Brasileirão Série A

Os obstáculos que devem tirar o impedimento semiautomático do início do Brasileirão 2026

Acordo entre CBF e Genius Sports foi firmado em novembro para implementação da tecnologia até janeiro, antes do início da competição

Uma das principais mudanças para o Campeonato Brasileiro de 2026, é “improvável” (quase “impossível”) que a tecnologia do impedimento semiautomático esteja à disposição a partir da primeira rodada do torneio, que se inicia em 24 de janeiro. Conduzida pela empresa Genius Sports, a implementação do sistema ainda passa por estudos e avaliações junto à CBF. Há ainda a necessidade da instalação das câmeras em si.

O contrato entre CBF e a Genius Sports, que já fornece a tecnologia para a Premier League, prevê o uso do impedimento semiautomático como auxiliar ao árbitro de vídeo (VAR) nas temporadas de 2026 e 2027, do Brasileirão e Copa do Brasil. As partes chegaram a um acordo em novembro e, desde então, foram conduzidos estudos e visitas aos estádios da Série A.

Harry Lennard, ex-árbitro da Premier League e diretor de arbitragem da Genius Sports, confirmou à Trivela que a tecnologia não deverá estar à disposição logo na estreia do Brasileirão. “O contrato foi assinado bastante tarde, o que torna o lançamento em 28 de janeiro altamente improvável, se não impossível”, afirma.

Harry Lennard, ex-árbitro da Premier League, trabalha para implementação do impedimento semiautomático no Brasil (Foto: Imago)

— Estamos trabalhando em estreita colaboração com a CBF e fazendo tudo o que podemos, o mais rápido possível. O ponto principal a ser reforçado é que, para que essa tecnologia funcione corretamente, todos os estádios precisam estar concluídos, a infraestrutura deve estar pronta e os árbitros devem estar totalmente treinados — reforça Lennard à Trivela.

A CBF produziu uma lista de estádios no qual a tecnologia deveria ser implementada. Desde novembro, foram enviadas equipes ao Brasil para vistoriar a estrutura de cada um destes. Até o final de janeiro, 20 deles serão analisados pela Genius, que garante que cada clube terá ao menos um estádio disponível com a tecnologia implementada.

Nesta semana, representantes da CBF e de clubes das Séries A e B do Brasileirão estão presentes na Inglaterra, onde haverá conversas sobre a nova tecnologia a ser implementada no futebol brasileiro. Há diálogos semanais entre Genius e a gestão de Samir Xaud.

Genius Sports visitou estádios na Série A para implementar tecnologia do impedimento semiautomático (Foto: Reinaldo Campos/Santos FC)

Existe a possibilidade de que outros estádios sejam analisados, como Mané Garrincha, em Brasília — que recebe com frequência duelos do Brasileirão —, mas ainda não há uma definição a respeito de outras arenas a receberem a implementação. A tecnologia permite gerar uma imagem em 3D, com a posição dos jogadores em campo, para determinar em segundos se há impedimento em determinado lance.

Quando o contrato foi firmado, em novembro, a CBF afirmou que, até 10 de janeiro, a Genius deveria emitir o certificado do Semi-Automatic Offside Technology (SAOT) para todos os estádios da Série A, o que não será possível. A Trivela buscou a CBF para comentar sobre o prazo, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Caso ocorra, ela será devidamente atualizada.

Esse atraso, no entanto, não seria inédito: na Inglaterra, o sistema passou a ser utilizado apenas na reta final da temporada 2024/25, a partir da 32ª rodada. À época, a Genius trabalhou para que houvesse o mínimo de falhas na tecnologia.

Calendário apertado do futebol brasileiro atrasou implementação

Além da assinatura tardia do contrato, o início do Brasileirão em janeiro fez com que a Genius tivesse menos tempo para trabalhar na implementação da tecnologia. Ao todo, o sistema contará com 24 câmeras dedicadas (com altura mínima e cobertura total do campo), servidor da Genius exclusivo nos estádios, conexão dedicada de até 1000 Mbps, além de garantia de estabilidade estrutural e ausência de vibração nas câmeras.

— O Brasil é um país lindo, mas muito grande, então isso envolve viajar bastante e instalar a tecnologia em muitos estádios. Alguns clubes também compartilham estádios, o que também afeta o plano geral de instalação — afirma Lennard.

Além do impedimento semiautomático, a Genius fornecerá um sistema de rastreamento de jogadores, árbitros e bola, e uma plataforma avançada de análise tática e de desempenho, que serão apresentados aos clubes e à CBF no encontro desta semana. O sistema será integrado ao VAR já em operação nas competições da CBF, operado pela empresa Hawk-Eye.

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Regulamento do Brasileirão ‘prevê’ ausência da tecnologia

Mesmo que o impedimento semiautomático não esteja à disposição nas primeiras rodadas do Brasileirão, não é possível adiar o início da competição, ou até impedir que partidas sejam disputadas.

Segundo regulamento específico do Brasileirão (REC), aprovado pelos clubes, a tecnologia do VAR — na qual está incluído o impedimento semiautomático — “poderá ser utilizada em todas ou algumas partidas”. O trecho consta no Artigo 24 do REC.

— Os Clubes aceitam que a tecnologia poderá ser utilizada em todas ou algumas partidas do CAMPEONATO, sempre que possível, e concordam que eventual impedimento total ou parcial no uso da tecnologia durante uma partida, bem como qualquer falha ou desconformidade na operação do VAR, não constituirão base para suspensão ou interrupção da partida e nem, muito menos, fundamento para pedido de anulação da partida correspondente, nem servirão como fundamento para qualquer pleito de natureza indenizatória — diz trecho do REC.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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