Libertadores

Libertadores: Palmeiras paga por conservadorismo de Abel e cai para o Boca nos pênaltis

Palmeiras de Abel é cozinhado novamente pelo Boca Juniors e Romero pega dois pênaltis para garantir argentinos na final

Estava escrito desde que o cruzamento apontou Palmeiras e Boca Juniors na semifinal da Libertadores: se o jogo fosse para a decisão por pênaltis, Romero iria colocar os xeneizes na final. E assim foi. Após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar nesta quinta-feira (5), o goleiro argentino defendeu duas cobranças e garantiu o Boca Juniors na final contra o Fluminense.

Após um primeiro tempo péssimo, em que nada fez e perdeu por 1 a 0 – gol de Cavani -, o Palmeiras fez uma segunda etapa infernal, com Kevin e Endrick em campo desde o minuto inicial, e coube a Piquerez empatar o jogo em chute de fora da área.

O Palmeiras massacrou os argentinos, mas pagou o preço do conservadorismo de seu técnico, que apostou em um time que não fizera nada jogando na Argentina.

Com pênaltis perdidos por Raphael Veiga e Gustavo Gómez, primeiro e segundo batedores oficiais do time, o Palmeiras, mais uma vez, como em 2000, 2001 e 2018, caiu diante do Boca Junior jogando em casa.

Abel apostou no que não deu certo na Bombonera

Abel começou o jogo com o mesmo time de Buenos Aires, e com os jogadores desempenhando as mesmas funções. Assim, não é de se estranhar que o jogo do Palmeiras tenha sido o mesmo: pouca criatividade, pouca movimentação e ainda menos chances de gol.

O Palmeiras não conseguia dar encaminhamento a uma jogada sequer. Todo jogador que dominava a bola era cercado por dois ou três boquenses, e todas as jogadas morriam. O único objetivo do time parecia ser conseguir cruzamentos – algo contraproducente quando se leva em conta que o ataque do Palmeiras tinha dois jogadores baixos e um lateral-direito improvisado que não entrava na área: Rony, Arthur e Mayke, respectivamente.

O Boca, em compensação, jogava ainda melhor que na Bombonera, onde já fora superior, e ainda fazia cera. “Colorado” Barco, o impressionante meia de 17 anos, estava em todos os lugares do campo. E Merentiel, jogador emprestado pelo Palmeiras, fazia difícil entender porque López, e não ele, ficou no time.

De todos os problemas do Palmeiras, o sumiço de Raphael Veiga era o mais assustador. Ele até tentou recuar um pouco mais e jogar de frente para o gol. Mas acabou ficando a maior parte do tempo de costas para a meta de Romero, completamente inoperante.

Excelente na parte defensiva, o Boca se aproveitou de um erro crasso de Zé Rafael no meio-campo para abrir o placar, aos 22 minutos. O camisa 8 deu um bote em falso, deixou a bola quicar e matou Gómez, que fazia sua cobertura. Merentiel ganhou na corrida e cruzou rasteiro para Cavani, de carrinho, fazer 1 a 0.

O Palmeiras, que já não era grande coisa, murchou absurdamente com o gol. Assustados, os jogadores de Abel passaram a tocar a bola com mais pressa, mas ainda sem qualquer eficácia, até descerem para o intervalo.

Abel decide colocar o Palmeiras para atacar

Para o segundo tempo, Abel enfim se convenceu de que o Palmeiras precisava de atacantes no seu ataque, tirou Rocha e colocou Kevin. Para completar, ainda tirou Artur para colocar Endrick. No primeiro lance, o camisa 9 invadiu a área, mas adiantou demais a bola.

Em minutos, o Palmeiras já era melhor. A defesa argentina não parecia estar preparada para a velocidade e o ímpeto dos dois atacantes de 17 anos do Alviverde. Tanto que não demorou para Jorge Almirón tirar Merentiel e colocar mais um zagueiro. E o Palmeiras se tornou outra equipe, incendiando o Allianz Parque.

Aos 21, Rojo, que levara amarelo por falta em Endrick, derrubou de novo o camisa 9 e levou o vermelho. O Boca começou a se perder e fazer faltas nas proximidades de sua área, de onde o Palmeiras já não saía mais, Com quatro atacantes, López também entrou. E, aos 27, Piquerez arriscou da entrada da área para fazer 1 a 1 com um chute rasteiro que pegou curva e enganou Romero.

Abel decidiu apostar na vitória no tempo normal. E, em dado momento, o Palmeiras tinha Fabinho, Veiga, Luis Guilherme, Rony, Kevin, Endrick e López em campo ao mesmo tempo. E o Boca não parava de levar cartões.

Já nos acréscimos, Romero deu uma prova do que viria nos pênaltis. Rony acertou uma bicicleta com rara felicidade e o goleiro argentino se redimiu no erro que causou o gol do Palmeiras para garantir que a decisão fosse para a marca da cal.

Pênaltis

  • Cavani bateu pelo Boca e perdeu o primeiro, com defesa de Weverton;
  • Raphael Veiga fez a primeira cobrança do Palmeiras, e Romero defendeu;
  • Valdez bateu o segundo penal xeneize e converteu para o Boca;
  • Gustavo Gómez bateu o segundo do Verdão, e Romero defendeu de novo;
  • Valentini fez a terceira cobrança do Boca e cravou 2 a 0;
  • Kevin bateu o terceiro do Palmeiras e fez o primeiro do Alviverde;
  • Figal bateu para o Boca e abriu 3 a 1 para os argentinos;
  • Piquerez cobrou a quarta do Palmeiras e manteve o time vivo;
  • Pol Fernandez bateu o quinto do Boca e classificou os argentinos para a final da Libertadores.

Estatísticas de Palmeiras 1 (2) x (4) 1 Boca Juniors – Libertadores 2023

  • Posse de bola: Palmeiras 68 x 32 Boca Juniors
  • Finalizações: Palmeiras 24 x 3 Boca Juniors
  • Finalizações certas: Palmeiras 8 x 3 Boca Juniors
  • Faltas: Palmeiras 13 x 14 Boca Juniors
  • Gols: Cavani (23′, 0-1), Piquerez (73′, 1-1)
Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023
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