Brasil

Entre opções para vaga de Dudu no Palmeiras, a que mais encaixou é a menos provável

Em Kevin, Palmeiras tem um ponta-esquerdo com perfil parecido com Dudu, mas pouca rodagem como profissional

Não há equipe preparada para perder um jogador com a técnica e a importância que Dudu tem para o Palmeiras. Como disse à Trivela uma pessoa ligada à diretoria do clube, dadas as proporções, seria o mesmo que o torcedor do Inter Miami se queixar de o time não ter alguém pronto para substituir Messi, caso o argentino se lesionasse.

Abel testou muitas opções: Jhon Jhon. Artur invertido, com Mayke na direita. Endrick como 9 e Rony de volta à ponta. Dupla de ataque de Rony com Flaco López e um quarteto de meio por trás com Ríos titular. Breno Lopes na direita e na esquerda. E, por apenas 39 minutos, testou Kevin na ponta-esquerda, uma troca simples de um ponta por outro. 

E quem acompanhou os jogos contra o Deportivo Pereira e o Goiás notou que essa foi a que deu mais certo. O garoto de 20 anos, com quatro jogos como profissional na carreira, foi quem melhor supriu a ausência do jogador de linha mais experiente vencedor do elenco. Não foi acaso. 

Trajetórias e características são parecidas 

Tirando os dez centímetros a mais de altura, as semelhanças entre Kevin e Dudu são marcantes. 

– Eu acho um perfil parecido de muito drible, de ‘um contra um’ muito forte. O Kevin gosta de jogar invertido também, do lado esquerdo, finalizando com chapa – disse à Trivela João Paulo Sampaio, diretor das categorias de base do Palmeiras, responsável pela vinda de Kevin para o clube. 

– É um jogador que é destaque na base, como Dudu era. Jogou em seleções de brasileiras base, como o Dudu, jogou Mundial sub-20. Por isso até que teve proposta para ir para o mesmo país, despertou interesse do futebol da Ucrânia – conta Sampaio. 

Dudu, quando deixou o Cruzeiro, atuou pelo Dínamo de Kiev. Posteriormente, ele voltaria ao Brasil, para o Grêmio, até chegar ao Palmeiras, na sequência. 

– O perfil é parecido, sim. Mas é claro que vai depender do trabalho, do caminhar dele e do desempenho do Kevin para ele atingir o mesmo sucesso. Não adianta nada o bom trabalho, o carisma e profissionalismo, se não desempenhar – diz João Paulo.

– Dudu virou ídolo pelo desempenho. É um cara querido, que todo mundo quer estar perto, mas só virou ídolo porque tem um desempenho fantástico – pondera.  

Fator drible 

A qualidade de Kevin no que os mais jovens chamam de “X1”, ou seja, o confronto no mano a mano com os marcadores, é o que mais aproxima Kevin de Dudu. A perda dos dribles, aliás, liderança à parte, é o que mais falta ao Palmeiras sem o seu camisa 7.

Com 23 dribles, Dudu ainda é o jogador do Palmeiras com melhor índice no fundamento no Campeonato Brasileiro – terceiro no índice geral. A diferença para Veiga, o segundo colocado, é de 13 dribles. 

Para enfrentar uma equipe como o Boca Juniors, o fator surpresa é fundamental. E nada no futebol surpreende mais uma defesa do que um drible. 

Características e potencial à parte, contudo, é muito pouco provável que Kevin, ou mesmo Endrick, outro que traria a surpresa como trunfo, ganhem uma chance em La Bombonera. Abel é muito cuidadoso com a evolução dos jogadores e a hierarquia interna no grupo.

Mas, pensando em teoria, a peça que traria o menor incômodo ao estilo de jogo do time no que diz respeito à característica de jogo, seria Kevin, que inclusive melhorou o jogo de Piquerez quando entrou na vitória sobre o Goiás, na última sexta-feira (15), pelo Brasileirão.   

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023
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