Brasil

Péssimo após Datas Fifa, Palmeiras terá que reverter histórico e manter embalo pelo título. Mas como?

O Palmeiras de Abel Ferrreira perde muito de sua forma física e mental nas paradas, luxo que não terá se quiser ganhar o Brasileiro

Abel Ferrreira está de “saco cheio”, o elenco está desgastado física e mentalmente, e até a torcida precisa de uma respirada depois desse sprint de 20 dias, desde Palmeiras 0 x 2 Atlético-MG, até os 3 a 0 do domingo (11), sobre o Internacional. Mas uma parada de 15 dias, justo agora, era tudo que o Palmeiras, embalado e líder isolado do campeonato, não precisava.

O Alviverde voltou jogando mal em todos os retornos de Data Fifa deste ano. Muito mal. Em algumas delas, até se recuperou relativamente rápido, intercalou bons e maus jogos. Mas os primeiros jogos foram sempre ruins.

Na volta da atual parada, entretanto, já não haverá esse “luxo” de tempo. Assim que voltar a campo, contra o Fortaleza, no dia 26, o Palmeiras vai precisar estar jogando bem, logo de cara. Porque dez dias depois da primeira partida da retomada, alguém vai estar dando volta olímpica com a taça do Brasileirão.

E se o Palmeiras quer ser esse time, mais do que na parte física dos convocados, o clube tem de concentrar esforços na parte psicológica do grupo todo. Em outras palavras, ou o Palmeiras acha algo diferente, em relação às demais paradas, para manter o time com sangue nos olhos, ou a conquista do 12º Campeonato Brasileiro vai correr riscos.

Porque de todos os atributos do Palmeiras de Abel Ferreira, a força mental é o que mais diferencia dos adversários. O que é ótimo quando o time está focado. Mas muito ruim, quando há uma disperção ou quebra de concentração.

Teve até taça em abril, mas a volta teve derrota

Em março, a paralisação ocorreu entre 20 e 28. O primeiro jogo do Palmeiras no retorno foi a primeira final do Paulistão deste ano: derrota por 1 a 0 para o Água Santa, em 2 de abril.

A lista completa dos dez jogos pós-parada traz outros resultados e desempenhos ruins, mesmo com a conquista do Paulistão. Tais como a vitória contra o Cerro Porteño, por 2 a 1, na Libertadores, e empate com Tombense (Copa do Brasil) e Vasco (Brasileiro).

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Em junho, eliminação com duas derrotas em clássico

A segunda parada da Fifa se estendeu entre os dias 12 e 20 de junho. Dessa vez, além de perder o primeiro jogo – 0 a 1 contra o Bahia, em Salvador, pelo Brasileiro – o Palmeiras emendou uma sequência de futebol ruim, apesar de golear o Bolívar por 4 a 0, na Libertadores.

Para completar, o Palmeiras foi ainda eliminado da Copa do Brasil com duas derrotas diante do São Paulo – 0 a 1, no Morumbi; 1 a 2, no Allianz. A fase de apresentações ruins só foi se interromper em 22 de junho, após boa vitória sobre o Fortaleza (3 a 1).

Volta com vitória, mas sequência de derrotas e eliminação em outubro

Da Data Fifa de setembro, o Palmeiras voltou com uma vitória sobre o Goiás. Um jogo muito ruim, que o Palmeiras só venceu com um gol no último lance (1 a 0), comemorado com xingamentos para a torcida por parte do autor Breno Lopes.

Depois, o time de Abel Ferreira perdeu para Grêmio, Bragantino, Santos e Atlético-MG. E ainda foi eliminado na semifinal Libertadores, nos pênaltis, após empatar duas vezes com o Boca Juniors.

Demorou um mês (sete jogos) para o Palmeiras ganhar a primeira depois do furacão descrito acima, contra o Coritiba. Mas a vitória veio junto com uma mudança de esquema tático que levariam o time a seis vitórias em sete jogos.

Palmeiras precisa manter o nível mental muito elevado

Não existe mágica. As ausências dos convocados no dia-a-dia dos clubes inevitavelmente acarretam em déficits de condicionamento físico.

O Palmeiras, que teve cinco convocados para as partidas das eliminatórias sul-americanas na atual Data Fifa, sofre ainda mais pelo fato de os convocados – Veiga, Endrick, Gómez, Ríos e Piquerez – serem de países diferentes.

Terá ainda Vanderlan e Luis Guilherme treinando com a seleção olímpica, com mais um protcolo diferente em relação aos colegas.

Por meio de seu Núcleo de Saúde e Performance, o Palmeiras aposta no contato próximo com as comissões técnicas e intercâmbio de relatórios de desempenho para tentar diminuir tanto quanto possível os prejuízos com as convocações.

O principal problema nas voltas, entretanto, não parece ser físico, mas sim psicológico. De modo leigo, dá para afirmar que o time volta com um déficit de concentração, uma demora para entender o momento e entrar de novo na sintonia que estava antes de os trabalhos mudarem tanto.

E a questão não está só nos convocados, mas também nos jogadores que ficam. Como um todo, parece que o Palmeiras perde o nível de foco necessário para entregar seu máximo.

Seja com amistosos, jogos-treino, palestras ou quaisquer outros artifícios, é isso que o clube precisa encontrar: maneiras de manter os jogadores, mais do que em forma física, em forma psicológica.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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