Análise: Como Flamengo encarnou aura de Simeone com Filipe Luís contra o PSG
Superado nos pênaltis, Rubro-Negro teve a cara do 'cholismo' que técnico brasileiro aprendeu na Espanha
Quando jogadores viram técnicos, as influências de outros comandantes que o treinaram e marcaram sua carreira em campo ficam evidentes em suas filosofias de jogo. Filipe Luís, mesmo que o Flamengo tenha perdido para o PSG na decisão da Copa Intercontinental nesta quarta-feira (17), mostrou como bebeu da fonte de Diego Simeone durante suas oito temporadas no Atlético de Madrid.
O Rubro-Negro competiu como se fosse uma noite europeia e ficou no 1 a 1 em 120 minutos com aquele que é o atual campeão da Champions League, mas sucumbiu nas penalidades por 2 a 1 com o brilho de Safonov.
A partida teve vários “jogos” dentro dela, com alternância de estratégias, mudanças de controle e, principalmente, o lado brasileiro “cholista”, reforçando ainda mais que é iminente que o jovem treinador de 40 anos dará o salto para o futebol da Europa.
O Manto que nos Ergue. A bastilha inexpugnável! VOLTAREMOS! pic.twitter.com/RwkbmWlg6Z
— FL4MEN9O (@Flamengo) December 17, 2025
Pressão do Flamengo mudou jogo difícil
Mesmo em um primeiro tempo abaixo, com o meio-campo do PSG dominando e sendo decisivo para abertura do placar com Kvaratskhelia aos 37 minutos, o Fla desde o início teve postura agressiva na saída de bola francesa.
O encaixe individualizado era muito claro: Bruno Henrique e Arrascaeta colavam nos zagueiros, Gonzalo Plata e Carrascal nos laterais — o que poderia mudar a depender do lado da bola –, Jorginho em Vitinha e Pulgar em Fabián Ruiz ou João Neves. Com isso, os parisienses sofriam com a saída mais curta e Safonov acumulou alguns erros, por vezes forçando chutões.

A pressão forte continuou pelo menos no começo do segundo tempo, com BH pressionando Marquinhos e conseguindo lateral. Na cobrança, Vitinha foi bloqueado novamente pelo atacante, a bola sobrou para Arrascaeta e Marquinhos cometeu a penalidade que seria convertida por Jorginho e mudaria os rumos do jogo.

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Flamengo fez grande segundo tempo contra o PSG
Após o intervalo, o Fla já tinha melhorado, passado a fechar melhor os espaços por dentro e o empate com 16 no relógio confirmou essa mudança. Pedro tinha entrado no jogo para ser um pivô capaz de acionar os pontas em velocidade, movendo Bruno Henrique para ponta esquerda.
Depois, o meio-campo foi todo reformulado com Saúl e De la Cruz, ainda tendo Cebolinho na vaga de Arrascaeta para ter um ataque ainda mais veloz.
A etapa final foi o exemplo perfeito da competitividade e influência de Simeone em Filipe. O Fla defendeu a área com unhas e dentes, lutou por cada espaço e tinha em Pedro e os rápidos pontas a possibilidade de contra-atacar.
O PSG, que marcou cerca de 87% de seus 159 gols em 2025 de dentro da área, não encontrava espaços por lá. Em todo jogo, foram 23 finalizações, 15 dentro da área, local onde apenas cinco foram em direção ao gol de Rossi, quatro foram bloqueadas e outras quatro foram para fora. Jogaço dos volantes que iniciaram o jogo e entraram nele posteriormente, além do quarteto defensivo Varela, Léo Ortiz, Pereira e Alex Sandro.
Mas não é que o Rubro-Negro só se defendeu, assim como o Atlético de Madrid é muito mais do que um time “retranqueiro”. Em uma sequência de ataques após os 39 minutos da etapa final, por pouco o Flamengo não virou o placar. Pedro e Léo Pereira tiveram finalizações bloqueadas, enquanto Plata, na cara do gol, chutou por cima da meta do Paris, o que não apagou a partida de entrega do equatoriano.
PSG, porém, teve vários méritos
No geral, o lado europeu foi superior e também teve interessantes movimentos táticos. Apesar de ter perdido a bola em algumas saídas de bola a partir da defesa, o PSG ia muito bem na fase mais avançada de construção, quando a bola já chegava na intermediária defensiva/grande círculo e o lado brasileiro se fechava em um 4-4-2 em bloco médio.
A partir isso, novamente, os parisienses tinham Marquinhos à direita, Pacho por dentro e Mendes como os primeiros construtores. À frente deles, Zaïre-Emery e Vitinha, com Ruíz e Neves mais próximo dos atacantes. Isso pelo menos em teoria. Na prática, era outra história.
Mendes, por exemplo, subiu em algumas oportunidades para a linha ofensiva, o que obrigava um passo atrás dos meias mais avançados. Falando neles, João Neves e Fabián Ruíz para sair da congestionada zona central, por vezes caíam para as pontas e receberam várias vezes assim.
O espanhol, inclusive, iniciou a jogada do gol na esquerda, antes que Vitinha, para escapar de Pulgar, avançou até a última linha e tocou de letra antes de Mayulu acionar Doué, autor do cruzamento que culminou no gol de Kvaratskhelia.

GOOOOOOOOOOL DO PSG PRA COLOCAR ÁGUA NO CHOPP RUBRO-NEGRO! PQP, OUTRO MOLE DO ROSSI? 🥵👀
— CazéTV (@CazeTVOficial) December 17, 2025
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A pressão parisiense no campo de ataque, como a rubro-negra, incomodava bastante. Rossi errou várias saídas, sendo forçado muitas vezes a lançar para Bruno Henrique. O encaixe também era individualizado, com a diferença que o “camisa 9” do time, seja Lee no início, Mayulu ou Mbaye que entraram depois, ficava no primeiro volante e os pontas subiam nos zagueiros.
A vitória nos pênaltis do Paris, mesmo que justa, reforçou o que foi visto no Mundial de Clubes do meio do ano: a evolução do futebol brasileiro em comparação aos grandes centros da Europa.
O caminho é árduo e a desvalorização da moeda local ainda é complexa, mas o Brasil é o país que tem o maior potencial para mudar a lógica atual do esporte mundial.



