Mundial de Clubes

Flamengo e PSG podem salvar o agonizante Troféu Intercontinental?

Ao mesmo tempo em que torneio não recebe valor, final pode ser a mais interessante do atual século

Ironias da vida. A Taça Intercontinental está agonizando no preciso momento em que fornece a final mais interessante desde o início do século.

Até agora, poucos torcedores no estádio. A aparição do vencedor da Champions League vai mudar a situação? 

Bem, a indiferença europeia se superou este ano. Tem muita gente por lá nem ciente de que a coisa está acontecendo. Tipo “Peraí, isso não rolou no meio do ano?”. Está sendo difícil vender esse peixe para os meus clientes estrangeiros.

Mas, por ironias da vida, pode ser que o Paris Saint-Germain esteja colocando mais importância nesse jogo que qualquer time europeu dos últimos anos.

Por que o PSG pode levar o Intercontinental a sério?

Por que? Em parte, em consequência do local do jogo. O PSG vai atuar na frente dos chefes.

Segundo, porque trata-se de um clube novo, sem grande tradição, muito empenhado em ganhar títulos internacionais e divulgar a marca. Quis conquistar o Mundial de Clubes cinco meses atrás. Ficou decepcionado com a derrota para o Chelsea na final.

E tem um outro fator. O PSG vai para campo sabendo que vai ter que competir. A experiência de enfrentar o Botafogo no Mundial de Clubes deu uma certa casca. Não imaginava uma partida em que o adversário parecia estar jogando a vida. 

Bem, já foram avisados. Quarta-feira tem coisa séria.

PSG de Marquinhos perdeu para o Botafogo de Alex Telles (Foto: Imago)
PSG de Marquinhos perdeu para o Botafogo de Alex Telles (Foto: Imago)

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Qual Flamengo entrará em campo?

E como o Flamengo vai abordar essa coisa séria? Pergunta fascinante.

Filipe Luís tem um time de grande experiência — mais até do que o adversário. Isso tem prós e contras. Ajuda muito ter o conhecimento, qualidade e bom senso de um Jorginho, um Danilo, um Alex Sandro em campo. Eles vão saber esfriar o jogo nos momentos adequados.

Por outro lado, o time — no final de um ano bem desgastante — tem uma idade avançada. Vai faltar gás? Nos confrontos contra Cruz Azul e Pyramids, o Flamengo iniciou com uma pressão pós-perda bem feita. 

Podemos ver o primeiro gol contra os mexicanos como um presente, saindo de um passe lateral suicida de um zagueiro do Cruz Azul. Mas a gente tem que reconhecer o mérito do Flamengo em forçar o erro, em avançar em bloco para tirar a opção de um passe fácil para frente, que botou minhocas na cabeça do defensor infeliz.

Duas considerações. Primeiro, o time parece não ter condições de fazer isso durante o jogo inteiro. Contra o Pyramids foram somente 35 minutos.

Segundo, esse tipo de pressão não admite dúvidas. Todo mundo tem que participar. Faltando um, abre um buraco. E fazer contra o PSG carrega um risco enorme. Os franceses têm tanta velocidade na frente que, vencendo a primeira linha, já colocam a defesa flamenguista em perigo.

Podemos esperar, então, um Filipe Luís que vai deixar bem claro que jogou muito da sua carreira seguindo as ordens de Diego Simeone?

Filipe Luis e Simeone durante jogo do Atlético de Madrid (Foto: Imago)
Filipe Luis e Simeone durante jogo do Atlético de Madrid (Foto: Imago)

Vale a pena lembrar que o Flamengo conquistou a Libertadores marcando somente 13 gols nas 13 partidas da campanha. A única atuação sensacional veio fora de casa contra o Internacional. Na Argentina, ficou bastante tempo no seu próprio campo nos jogos difíceis contra Estudiantes e Racing. E quando abriu o placar na final, foi um caso de todo mundo voltando para bloquear o Palmeiras.

Mas tem um detalhe muito interessante. Em nenhum momento na mata-mata da Libertadores — e também até agora na Intercontinental — o Flamengo estava buscando o jogo, desesperado atrás de um gol. Se o verdadeiro teste de um time é na forma que reage após sofrer um gol, então esse Flamengo não foi realmente testado.

Pode ser muito importante ter uma estratégia para essa situação na quarta-feira. Perdendo, o Flamengo não pode se expor demais. Com a velocidade e exuberância de seu ataque, o PSG é um time capaz de marcar várias vezes num período curto de tempo. Os volantes flamenguistas não foram feitos para cobrir largos espaços defensivamente. 

É um dia para disciplina, paciência e concentração.

E o Flamengo é capaz de mostrar essas virtudes — com talento ofensivo suficiente para incomodar o PSG. É justamente isso — a aparência de um superclube sul-americano com experiência e qualidade — que transforma o jogo num espetáculo tão intrigante.

Bem, a Taça Intercontinental pode estar agonizando. Mas não vai embora antes de oferecer um bom presente de Natal.

Foto de Tim Vickery

Tim VickeryColaborador

Tim Vickery cobre futebol sul-americano para a BBC e a revista World Soccer desde 1997, além de escrever para a ESPN inglesa e aparecer semanalmente no programa Redação SporTV. Foi declarado Mestre de Jornalismo pela Comunique-se e, de vez em quando, fica olhando para o prêmio na tentativa de esquecer os últimos anos do Tottenham Hotspur

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