Auge no Brasileirão, nem tanto nas copas: Como Arrascaeta fez ano mais regular no Flamengo
Decisivo no título nacional, meia uruguaio bate recorde na carreira em jogos, gols e mais
O nono título do Brasileirão do Flamengo, conquistado nesta quarta-feira (3), apesar de um grande trabalho coletivo de Filipe Luís, poderia não ter ocorrido se não fosse por quem assumiu a camisa 10 rubro-negra em 2025. De Arrascaeta chegou ao seu auge técnico e físico e acumulou atuações de gala na campanha de pontos corridos.
Os números dizem por si só: 18 gols e 14 assistências, vice-artilheiro e garçom da competição com quase o dobro de passes do segundo. Tanto em tentos como em passes para gols dos colegas, as estatísticas são um recorde para o uruguaio pelo Campeonato Brasileiro.
Não só a participação em gols foi impressionante, visto a qualidade técnica do jogador ser conhecida desde que ele pisou em solo brasileiro, pela primeira vez defendendo o Cruzeiro, entre 2015 e 2019. O meia nunca fez tantos jogos, considerando toda a temporada (61) ou só no recorte do Brasileirão (33).
O segredo por trás de alcançar o auge técnico e físico aos 31 anos, sendo um jogador com longo histórico de lesões e mesmo sofrendo com uma artroscopia no fim do ano passado, passa por uma preparação especial desde o começo de 2025 e uma opção tática de Filipe Luís.
Arrascaeta pelo Flamengo na temporada 2025:
- 61 jogos (53 como titular)*
- 4173 minutos em campo (média de 69,5)*
- 23 gols*
- 18 assistências
*Recordes na carreira do jogador, segundo estatísticas do site “Ogol”
Por que Arrascaeta tem jogado tanto?
Acompanhamento físico individual e minutos contados em campo

Ficou evidente como o ídolo rubro-negro teria jogos dosados e bem cuidado fisicamente logo nos primeiros jogos de 2025. Mesmo na viagem para os Estados Unidos na pré-temporada, ele não entrou em campo e aproveitou o período para focar em sua recuperação.
Quando retornou ao Brasil para o Campeonato Carioca, os primeiros três jogos de Arrascaeta em 2025 foram entrando no meio do jogo. A partir daí, voltou a ser titular por todo restante do ano, mas quase sempre sendo substituído, o que ocorreu 47 vezes nas 61 partidas que atuou pelo Flamengo neste ano. Boa parte das vezes foi substituído após uma hora ou 70 minutos de partida.
Essa estratégia de minutos contados ao craque da camisa 10 está por trás de um plano de Filipe Luís, como informou o jornalista Vene Casagrande em setembro. O técnico reforçou o trabalho junto ao jogador com o fisioterapeuta Laniyan Neves e o preparador físico Diogo Linhares, tendo o apoio do departamento de saúde do clube.
O jogador ganhou um plano individualizado e monitora os jogos com o índice IPAC (Índice de Partidas Acumuladas), segundo o portal “ge”, diluindo os minutos em campo pelas competições. Ainda há um controle de carga de partidas e treinos se baseando em alterações bioquímicas.
— Gostaria de fazer um reconhecimento especial às comissões técnica e médica do Flamengo, que fizeram do Arrascaeta um jogador diferente nesta temporada daquele que eu conheci inicialmente. […] O que ele faz no Flamengo, jogando duas vezes por semana, marcando gol, dando assistências, é um jogador que nesta versão é muito bom — elogiou Marcelo Bielsa, técnico da seleção uruguaia, em setembro.
O resultado, além do número de jogos, gol e assistência, também está no período lesionado. O único problema físico sofrido pelo meia aconteceu em março, pelo Uruguai, o deixando de fora de dois jogos do Rubro-Negro.
Questão tática

No papel, Arrascaeta seguiu sendo escalado como um meia atrás do centroavante na formação 4-2-3-1 com Filipe Luís. Em campo, porém, o uruguaio se mostra muito mais próximo do atacante central, pisando mais na área e marcando gols. Na decisiva vitória sobre o vice-líder Palmeiras, em outubro, ele se projetou nas costas da defesa alviverde para marcar em passe de Pedro.
Por vezes, pode ser até o mais avançado no ataque quando se tem Bruno Henrique ou Gonzalo Plata, dois jogadores mais móveis como camisa 9. Tanto que, mesmo sendo meia, é o sétimo jogador com mais chutes no campeonato, 75, atrás de apenas de centroavantes de times adversários.
Essa proximidade no gol adversário lembra uma fala do jovem técnico sobre instigar seus zagueiros e volantes a encontrarem os melhores jogadores do time.
— Como treinador eu gosto muito do jogador pé refinado que resolve jogo. Eu tento preparar o time para que a bola chegue no pé do jogador determinante. Uma das minhas instruções para os zagueiros e volantes é olhem para “ele” [jogador determinante]. Antes de vocês receberem a bola, têm que olhar para ver onde ele está. Muitas vezes eu procuro atrair a marcação para poder liberar espaço e tempo para os jogadores que quando pegam a bola são capazes de fazer essa jogada de gol — disse à Fla TV.
Giorgian Daniel de Arrascaeta Benedetti e sua terceira #GlóriaEterna pelo FL4MENGO. Ídolo. ❤️🖤#arteespecial pic.twitter.com/YEaFEvtGgC
— FL4MENGO (@Flamengo) November 30, 2025
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Antes ‘copeiro’, meia do Flamengo muda padrão
Seu baixo número de jogos nos pontos corridos mostra como Arrascaeta quase sempre foi um jogador “das copas”. Tinha poucos jogos no Brasileirão — pelo Fla, em duas edições, somou menos de 20 partidas — e se poupava para brilhar no mata-mata. Até em 2019, seu então melhor ano em gols na competição, jogou apenas 23 vezes.
Neste ano isso claramente mudou, sendo constante no campeonato de pontos corridos e não tão consistente nas copas. No Mundial de Clubes e na Copa do Brasil, somados, foram apenas seis jogos, um gol e uma assistência. Até na campanha campeã da Libertadores, presente em 11 das 13 partidas na trajetória, o meia marcou duas vezes e deu um passe para gol, justamente na final contra o Palmeiras.
Provavelmente poupado na última rodada do Campeonato Brasileiro, o meia uruguaio terá a última copa do ano na próxima quarta (10), quando o Flamengo estreia na Copa Intercontinental contra o Cruz Azul. Se vencer, enfrenta o Pyramids para definir quem duelará com o PSG na decisão.
Independente do resultado na competição mundial, Arrascaeta termina 2025 sabendo que foi o maior ano de sua carreira — pelo menos, até agora, pois tem contrato até o fim de 2028 com o Rubro-Negro.



