Brasil

As quatro maiores polêmicas de Pedro Martins no Cruzeiro

Pedro Martins, que ocupava o cargo de diretor de futebol do Cruzeiro desde janeiro de 2022, deixou o clube para trabalhar no Vasco

Uma importante mudança na diretoria do Cruzeiro movimentou o já conturbado dia a dia do clube durante essa quinta-feira (25). O clube mineiro anunciou a saída do diretor de futebol Pedro Martins, que chegou ao clube juntamente com a SAF encabeçada por Ronaldo Nazário. O dirigente de 36 anos vai assinar com o Vasco da Gama, onde será o diretor-executivo da SAF cruzmaltina, cargo semelhante ao que exerceu no time celeste.

Quem assumirá funções de diretor de futebol do Cruzeiro interinamente, até que um novo nome seja contratado, é o ex-jogador e hoje braço direito de Ronaldo, Paulo André.

A passagem de Pedro Martins pelo Cruzeiro teve alguns altos, como a conquista da Série B em 2022, mas outros tantos baixos, que fizeram com que sua saída do clube se desse em um momento de muita pressão sofrida. Torcedores da Raposa vinham criticando muito o jovem diretor, inclusive subindo a hashtag #ForaPedroMartins, pedindo sua saída do clube, em algumas oportunidades.

Além disso, o início catastrófico de temporada da Raposa em 2024 fez com que o dirigente voltasse a se tornar alvo dos torcedores, que chegaram a queimar um “boneco de judas” com o rosto do diretor de futebol na última terça-feira (23). Dono da SAF do clube, Ronaldo Nazário também ganhou um boneco do tipo.

Esses momentos ruins inevitavelmente ficarão marcados no Cruzeiro, fazendo com que os torcedores da Raposa não tenham muitas saudades do dirigente. A Trivela separou as quatro principais polêmicas do diretor de futebol em seus dois anos e quatro meses de clube.

Saída do goleiro Fábio, ídolo do Cruzeiro

Pedro Martins chegou ao Cruzeiro no dia 3 de janeiro de 2022, dois dias depois, foi anunciado que o goleiro Fábio, referência técnica, de liderança, ídolo, jogador com mais partidas e multicampeão com a camisa estrelada, deixaria o clube. O camisa 1 alegou à época que a nova diretoria celeste não quis negociar com ele e ofereceu apenas uma oportunidade de se despedir do clube durante o Campeonato Mineiro daquele ano, o que foi negado pelo então capitão do time.

— Quero deixar claro que aceitaria a readequação ao novo teto salarial, mas essa nova administração também não me deu essa opção. Em nenhum momento da conversa me deram a opção de continuar — pronunciou-se Fábio à época.

A saída repentina do ídolo enfurece os torcedores cruzeirenses, que chegaram a fazer protesto em frente a Toca da Raposa 2 pedindo para que a então nova gestão cruzeirense desistisse da ideia, o que não aconteceu. Fábio então deixou o Cruzeiro rumo ao Fluminense, onde já conquistou a inédita Copa Libertadores da equipe carioca, além de dois campeonatos estaduais, entrando no hall de grandes goleiros da história tricolor.

Para o lugar de Fábio, foi contratado o goleiro Rafael Cabral, que vivia momento ruim no futebol inglês, sendo reserva do Reading, que brigava na parte de baixo da tabela da segunda divisão do país. No Cruzeiro, Cabral jamais foi totalmente aceito pela torcida e mesmo com alguns períodos em alta, deixou o clube neste mês de abril em meio a muitos protestos dos cruzeirenses contra suas atuações.

Venda de Vitor Roque ao Athletico Paranaense

Grande promessa das categorias de base do Cruzeiro na década, o atacante Vitor Roque, de 19 anos, hoje jogador do Barcelona, deixou o time celeste numa negociação polêmica. Ainda na primeira parte da temporada de 2022, o jovem vinha se destacando pela Raposa e chamando a atenção de times europeus quando, num piscar de olhos, foi anunciado como reforço do Athletico Paranaense. E por valor irrisório dado seu potencial.

Uma das grandes joias do futebol do país saiu do Cruzeiro por R$ 24 milhões para um clube do mesmo país. O valor correspondia a multa rescisória do jogador no mercado nacional, definida de acordo com o salário do atleta. Como Vitor Roque ganhava pouco, sua multa era baixa.

Num primeiro momento, a diretoria cruzeirense acusou o dirigente Alexandre Mattos, naquele momento CEO do Athletico-PR, e que ocupava o cargo de diretor de futebol do Cruzeiro antes de Pedro Martins, de ter se aproveitado de informações privilegiadas para mostrar a brecha no contrato de Roque para a diretoria do Furacão.

Mattos e André Cury, empresário de Vitor Roque, porém, contestaram a afirmação. Segundo eles, a diretoria celeste teria oferecido Vitor Roque ao Athletico-PR por R$ 40 milhões, mais os empréstimos do zagueiro Zé Ivaldo e do atacante Jajá, visando utilizar o dinheiro para pagar um transfer ban e, de quebra, reforçar o time que disputaria a Série B daquele ano.

