R$ 270 milhões – diz a nota enviada pela Associação ao jornal “O Globo”.

A SAF e a 777 Partners ficaram surpresas com a notificação de Pedrinho. A empresa entende não haver necessidade de dar garantias, uma vez que o contrato entre as partes já prevê as datas dos aportes que devem ser feitos. Além disso, o contrato em si já seria uma garantia.

Em 2023, 777 parcelou pagamento de aporte

Além do atraso citado pela Associação na nota, a 777 Partners parcelou o pagamento do aporte feito em 2023. Por contrato, a 777 deveria ter feito o aporte de R$ 120 milhões até o dia 5 de setembro do último ano, quando a assinatura do contrato de venda da SAF completou um ano. No entanto, o acordo tinha um prazo de carência de 30 dias. Assim, a empresa poderia fazer o pagamento até o dia 5 de outubro.

Com juros e correções pelo atraso, o valor total do aporte de 2023 ficou em R$ 126 milhões. Como a 777 adiantou R$ 16 milhões durante a janela de transferências do meio do ano, a empresa deveria pagar R$ 110 milhões até 5 de outubro. Neste dia, uma quinta-feira, o clube recebeu R$ 38,5 milhões. Os outros R$ 71,5 milhões só caíram na conta do Vasco no dia seguinte. Segundo a 777, a transferência foi feita na quinta, mas, pelo horário, o dinheiro só foi para o clube na sexta.

Pelo atraso, o Vasco, que tem 30% das ações da SAF, poderia ter notificado a 777. Neste caso, a empresa teria mais 30 dias para fazer o pagamento total. Caso não o fizesse, o clube poderia comprar 51% das ações por um valor simbólico de R$ 1 mil, retomando o controle da SAF. No entanto, a gestão de Jorge Salgado optou por não notificar a 777 Partners.

Relação entre Pedrinho e SAF não é das melhores

Desde que assumiu o cargo de presidente do Vasco em janeiro, Pedrinho fala em ser mais ativo na fiscalização e nas cobranças em relação à SAF e a 777 Partners. Além disso, o ídolo do clube também tem o desejo de ser mais participativo no futebol do clube, o que não aconteceu e incomodou o mandatário da Associação.

Em recente entrevista coletiva, Pedrinho revelou que, apesar de ter sido procurado pela SAF para um cargo executivo quando ainda trabalhava como comentarista, hoje em dia a relação entre as partes é “fria”. E disse estranhar esse distanciamento da Associação com a SAF da 777 Partners.

– Eu não posso, por mais que eu seja sócio minoritário, obrigar alguém a nada. Não estou incomodado que não estou participando do futebol, estou incomodado que poderia estar ajudando. Se eu tenho um sócio, que quis contratar lá atrás, e esportivamente não estou desempenhando, seria natural que eu tivesse uma conversa em relação a isso. Conversa não é mensagem faltando 15 minutos para comunicar. Faz parte de um planejamento. Isso não aconteceu. Respeito, mas não concordo – disse Pedrinho.

Antes disso, quando Pedrinho tinha menos de um mês no cargo, as partes já tiveram um primeiro atrito. A SAF fez um pedido para o ídolo vascaíno contextualizasse melhor algumas falas dadas em uma entrevista sobre o CT Moacyr Barbosa, alvo de divergência sobre a modernização do local. A SAF, que comanda o futebol do clube, entendeu que faltaram informações importantes sobre o assunto na explanação de Pedrinho.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues é jornalista formado pela UFF e soma passagens como repórter e editor de Lance!, Esporte News Mundo e Jogada10.
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