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Como Paquetá pode jogar no Flamengo e ser o reforço que o time tanto precisa

Meio-campista completo, cria do Rubro-Negro pode exercer três funções, mas há um encaixe natural

O acerto do Flamengo com um jogador do calibre de Lucas Paquetá, no auge físico aos 28 anos, levanta a questão de como ele se encaixará em um time que vem de títulos do Brasileirão e da Libertadores.

O Rubro-Negro, melhor elenco da América, ganha um craque que vem para ser titular em setores muito concorridos e com qualidade, o que fatalmente colocará alguém acima da média no banco de reservas.

Confira nesta análise da Trivela os três cenários possíveis para a cria da Gávea se encaixar sob o comando de Filipe Luís, usando como base a equipe ideal do último ano e a formação 4-2-3-1, e o mais provável entre eles.

Paquetá tem repertório para jogar em três funções no meio

Segundo volante

Possível Flamengo com Paquetá de segundo volante
Possível Flamengo com Paquetá de segundo volante (Foto: Tactical Board/Trivela)

Função algumas vezes exercida no West Ham e que cumpriu na única Copa do Mundo da carreira (em 2022), Paquetá de camisa 8 com um outro volante mais fixo é uma opção extremamente ofensiva que Filipe Luís teria nas mãos.

Essa alternativa tiraria Erick Pulgar do time, o que naturalmente diminuiria a combatividade pelo meio e a capacidade de cobertura de grandes espaços sem bola.

Só a ausência do chileno no 11 titular já é improvável pelo quanto o técnico é um admirador de seu futebol. Tanto que, quando o volante voltou de lesão em outubro do ano passado, precisou de apenas alguns dias para tirar Saúl, que vinha bem, da equipe principal.

— Pulgar é um pilar da equipe, sempre foi para mim, é um jogador fundamental. Um líder tanto dentro quanto fora de campo, é um cara que entende o que penso como ninguém. É uma parte de mim que está dentro do campo, é muito importante — elogiou Filipe após vitória sobre o Palmeiras no Brasileirão passado.

Paquetá como segundo volante, então, parece ser mais uma opção durante os jogos em um contexto de desvantagem no placar, em partidas de necessidade de imposição (precisar de uma virada em um mata-mata, por exemplo) ou frente a adversários que exigirão pouco do jogo sem bola do time.

Nesse cenário, o momento ofensivo poderia ter outra cara, com o novo reforço “saltando” uma linha para se juntar aos atacantes e segurando o lateral-direito (normalmente Varela) na saída de bola. Isso teria impacto no meia pela direita (Carrascal), que teria que ficar mais preso à linha lateral pela necessidade de amplitude na filosofia de Filipe.

Camisa 10

Possível Flamengo com Paquetá de meia centralizado
Possível Flamengo com Paquetá de meia centralizado (Foto: Tactical Board/Trivela)

O ex-West Ham como meia centralizado no 4-2-3-1 é, de longe, o cenário mais improvável porque o dono da posição é Giorgian de Arrascaeta, melhor jogador de 2025, ano com melhores números da carreira, 25 gols e 20 assistências.

Em teoria, seria o caminho perfeito para Paquetá, onde ficaria mais à vontade e teria menos obrigações quando seu time estivesse em bloco mais recuado. Nessa função, exibiria com perfeição sua qualidade no passe, seja ele em profundidade, pelo alto ou com achadas em defesas mais fechadas.

Essa possibilidade, no entanto, só deve acontecer quando o uruguaio não estiver à disposição (aos 31 anos, pode ser mais frequente, mesmo que o camisa 10 venha de temporada inédita com 64 jogos, 56 como titular) ou em situação de jogos, visto que Arrascaeta costuma ser substituído — ele só atuou por 90 minutos sete vezes no último ano.

Se mantiver o nível físico e técnico, Arrascaeta pode ceder sua posição a Paquetá só no fim de 2028, quando finaliza o recém-renovado contrato do ídolo rubro-negro. O novo contratado assinou vínculo por quatro anos.

Meia pela direita

Possível Flamengo com Paquetá de meia pela direita
Possível Flamengo com Paquetá de meia pela direita (Foto: Tactical Board/Trivela)

Aqui entra onde Paquetá provavelmente deve ser escalado por Filipe Luís por um encaixe de jogo já consolidado na estrutura ofensiva do 3-2-5.

O meia pela direita com o jovem técnico, Gerson por um semestre e Carrascal pelo outro em 2025, não tem obrigação de ser um ponta e ficar fixo na linha lateral para tentar jogadas mano a mano — ao contrário da função do atacante pela esquerda, com Samuel Lino ou Everton Cebolinha.

Essa função tem liberdade para flutuar para dentro pela subida de Varela para ocupar o corredor. A cria da Gávea poderia ficar mais fixo no espaço entre lateral e zagueiro adversário para fazer ultrapassagens ou, potencializando o seu melhor, livre para apoiar a saída de bola junto dos zagueiros, para trocar de função com Arrascaeta ou atacar como falso nove, o que já fez na Inglaterra, se estiver junto de um centroavante mais móvel.

O ex-West Ham, que também passou por Lyon e Milan, já é conhecido por se dedicar no jogo sem bola e pelo lado teria uma obrigação maior de recomposição no 4-4-2. Aliás, Paquetá é completo, capaz de jogar pelos dois lados.

No futebol inglês, ele atuou mais à esquerda do que pela direita. Se fosse para o atleta atuar pelo corredor canhoto, porém, exigiria um grande ajuste tático de Filipe, pois Alex Sandro não faria a função de Varela de corredor e colocar Ayrton Lucas fazendo isso mudaria toda a dinâmica do time.

É verdade que Carrascal, com “alma” de camisa 10 como a cria da Gávea e quem deve deixar de ser titular, foi meia pela esquerda na final da Copa Intercontinental contra o PSG, mas o contexto do jogo era completamente distinto, em cenário que o Flamengo, tão acostumado a ser dominante, seria o time com menos posse.

Paquetá comemora gol pela seleção brasileira
Paquetá comemora gol pela seleção brasileira (Foto: Imago)

No contexto geral, a chegada do meia por 41,2 milhões de euros (R$ 258,7 milhões), maior contratação da história de uma equipe brasileira, é mais uma cartada que expõe como o Fla pode criar um abismo dos seus concorrentes por conta do poderio financeiro. É um ganho esportivo acima do normal e de um jogador que ainda tinha mercado na Premier League.

Para Paquetá, é a chance de ser campeão com o time do coração, o que não conseguiu em sua primeira passagem, e estar mais perto do radar da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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