De acordo com Mattos, quando levou a proposta celeste a Cury, o empresário falou que não havia maneira de pagar R$ 40 milhões porque a multa de Roque era R$ 24 milhões, algo que teria deixado o CEO do Furacão incrédulo. Ele então comunicou ao presidente do clube paranaense, Mario Celso Petraglia, que mandou depositar o valor integral e tirarem a promessa de Belo Horizonte.

André Cury ainda afirmou que chegou a avisar para Pedro Martins diversas vezes que o salário baixo de Vitor Roque deixava o atleta como um alvo vulnerável no mercado. Mas nada foi feito pelos dirigentes celestes no sentido de renovar o contrato do garoto, então com 17 anos, visando aumentar sua multa.

Sem muito o que fazer, o Cruzeiro viu sua joia ir para Curitiba e estourar no Athletico Paranaense. E depois vendido para o Barcelona no início de 2024 por um valor que pode chegar aos 74 milhões de euros, o que equivale a R$ 394,8 milhões, uma quantia mais de 16 vezes maior do que o Furacão pagou ao time mineiro.

Para se ter ideia, o valor está muito próximo dos R$ 400 milhões envolvidos na compra do Cruzeiro pela Tara Sports, grupo de Ronaldo Nazário.

Curiosamente, Pedro Martins substituirá Alexandre Mattos no Vasco.

Saída de Paulo Pezzolano

Pedro Martins também foi muito criticado pela condução da reta final do uruguaio Paulo Pezzolano como treinador do Cruzeiro. Campeão da Série B na Raposa, o técnico decidiu, no fim de 2022, deixar o clube, visando realizar seu sonho de trabalhar em solo europeu.

Papa Pezzolano informou esse desejo à diretoria do Cruzeiro, que iniciou um processo de convencimento, que acabou gerando um acordo de permanência para que o uruguaio seguisse no clube durante o Campeonato Mineiro, enquanto a gestão celeste faria um processo seletivo em busca de um novo treinador.

A decisão, no mínimo bizarra, custou caro. O Cruzeiro fez um péssimo início de temporada, quase foi eliminado na fase classificatória do estadual, saindo na semifinal para o América-MG. Após a eliminação, Pezzolano deixou o cargo, sendo substituído pelo português Pepa, que chegou já com a temporada em andamento, num time onde quase nada se salvava, sem a possibilidade de realizar a pré-temporada com um elenco que não foi montado por ele.

Já Paulo Pezzolano conseguiu realizar seu sonho europeu ao ser contratado pelo Real Valladolid, da Espanha, clube que assim como o Cruzeiro pertence a Ronaldo. A situação irritou parte da torcida celeste.

Demissões constantes de treinadores no Cruzeiro

Após o primeiro ano de SAF do Cruzeiro ter sucesso com o treinador escolhido, Paulo Pezzolano, que ficou toda a temporada no comando do clube, nenhum técnico conseguiu ter boa sequência na Raposa. Em pouco mais de um ano, seis profissionais diferentes comandaram o time celeste, o que prejudicou o desempenho esportivo estrelado.

Ainda que em suas coletivas, tidas muitas vezes como “fantasiosas”, Pedro Martins pregasse o desejo de continuidade e convicção de suas escolhas, na prática, o que se via era totalmente o contrário.

Além disso, após a bizarra situação com Paulo Pezzolano, outros treinadores deixaram o clube reclamando da falta de respaldo da diretoria, contrariando, mais uma vez, o que Martins afirmava nos microfones da Toca da Raposa 2. Pepa e Nico Larcamón foram dois que rebateram declarações de Martins.

Pedro Martins convivia com muitas críticas no Cruzeiro

Apesar de ter sido exaltado pela montagem do elenco do Cruzeiro que ganhou a Série B de 2022 com facilidade, Pedro Martins passou a receber muitas críticas a partir do acesso da Raposa, que, com um elenco fraco, enfrentou muitas dificuldades para se manter na Série A em 2023.

Além disso, o início catastrófico de temporada da Raposa em 2024 fez com que o dirigente voltasse a se tornar alvo dos torcedores, que chegaram a queimar um “boneco de judas” com o rosto do diretor de futebol na última terça-feira (23). Dono da SAF do clube, Ronaldo Nazário também ganhou um boneco do tipo.

Pedro Martins também vinha sendo muito criticado pelo pouco investimento do Cruzeiro no mercado e pelas constantes demissões de treinadores — em um período de um ano, o time celeste teve seis técnicos diferentes —, com as escolhas dos nomes se mostrando equivocadas. Martins era questionado pelas entrevistas avaliadas como “fora da realidade” — pelo discurso excessivamente positivo e de pouca mea culpa, mesmo em momentos muito ruins do clube —, e excessivamente corporativistas, o que rendeu apelidos como “diretoria sapatênis” e “Faria Limers”, em referência a uma das principais e mais importantes vias da cidade de São Paulo, conhecida pela importância dentro cenário empresarial e financeiro do estado, mas numa conotação pejorativa.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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